Queeridos: Grupo formado pessoas LGBTQIA+ celebra Dia Internacional da Dança com espetáculo em Salvador
Com objetivo de trazer representatividade e diversão, o “Me Brega Baile” acontecerá no Teatro Gregório de Matos, em Salvador, no sábado (29) e domingo (30), para celebrar o Dia Internacional da Dança. O espetáculo é realizado pelo grupo Casa 4, que é formado por pessoas LGBTQIA+. Em entrevista à coluna Queeridos, o dançarino e produtor do grupo, Alisson George, contou que o evento foi criado como forma de apresentar uma dança de salão mais inclusiva e proporcionar aos espectadores o direito de serem “bregas”.
“‘Me Brega Baile’ surgiu das nossas viagens quando estávamos com o primeiro espetáculo, que foi ‘Salão’. Na viagem, conversamos muito nos aeroportos e hotéis por onde passamos e falamos sobre nossas vontades e o que gostaríamos de fazer. No nosso mundo da dança de salão, seria o baile perfeito para nós. ‘Me Brega’ vem muito desse lugar de ser cafona, sem gosto ou então espalhafatoso, coisas com muito brilho, é tanto que no dicionário tem algo relacionado que brega denota ‘mau gosto’. Então, [na hora de decidir o nome] pedimos para que o baile nos ‘bregasse’ mesmo, ter nossas vontades ali expostas, expondo algumas coisas ao extremo, ao ridículo, colocando nossas vontades para jogo mesmo”, explicou Alisson.
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O dançarino contou também que o espetáculo é construído com base em muitas referências de outros trabalhos, como o filme “Ritmo Quente”, longa de 1987 estrelado por Patrick Swayze e Jennifer Grey, famoso pela cena em que os protagonistas levam o público delírio ao performar a música “The Time Of My Life”.Outra apresentação em que o “Me Brega Baile” se inspira é em um duo feito por um homem e uma mulher do Rio de Janeiro que dançam a música “Proposta”, de Roberto Carlos, em que a dupla se beija durante toda a cena. Segundo Alisson, essa apresentação chegou até a ir para programas de televisão em horário nobre.
A releitura de “Proposta” feita pelo Casa 4 chegou a ser alvo de ataques em uma das apresentações por um grupo que não concordou com o fato da cena ter sido reproduzida por dois homens. “Nessa circulação de espetáculo, um festival que participamos recebeu um processo de um grupo de conservadores de Manaus, quando nos apresentamos no Teatro Amazonas. Esse texto que foi para a promotoria usamos ele dentro desse espetáculo do ‘Me Brega Baile’. Todo texto que foi colocado como acusação para nós usamos no espetáculo para poder construir uma das cenas. Logo depois da cena que trazemos esse texto, é a cena da ‘Proposta’, que usamos a letra da música para propor coisas, como esse amor passar no programa de Fátima Bernardes, ver esse amor em praça pública, respeitar esse amor, enfim… são várias coisas que vão surgindo na construção dessa cena”, citou o produtor.
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Para esse Dia Internacional da Dança, Alisson falou do “Me Brega Baile”, espetáculo que surgiu da inquietação do bailarino Marcelo Galvão como forma de ter as vontades de um público atendida, incluindo a comunidade LGBTQIA+ na dança de salão. Entretanto, o produtor chamou atenção para eventos na cidade que são importantes para a comunidade da dança.
“Para nós de Salvador, especificamente, é um ano bem difícil porque estamos sem um dos maiores festivais do Brasil que acontecem aqui, que é o Viva Dança Festival Internacional. É um festival que acontece há muitos anos e neste ano foi interrompido por falta de investimento na nossa área de cultura. Esse evento sempre conseguiu movimentar muita coisa na capital baiana, muitos trabalhos foram criados por causa dele. Esse ano não temos esse festival acontecendo e isso gera um baque muito grande para toda a comunidade da dança de Salvador, e diria que do Brasil e do mundo também. Esse evento faz muitas ligações daqui de Salvador com outras regiões, são intercâmbios que acontecem com pessoas de outros lugares do Brasil e do mundo para fazer trabalhos aqui. A comunidade da dança daqui consegue ter acesso a festivais que acontecem no mundo todo por conta de curadores que aparecem devido a esse festival. O Viva Dança é uma grande possibilidade de mostrar trabalhos de artistas daqui de Salvador”, destacou Alisson.
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Os ingressos para o “Me Brega Baile” custam entre R$20 e R$40, para cada dia da apresentação, e estão à venda no Sympla ou na bilheteria dos teatros (somente nos dias das apresentações).
