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Coluna BBBN: É preciso compreender o jogo errado de Vinny sem odiá-lo

Por Ian Meneses

Coluna BBBN: É preciso compreender o jogo errado de Vinny sem odiá-lo
Foto: Reprodução/Globplay

O ódio, o hate, o ranço por Vinny no “BBB 22” também é fruto de uma projeção errada do próprio público de casa. Antes de falar sobre o cearense, preciso chamar atenção para o fato de que os telespectadores do reality, em conjunto, formam o 23º jogador da edição e que, assim como cada um ali de dentro, comete equívocos que são difíceis de engolir.  

Logo quando os participantes foram anunciados e Vinny foi revelado ao Brasil, muitas pessoas próximas a mim comentaram: “Ele é a cópia do Gil”. 

Boninho e produção podem pecar na falta de criatividade em certos pontos do jogo, mas insistir num mesmo personagem para uma edição seguida da outra é um nível de burrice impossível de acreditar que existiu de fato.

E acredito que não existiu uma escolha errada. O público é que absorveu o perfil do jovem de forma errada. Sabe a velha história de que uma cantora do Axé quis sempre imitar outra? Quem alimentou isso? Os fãs da imitada.

No BBB, os fanáticos pelo reality alardearam que Vinícius era simplesmente um segundo Gil, alguns sustentando essa visão permeada de vantagens, enquanto outros fizeram o oposto, achando um erro a presença dele na edição por essa semelhança.

Vemos aí, pelo menos, dois erros do público de ambos os lados: O estereótipo do gay, negro e nordestino e a expectativa exagerada que fez o participante bater 4 milhões de seguidores antes mesmo de começar o programa. 

Mas desde aquela época eu vinha debatendo entre os meus próximos que ele não tem nada a ver com Gil. Porque Gil sempre foi espontâneo, tinha mais maturidade e é mais expansivo. Vinny é mais quietinho, a ingenuidade ainda aflorada e é mais contido no sentido de expor sua personalidade. Isso sem falar da diferença de idade. 

As diferenças ficaram ainda mais acentuadas quando o cearense falou de sua sexualidade e os momentos importantes relacionados a ela que foram realizados recentemente. Já Gil, mostrava ser mais vivido, também dentro de seus desafios particulares, sobre a sua vida como homem gay. 

É preciso entender que mesmo ambos sendo homossexuais, negros e nordestinos, eles podem ser sim duas pessoas com personalidades totalmente diferentes e não são três características que vão simplesmente decretá-los como um cópia do outro. É ser simplista demais e sim, ser injusto.  

É duro, em certo ponto, ver o Vinny ser odiado nas redes sociais por não esconder o suposto sentimento mais profundo pelo amigo Eliezer. Onde, nesta história do BBB, disseram que é proibido demonstrar esse sentimento mesmo que involuntário? Vinny recebe, sem saber, um ódio justamente porque da outra parte, do homem hétero, não há correspondência. E o ódio não vem do amigo, vem do público. É justo? 

Relacionado a isso ou não, porque todo mundo pode ser comportar como tal, Vinny age como influenciado e isso é inegável. 

Assim como já foi dito para ele dentro da casa, até agora ele não teve, de fato, um posicionamento próprio e fundamentado. Ou ele vota junto com os influenciadores, ou ele devolve votos. Isso pode acontecer com qualquer perfil de participante, independente da profundidade e de correspondência ou não correspondência de pontos mais polêmicos desse contato. 

Outra coisa que não posso deixar passar. Sim, já percebemos que ele provavelmente monta mini roteiros na cabeça para parecer engraçado sendo desengonçado, se batendo, deixando cair as coisas, tropeçando ou se esbarrando. Mas cheguei a um ponto nessa questão de que jogar hate por uma estratégia falha como essa é desproporcional aos supostos danos que ele estaria causando na casa ou no telespectador (pra mim não há danos). 

A melhor reação mesmo diante desses fatos é a de fazer a poker face. Vinny é uma pessoa boa, pura, do bem. Não é um mal caráter, como muitos que já passaram por ali, com valores contraditórios e autores de desserviços direcionados ao público de casa. 

Que chega a ser constrangedor percebermos a forçação, a falta de naturalidade desses momentos, de fato chega. Mas sério mesmo que, em troca, nossa reação a essas ações é o ódio, é o hate, é o ranço? Um riso não dado evita machucados e, para um jovem como ele, basta de feridas.