Quarta, 11 de Março de 2020 - 11:30

Ildazio Jr.: E o Carnaval 2020? E o de 2021?

por Ildazio Jr.

Ildazio Jr.: E o Carnaval 2020? E o de 2021?
Foto: Henriqueta Alvarez / Divulgação

Com o recrudescimento da música de axé, os empresários que comandavam a cena se agrupando e refugiando em camarotes, poucos players para vender pano e alegria, restou aos poderes públicos tomarem conta da festa. Isso é inegável! Coisa engraçada essa alternância de comando forçada, pois, se prestarmos atenção, antes existia uma omissão quase que total dos poderes públicos, com o carnaval sendo entregue nas mãos de um trade (sic!) de empresários, donos de bandas, blocos, trios e camarotes, e hoje se inverteu! No meu humilde entender tem que ser no mínimo 50% para cada, pois assim rende a todos e tende a se perpetuar. Pois enquanto um só ditar as regras, acontecerão excessos aqui, erros acolá, mas sempre prevalecerá ao final de tudo a vontade de um lado só, seus intuitos, fins, quer seja poder ou grana. Oremos!   

 

E assim foi! Arrisco a dizer que a pessoa com mais hora de mídia nesse carnaval foi nosso alcaide – como chama Zeca lá nas Curtas do Poder, o Soberano ACM Neto! Decerto que a Prefeitura, a quem pertence tecnicamente a festa, já a abraçou a vera há uns bons anos, e cabe à prefeitura sim reger essa complicada orquestra. Porém esse ano com um molho especial que foi o político/eleitoreiro adicionado. E sim, meus queridos, os profissionais da política estão e estavam em plena campanha para as municipais e desde já se plantam os interesses estaduais. Não se enganem: o carnaval é um momento único e propício para tal prática!  Bom, nessa linha, creio que Prefeitura de Salvador roeu um osso maior esse ano, tendo o dobro ou mais de trabalho para a festa por estar de certo modo – e até normal – usando a máquina/plataforma para agraciar apoiadores, partidários, parceiros e os seus que trabalham ou trabalharão para a permanência pelo menos por mais 4 anos desta mesma rapaziada. 

 

Daí, claro que os problemas vão dobrar, como o quiprocó da Saltur com o Conselho do Carnaval por conta bandas, horários de saída de trios, com o propalado excesso de ambulantes que dizem à boca miúda foram 1.000 a mais, o excesso de gente na Barra- Ondina, as eternas queixas dos moradores que querem a festa longe da Barra, o esvaziamento quase que total da Circuito Osmar (Campo Grande)... E, claro, o mais estressante com a Segurança Pública (leia-se Governo do Estado), que como o seu comandante foi à mídia anunciar, testou uma nova uma operação/postura diferente dos anos anteriores, de vigiar à distância, não ir em contra fluxo. O resultado foi que os números e índices negativos aumentaram, o que levou o prefeito a bradar aos microfones da mídia.  

 

Agregue-se a isso que a Prefeitura foi também a grande produtora artística do carnaval, contratando os artistas mais badalados para tocar para os foliões sem corda tanto na Barra como na Avenida, aumentou substancialmente o carnaval dos bairros, propondo atrações de alto nível, tentando fixar a galera em sua área, o que até funciona, mas não resolve! 

 

O Governo do Estado me pareceu mais discreto esse ano, porém não deixa de fazer um grande papel para o sucesso da festa, não só na segurança, saúde, como no Ouro Negro, com os grandes artistas de primeira linha para o povo sem corda também,  bandas de todos os quilates, vários grupos e artistas pela Bahiatursa tocando em municípios... enfim, juntos fizeram uma grande festa. Porém, inchou, lotou um circuito, e esse é o principal problema a resolver: onde colocar tanta gente? Na Avenida seria uma opção! 

 

Aliás, esvaziou a Avenida em um declínio meteórico e já está mais que na hora das parcerias público-privadas acontecerem e fazerem acontecer, sem saudosismo e cafonices, mas com inteligência e novos produtos musicais baianos para gente jovem e descolada que curte do Àttooxxá a Moraes e Armandinho, do Olodum ao Cortejo, do Ministereo Público a Jau & Luiz Caldas! Reeditar uma nova cena para a belíssima Praça Castro Alves, emendar com o Pelourinho e assim extasiar turistas, o Brasil e o mundo com nossa arte, estética, música, gente, em um espetáculo único – além de resolver a zorra da espinha atravessada na garganta – dando endereço e conteúdo contemporâneo e requisitado a esse quase esquecido circuito Osmar Macêdo! #ficaadica

 

Que em 2021 tenhamos um equilíbrio de forças, uma distribuição melhor dos espaços, outra postura da PM ao bem de uma festa maior, ainda mais organizada e rentável! 

 

Ilds

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