MEU AMIGO SÉRGIO SIMÕES
E chegamos ao troféu Dodô e Omar, e eu fui! Fui para conferir se minha pesquisa com o povo estava em de acordo com o troféu, e estava. Principalmente nas questões da melhor cantora, melhor cantor e melhor musica, imbatíveis Bel Marques e Ivete Sangalo, ainda mais sendo que esses quesitos vêm da votação popular.
Mas enfim, salvo engano esse é o 18ª troféu Dodô e Osmar, e nesses últimos cinco anos toda vez em que fui assistir não consegui deixar de lembrar do meu amigo Sergio Simões, e esse ano não foi diferente. Engraçado é que fica sempre a impressão que ele esta lá na frente, na primeira fila, sentado, vendo as atrações serem premiadas. Acho que, assim como eu, todos que trabalham há mais de dez anos no carnaval, ou aqueles que trabalharam e conheceram Sergio Simões, têm essa impressão.
Figura de fácil trato, afável, adorava coca light, educadíssimo, sorriso espontâneo, sempre com uma brincadeira ou uma piada, cabelo liso partido no meio todo branco, sotaque 100% carioca, Sergio adorava o troféu Dodô e Osmar. Acho que, mais do que um executivo do grupo A TARDE, ele vibrava no troféu como carnavalesco.
Conheço um pouco da historia de Sergio, e me tornei amigo dele (na época era produtor de banda) de tanto frequentar a rádio A TARDE, antiga FM 104, radio na qual ele era dono e diretor, pois todo dia ele me via chegar e sair da emissora, ou indo copiar musicas, já que a época não existia a internet ou o CD, ou indo visitar os locutores.
No começo chamava-o de Dr. Sergio, formalidade que ele logo pediu pra não usar. Quando ele podia, jogávamos conversa fora. falávamos de tudo, de música, de política, de futebol. Enfim, nossos papos eram sempre agradáveis. Tudo o que ele fazia girava em torno da rádio. Amigo, ele amava aquele ambiente. Interessante que lembrando agora é que se percebe o quanto a emissora tinha a cara dele. Fora a radio, entre os prazeres que ele tinha um deles eram os carros, sim! Sérgio adorava carros - os possantes, sendo bem claro. Acho que o último que ele teve foi uma Mercedes-Benz prata, que virou a marca dele. Eu sempre dizia a ele que para achá-lo era só procurar o carro pela cidade, porque além de ser um carro diferente, ainda tinha o adesivo da rádio.
Virava e mexia encontrava sem querer com ele em algum restaurante. Engraçado é que ele sempre comentava que era por isso que eu estava gordo, e eu respondia que ele ia ficar da mesma forma de tanto frequentar restaurantes.
Tenho saudades de Sergio Simões. Historias dele existem muitas, perderia no mínimo um mês pra contar apenas algumas. Perderia não, ganharia um mês pra contar, mas sendo o espaço pequeno, acho importante lembrar a figura dele que, com seu jeito às vezes empresário, às vezes coração, fez um troféu virar referência no mercado fonográfico e artístico nacional em tão pouco tempo.
Por isso penso que falta ao troféu Dodô e Osmar um prêmio especial com o nome de Sergio Simões. Não sei em que formato ou adequado a qual premiação, mas que fosse um prêmio de excelência, e que exprimisse toda a alegria e o bom caráter dessa figura ímpar que faz muita falta. Nada mais justo que houvesse esse prêmio por tudo que ele representou para o rádio baiano e para o carnaval da Bahia. Acho que já está na hora.