Segunda, 18 de Junho de 2018 - 16:30

Luis Ganem: Histórias da Música Baiana – O primeiro DVD de Ivete

por Luis Ganem

Luis Ganem: Histórias da Música Baiana – O primeiro DVD de Ivete
Foto: Divulgação

Foi notícia em tudo que foi lugar o aniversário de Ivete, acontecido há bons dias em Salvador. A cantora, para demonstrar o seu carinho e reciprocidade aos fãs, meio que fez um show na portaria do prédio em que mora. Grande figura essa Ivete em comemorar com sua galera na porta do seu prédio, dando espaço para que os fãs que queriam lhe desejar boas energias o fizessem com sua presença física; grande sacada.


Mas, por que falei de dona Ivete? Afinal, fazer aniversário mesmo para uma das melhores cantoras do País é algo corriqueiro, e uma nota apenas bastaria. Mas o intuito desse pequeno introdutório foi para contar mais umas das histórias que envolvem o mercado fonográfico e os seus causos e contos da música baiana. 


E desta vez vou contar a história sobre a gravação do DVD de Ivete Sangalo na Fonte Nova. Ouvi essa história do empresário e produtor artístico Jesus Sangalo, que à época estava à frente da carreira de Ivete e foi o responsável por algo que naquele tempo ainda era: inviável, arriscado, audacioso, ambicioso e louco, que foi a gravação do DVD, pois à época não existia um parâmetro mais concreto sobre até que ponto a simpatia e a plástica musical de Ivete seria transformada em prestígio, ao ponto de colocar mais de quarenta mil pessoas em um estádio.


Pois bem, contava Jesus em uma das várias conversas que tive, que já pensava e precisava começar a fazer a diferença no mercado musical. Ivete vinha em um sucesso crescente, mas na impressão dele era preciso fazer algo que marcasse esse primeiro momento, e que a fizesse ascender e alicerçar de uma vez por todas a sua imagem no mercado nacional da música. 


Foi daí que a ideia do DVD na Fonte Nova surgiu. E a partir disso, meu amigo “cetáceo” – forma carinhosa que nos tratamos – começou uma Via Crucis para tentar emplacar o projeto. De imediato correu para a gravadora, que em princípio ficou pouco à vontade. Depois foi vender o projeto para a galera da MTV, com quem já tinha tido uma primeira conversa tempos atrás e foi também conversar com possíveis patrocinadores para a empreitada. depois de mostrar qual era o plano, ouviu por parte de todos os envolvidos ouviu um sim com ressalvas, que era o medo de não existir público para encher as dependências do estádio e ficar uma sensação de espaço vazio, o que seria ruim para a artista enquanto produto, podendo inclusive comprometer a gravação do DVD.


Bom, quando quis dizer o receio de todos, não inclua aí Jesus Sangalo, que a despeito da insegurança dos envolvidos no projeto, disse-me na conversa que tinha certeza do sucesso da empreitada. 


Confesso da minha parte, ouvindo a história, que só fui entender o que meu amigo quis dizer quando vim a compreender que o que menos importava, naquele momento, era o resultado da bilheteria do projeto. Consegui perceber, depois de muito conversar, que no entendimento dele, mais que uma venda a ideia da gravação seria uma promoção nacional de um artista que precisava de algo novo e inusitado, já que àquela altura Ivete já se consolidava como uma das grandes artistas da Bahia, mas na linha do mercado sulista, ainda não era totalmente conhecida. Olhe que eu disse: Ainda! Pra não entenderem que esqueci da música colocada na novela (Ivete emplacou logo no começo da carreira solo o hit “Se eu não te amasse tanto assim”) e virem me tirar para cristo.


Mas logo começaram a ser feitos os preparativos para o show. Produção, figurinos, bailarinos, marcação de câmeras e demais detalhes do projeto foram formatados. Pequenos mimos foram acrescidos à gravação do DVD, como por exemplo as projeções feitas no telão que ficaram a cargo de Mônica Sangalo, que fez as filmagens em uma câmera amadora, dando um ar meio casual às imagens. 


Enfim, ficou tudo pronto e veio o grande dia. Mas daí, aquela pulga atrás da orelha lá do começo do texto (o medo do espaço ficar vazio), ficou reinando na cabeça de Jesus desde a conversa que ele teve com os parceiros. E daí, veio o grande pulo do gato do meu amigo “cetáceo”. Faltando poucos dias, já existia uma venda considerável para um artista do porte de Ivete. Mesmo sem revelar valores, disse Jesus na conversa, que ele enquanto empresário, já se sentia confortável com os números. Mas pra ele e Ivete faltava aquele “quê” a mais pra tudo ficar bonito. E nessa de ficar pensando o que poderia ser feito para prestigiar mais ainda a Bahia e os baianos, foi que Jesus teve a sacada; prestigiar as pessoas que, envolvidas no evento, dariam segurança e tranquilidade aos presentes: a polícia.
 

E acabou sendo feito isso. Esgotado o número de ingressos propostos para o show, a produção (leia-se Jesus e Ivete Sangalo) ofertou aos familiares das autoridades envolvidas diretamente na festa a possibilidade de poder participar do DVD. A quantidade de ingressos doados ele não disse, mas nas palavras dele o que já era alegria, se tornou mais alegria ainda. 

Bom, dai o DVD foi um dos mais vendidos da gravadora, sucesso de venda em todo o Brasil, Jesus Sangalo mostrou que estava certo, abriu Bahia de novo para o Brasil e o mundo e Melhor que isso, a partir desse momento Ivete Sangalo se projetou de forma inconsteste como a melhor cantora do País. 

Nunca sejamos tacanhos em sonhar, Pois sempre que miramos em chegar na Lua, podemos estar nas estrelas que é longe pra caramba!


Pois dessa conversa com Jesus me lembrei do primeiro disco de sucesso do cantor Netinho, que participei ajudando na escolha das músicas quando fomos na casa...


Epa, é muita história, mas é melhor uma de cada vez, então essa conto na próxima vez.

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