Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/

Coluna

Como não montar uma banda!

Por Luis Ganem

Como não montar uma banda!
Vira e mexe sou procurado por amigos e pessoas de afinidade com a música para dar uma ajuda ou prestar consultoria sobre como formar ou administrar uma banda ou, ainda, para saber se associar a uma. Todos, lógico, com o sonho utópico de ficarem ricos, famosos, terem um carro importado e tudo mais que a fama e o dinheiro possa dar.
 
Normalmente, meu primeiro impulso é desencorajar os sonhadores, mas quem sou eu para dizer que o funil do sucesso é um negócio louco e complexo, diferente até da ilusão dos que lá chegaram possam passa. Digo isso porque explico aos jovens candidatos que, para quem já passou pela tempestade e chegou ao sucesso, o presente é lindo, mas que a conversa bonita não retrata de forma exata como foi o caminho para o pesadelo se tornar sonho e a coisa acaba ficando meio lúdica quando contada como historia de sucesso.
 
Rememorando o passado, lembro que ter uma banda antigamente era igual a amor em uma cabana. Todos tinham o sonho de poder viver de música, viver do suor, tocar para multidões e ganhar seu dinheiro honesto, mas ao que lembre ninguém queria ficar rico ou milionário, no máximo famoso. De artista a empresário, todos tinham o mesmo pensamento.
 
Lei trabalhista? Isso era irrelevante. Quando um músico não estava mais rendendo para o grupo, simplesmente era chamado à conversa e, quando a mesma não surtia efeito, era desligado, tinhavos cachês atrasados regularizados  e, vez ou outra, pagos até alguns shows já vendidos e só. Fora isso, nada mais era dado, e o cara se lançava de novo no mercado, se colocando à disposição para futuras contratações.
 
Mas e hoje, como a coisa acontece? Como são definidas essas regras independentemente das leis e suas obrigações? Como se define direitos e deveres de músicos para com as bandas em um mercado tão volátil, e imprevisível?
 
Conversando com alguns juristas, todos foram unânimes em afirmar que atualmente as leis trabalhistas que também valem para o mercado musical, mesmo sendo ele informal dizem que, independente da relação que exista entre os donos do produto (muitas vezes os próprios artistas) e o músico, e o quanto ele – o musico – tenha sido beneficiado com o sucesso da banda, é dado a ele, o direito de processar o produto, quando desligado.
 
Ou seja, mesmo que o cara ganhe muita grana com o produto e que fique famoso, ele pode, em certa altura, se for demitido, buscar na Justiça seus direitos sem nenhum prejuízo. Lógico, dizem os juristas, se, ao longo da relação, as partes nas devidas proporções acenderam ao sucesso, um processo trabalhista é legal, mas imoral.
 
E como fazer músico e empresário para não ter problemas no futuro? Bem, no entendimento dos advogados, um contrato que estabeleça direitos e deveres entre as partes como por exemplo: relação no uso de álcool nos shows (detalhe não previsto na CLT, mas de praxe no meio musical), horários de viagem, conduta social (mulheres, bebida em público etc) podem ser acordadas previamente e fazer com que a relação deixa de ser trabalhista e se torna contratual de comum acordo entre as partes.
 
Sei que estou escrevendo um assunto maçante, mas se olharmos para a quantidade de produtos que começam no mercado e acabam sem fazer sucesso e ainda com um processo trabalhista, acho válido guiar as duas partes – empresário e músico – que estão começando, para um entendimento inicial, bom para ambos.
 
Portanto você, jovem, que pensa em colocar uma banda no mercado e que, talvez, por falta de direcionamento, não esteja devidamente informado sobre a lei trabalhista ou você, músico, que está indo para uma banda e que não sabe como agir nessa relação, taí um bom caminho a ser seguido nesse começo de carreira: o acordo contratual. E saiba, jovem empresário, que seu saldo depois de três meses de banda montada já é devedor, mesmo que o produto não tenha ganhado um real. 
 
Se até para morrer tem que gastar, imagine pra montar uma banda! Cruz credo.