
Era para eu ter visto o show da nova formação da Banda Eva, com Felipe Pezzoni ao comando, no aniversário da cidade. Mas com a confusão, e o mar de gente formado no Farol da Barra, preferi ir em um outro momento, com mais tranquilidade, para poder entender o som dos caras.
Por isso, marquei de ir vê-los em uma apresentação que fariam na casa de shows Barra Hall. Lógico, não vou negar que a minha expectativa era grande. Digo expectativa pois queria entender como seria esse novo som da banda, essa nova cara.
Há algum tempo tive um conversa com Jonga Cunha, guru, articulista e diretor musical da banda (ao menos na primeira fase) em que ele me dizia sobre a liberdade que tinha dado aos novos músicos de criarem e fundirem o som, sem medo de ser feliz.

Foto: Sércio Freitas
Por isso, fui curioso para ver essa fusão entre o que se conhecia e o que era novo, inusitado. Lógico, tinha consciência de que eu poderia rejeitar o desconhecido, que poderia não gostar da roupagem, enfim que nada ficasse agradável aos ouvidos pelo costume que já tinha com a formação anterior. "Jonga Cunha nas entrelinhas", tinha dito isso.
Na entrada da casa me veio à mente as três últimas trocas da Banda Eva. Ivete Sangalo, Emanuele Araújo e Saulo Fernandes em comparativo com a vinda de Felipe. Ivete, que para mim foi a mais rentável, deu vida nacional a Banda Eva (não desmerecendo aos anteriores a ela); Emanuele Araújo, na minha opinião, foi a mais fraca de todos os que passaram à frente dos microfones da banda; e Saulo Fernandes, que fez uma Banda Eva diferente, voltada às melodias românticas, e a um som mais cabeça, mas ao mesmo tempo dançante e comercial.
Disso, queria entender como iriam se colocar Felipe e Jonga nessa nova historia. Digo sempre Jonga pois a vinda de um novo cantor passa muito pelo olhar clínico dele. E por falar em Jonga Cunha, quero abrir um espaço para falar desse cara. Conheço Jonga desde o fim da década de 80. Conheço virgula. Acompanho-o enquanto músico desde o fim dessa década.
O cara é fera, conhece tudo. De temperamento forte, sempre calado, Jonga faz parte da turma do colégio Maristas que fundou o Bloco Eva. Esteve desde o começo sempre à frente da banda como produtor musical e em todas as suas formações, mesmo depois de ter saído da sociedade do bloco (na qual voltou agora em 2013 ao fim da sua gestão na Saltur). Taí um cara que pode, sem sombra de dúvidas, espremer dessa nova formação que tiver de melhor. E, somente para constar, Ivete e Saulo? desculpem, são dois “cases” de sucesso dele.
Mas enfim, voltando a nosso show, logo no começo percebi que a responsabilidade, mesmo que digam que não, pesou nos ombros do novo cantor. Essa foi a impressão que tive de Felipe. A vontade de agradar, de dizer que ele estava ali para mostrar o novo som da banda, era tão clara, tão evidente, que não consegui ver o Felipe da Mil Verões, sua banda anterior e vitrine que o fez ser escolhido como novo cantor da Grife Eva, ali presente. Os gestos, o olhar, o medo de não agradar eram tão evidentes que em dado momento ele conseguiu se perder na caricatura de si mesmo.
Lógico, isso em principio não significa nada.Todo mundo no começo fica meio perdido mesmo. Bom é quando ao fundo do palco, tocando percussão, você pode ter um “mestre” te dando calma, com um olhar tranquilo, de quem já está acostumado com o nervosismo dos principiantes, mas atento, como quem conhece os problemas do caminho.
Percebi logo que as novas roupagens de músicas consagradas foram de imediato a principal resistência do público ao novo som da banda. Guitarras mais rock and roll e claras, teclados dando o norte em alguns momentos, a volta do sax solo (introduzido por Paulinho Andrade na época de Ivete Sangalo), além de arranjos musicais diferentes dos originais, e até pouco dançante às vezes, fizeram em dado momento com que o público mais observasse que cantasse, em um misto de: "o que está acontecendo?", com um quê de curiosidade.
O que achei de tudo? Excelente, perfeito. Não existe ganho sem dor. Fácil mesmo, só canja da mamãe. Sempre digo que o novo choca, refutamos sempre o que não entendemos. Se for feito um apanhado com nossas grandes estrelas, veremos que no começo todas elas foram criticadas, e refugadas. De Chiclete com Banana, que era um nome estranho, com uns barbudos tocando, passando por Luiz Caldas, que era o cantor que usava penacho de índio na orelha e andava descalço, a Ivete Sangalo, que era uma "gordinha gente boa", mas que nunca seria um sucesso, tudo era ruim e nunca daria certo.
Mas são poucos os que conseguem passar incólumes pelo crivo da opinião pública sem se abalar, e Felipe, ao que vi, no final não se abalou, e está ai dando a cara a tapa para aprender. E aí amigo, como agora o nome do projeto é Eva Futebol Clube, a bola, ao que percebi está na marca do pênalti, o rapaz só não faz gol se for perna de pau.
E pelo nível do treinador que contratou o cara, acho que ele não é.
#BFMP
Luis Ganem
Twitter:@luis_ganem