Salve Castro Alves!

Dia 2 de abril. Nesta terça, serão conhecidos os ganhadores do Troféu Castro Alves. Por incrível que pareça e para quem não sabe, 24 anos de troféu já se passaram e com eles diversos artistas que chegaram e se foram sem nem serem lembrados. Uma pequena parte ficou e hoje faz a história da atual música baiana.
Mas, por falar em historia, alguém sabe como essa historia do troféu se deu? Engraçado é que depois das coisas prontas, normalmente achamos que tudo foi muito fácil, mas nem sempre o é.
Era fim da década de oitenta, naquele tempo os blocos carnavalescos é que eram premiados no carnaval. A extinta Federação dos Clubes Carnavalescos da Bahia tendo à frente Archimedes Silva premiava, através de inscrições, os blocos mais bonitos, mais animados. Era uma premiação concorrida, diga-se de passagem.
Mas o modelo, que já estava desgastado depois de um longo período de sucesso, cansou, e o formato perdeu força e prestigio, culminando com o desinteresse da classe carnavalesca, que via naquele momento, com o advento do ritmo axé, crescer o estilo artista estrela, que viria a ser a partir de então o formato usado até hoje, no qual o produto comercial (banda/artista) é que vale, e não a agremiação.
E o troféu Castro Alves veio a ser criado justamente para atender a essa demanda de que faltava no mercado uma premiação que contemplasse nossa gente, já que nossas “estrelas” de então tinham se tornado de primeira grandeza. Foi partindo dessa visão, que em 1989 o jornalista Clovis Dragone, criador da revista Exclusiva, resolveu por conta própria e, pela primeira vez no carnaval de Salvador, premiar, os melhores do carnaval, que foram naquele ano distribuídas em dez categorias entre elas: Melhor banda, Melhor Bloco, e Melhor Cantor e Cantora.
Estava criado o modelo que perdura até hoje no carnaval. Naquele ano, inclusive, a banda e o bloco Cheiro de Amor conquistaram boa parte dos troféus (ainda uma imitação de uma clave de sol), sendo Ricardo Chaves agraciado como melhor cantor, e o Gandhy como melhor afro, salvo engano.
Lendo a historia do troféu, vi quanta gente boa foi premiada por ele: Daniela, Ricardo Chaves, Marcia Freire, Netinho, etc. Todos foram ao longo dos anos agraciados de alguma forma com o prêmio.
Vi também que a historia foi dura com o troféu e, em 1997, ele teve que dar uma parada por, digamos, “motivos operacionais”, ficando dez anos sem fazer a cerimônia de premiação no Carnaval e só voltando em 2007 já com um novo formato, inclusive premiações de incentivo ao novos artistas, como o prêmio Wilson Marques que premia o melhor técnico e som de trio no carnaval.
Historias sobre o troféu ouvi muita. Por exemplo, o cantor Durval Lélys, quando recebeu seu prêmio, do jeito dele, e na boa, ficou perguntando se aquele era mesmo o troféu dele por não ter placa alguma escrita com seu nome. Certa feita, Ivete resolveu se tornar mestre de cerimônias do prêmio, deixando a direção e a plateia em êxtase.
Mas como dizia o saudoso crítico de cinema do jornal A Tarde José Augusto Berbert no fim dos seus textos, meu espaço é pequeno para tudo que gostaria de falar. Por isso, só me resta prestigiar o troféu que hoje é quem expressa e ajuda a comunidade da música da Bahia.
Salve Castro Alves!
Luis Ganem
Twitter: @luis_ganem