Highlander já disse: Só pode haver uma!

Como diz o filme Highlander: “só pode haver um”. E partindo dessa frase, mais uma vez, senhoras e senhores, façam suas apostas. Começa agora e vai até o primeiro dia de carnaval a corrida para se tornar a “melhor” ou mais tocada música da folia de Salvador. O sucesso terá direito a poder desfilar no salão das grandes estrelas consolidadas do axé, caso a banda não seja já conhecida - como por exemplo: Ivete, Banda Eva, Chiclete, dentre outras. E, em não sendo uma estrela pronta, pode se tornar um brilhante e grande corpo celeste, desejado e cultuado por muita, mas muita gente.
E para isso algumas músicas já estão no páreo tocando nas rádios de Salvador, diariamente, tentando agradar a gregos e troianos, soteros e politanos (risos!)
Lógico, que com a má fase do ritmo axé, nem tudo tem sido sorrisos para nossas estrelas ou aspirantes a ela. Tudo converge contra o ritmo, e quando a coisa está mal, tudo que é feito para melhorar acaba sendo pouco ou nunca dá certo.
Mas partindo para as músicas já lançadas e ressaltando que ainda faltam algumas, portanto, para que o filho do cascudo de chifre e tridente ou da fofoca alheia não ficar criando “histórias”, das que já foram lançadas, vou dizer as que mais gostei, lógico tentando fazer uma análise lógica da coisa, mas também passando a minha percepção enquanto folião, e entusiasta do carnaval.
Pra começar, Filhos de Jorge. Finalmente algo que gosto neles. “Zirigidum” um som “discarado” com "i" mesmo. Uma suingueira bem... “zirigidum” (risos!) que não deixa ninguém parado. Pra mim a banda vai a ser a grande surpresa desse ano. A muito eles vêm prometendo, mas faltava uma suingueira, que se não fosse nenhuma dissertação poética, ao menos trouxesse alegria, que viesse com a cara da Bahia, e desta vez veio, disso não tenho duvida.
Já a Banda Eva vem com “Preta”. Falar dessa banda e de Saulo é sempre especial. Primeiro porque, quando você pensa que os caras não têm para onde surpreender, eles surpreendem. “Preta”, mistura de samba reggae com samba, traz o som surpreendente e de elite da banda Eva, e um desabafo de Saulo que diz: “oh preta, meu coração esses dias chorou com saudades de você / e você nem ligou, se despreocupou, me ignorou, nem quis saber", tem nada não sacana (risos!) e cai na risada. Mais Saulo que isso creio ser impossível.
E em falando do impossível, como diz a frase: Chiclete é Chiclete. “Funk Bahia” é a aposta do carnaval 2012 da turma de Bel e Vadinho. E olha, por mais que tente ver o lado técnico da música, é preciso dizer que em se tratando dos nossos artistas e das nossas melodias, alegria é um ingrediente essencial, e nisso o “chicrete” (risos!) é campeão. Duvido que ouvindo essa nova música da rapaziada, mesmo os mais resistentes à banda não se contagiem mexam até pra cantar um trecho dela.
Daniela vem entoando a sua alma menina e feminina, afirmando que é mais ela, e que quando esta feliz, vira purpurina. Em uma letra que poderia se dizer, uma descrição da alma da cantora transposta em poesia, se você fechar os olhos, poderá quase que perceber uma Daniela cantando sorrindo, feliz, emocionada até, sendo embalada por um ritmo que é somente dela, e quem tem na sua raiz, traços do nosso Ilê Aiyê, uma música que tem um que de exaltação que somente Daniela Mercury sabe fazer.
Ouvi também “largadinho” de Claudia Leitte. Olha, é simpática a música. Acho, e eu disse acho, que a cantora exagera um pouco na interpretação. Se fosse menos “over”, creio eu, ficaria melhor ao ouvidos. Mas em se falando tentativa do ritmo axé não acabar, e como se tentar não custa nada mesmo, melhor errar do que nada fazer.
E fechando nossa primeira análise do ritmo axé, parei para ouvir Ivete Sangalo, e confesso, fico tentando achar algum defeito, algo que possa criticar, falar mal, dizer que não esta legal, mas não encontro. Essa menina consegue me surpreender sempre. Seja no jeito de cantar, interpretar, sei lá. O charme da voz é uma coisa hipnotizante. A mistura do grave com o rouco, com a quase sussurrante forma de falar a melodia, e um solfejar, que faz bem aos ouvidos, tudo encanta. Se o leitor não ouviu, sugiro um tempo para ouvir “No Brilho Desse Olhar”. Você pode ate não gostar da música, o que acho difícil, mas vai ter a mesma sensação de surpresa que tive com a delicadeza, e ao mesmo tempo imponência, que Ivete Sangalo e sua voz remetem.
Bem, em breve falo mais do axé, e venho com os outros não menos importantes ritmos da Bahia, que vão fazer a cabeça dos baianos e turistas que passarão por essas terras até o carnaval.
Fui!
Luis Ganem
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