Quando o positivo deu no negativo

Acho que de tanto ouvir tocar em shopping, elevador, presépio vendido por chinês na rua, e até - pasmem! - vendedor de cafezinho (risos!), tomei verdadeiro pavor de "Então é Natal". Mas o pior é que tem uma regra que sempre acontece comigo: é só não gostar da música, pra ouvi-la o tempo todo, em tudo que é lugar (risos!).
Mas, enfim, seguindo a canção, resolvi fazer a minha retrospectiva e dizer um pouco do que vi de bom e ruim nesse ano que passou no meio musical e artístico baiano. A começar dizendo que de bom até agora, alguns poucos fatos significantes aconteceram, e, faltando alguns dias para o ano acabar, acho que nada mais de bom vai acontecer. E de ruim, por incrível que pareça, tem é muita coisa, então vamos lá.
Partindo primeiro para o lado bom da coisa, e dos fatos positivos que anotei para comentar, quatro foram interessantes aos meus olhos. Primeiro, finalmente o reconhecimento do pessoal do Axé (enquanto movimento musical) de que o pagode chegou para ficar, e que os eventos feitos pelas produtoras de pagode, seja do formato a grade, são hoje a grande “galinha dos ovos de ouro do mercado, claro com algumas ressalvas, como em todo e qualquer negócio.
De outra, o ressurgimento de um ritmo que muitos achavam que estava enterrado, que é o arrocha, pela voz dos seus três mais importantes expoentes: O cantor Pablo, a cantora Nara Costa e o cantor Silvano Sales, que conseguiram com a reformulação feita nos arranjos, repertório e concepção de seus shows, aliado a uma volta a moda do estilo romântico, uma ascensão meteórica nas camadas mais populares, fazendo com que o ritmo voltasse de forma impressionante, e aquecendo o mercado de shows no interior do Estado também para esse estilo.
Como terceiro fato e não menos importante, a renovação que está aos poucos acontecendo no ritmo do axé. Claro que alguns “abutres” que rondam o meio semeando a discórdia e sempre pensando no atraso da vida alheia - e sempre tem essa figuras - vão dizer que essa renovação não esta existindo, mas a prova mais concreta disso foi a chegada de alguns aspirantes ao sucesso, como os meninos do oito7nove4 que me surpreenderam, e também a banda filhos de Jorge que mesmo sendo nova no mercado tem a experiência e o talento de uma moça doce e meiga chamada Marta que tem uma voz, que nada deixa a desejar a nenhuma grande cantora da MPB
E por findar das coisas positivas, o novo momento da composição baiana, que trouxe para o mercado na voz do cantor tomate, duas composições que sinceramente voltaram a possibilitar outros caminhos que não o trivial para as músicas do ritmo axé. Estou falando pra quem não sabe de duas músicas da nova safra: “eu te amo porra” e “disco de Raul” do compositor Atila Lima que fizeram pra mim a diferença em 2011. Somente para constar, Atila atua neste mercado a muito tempo, e sempre teve essa veia de fazer o diferente, o novo em suas composições. Mesmo sabendo que o nosso mercado musical é por natureza tradicionalista, e que pouco ousa em suas canções, o cara conseguiu trazer de volta o tempero, que sempre deu gosto ao axé e que estava perdido.
E chegando as coisas ruins...bom, as coisas ruins eu deixo pra falar na próxima coluna no ano que vem, por que no natal e ano novo, falar dos “sem noção” da música baiana nem vale a pena.
Oh, oh, oh! Feliz natal pra todo mundo!
Luis Ganem
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