Eu conheço um Zé Problema
Nas conversas que sempre tenho com a galera do meio artístico, eu acabo sabendo é de coisa. Seja boa ou ruim, é encontrar com o povo do meio e a fofoca rola solta. Não que o mote desses encontros sejam para isso, até porque quando acontecem, são esporádicos e casuais, pois sempre se fazem nos fundos de palcos da vida.
Lógico que essa parte das “histórias” do meio artístico não me pertencem, mas, vez ou outra, chegam para mim também. Pois bem, na mais recente conversa que participei em uma roda dessas, o tópico campeão foi o do chamado: “Zé Problema” (risos!). Isso mesmo, em paródia jingle do prefeito da cidade do Salvador, João Henrique Carneiro, que dizia: “todo mundo tem um João”. Posso dizer que em cada banda, produtora, evento, festa ou qualquer carniça que se faça, existe um “Zé Problema” também.
Pode parar e pensar, é fato. Na sua produtora, banda, empresa, agora mesmo, tem um cara que reclama de tudo, que coloca tudo que ele faz como de mais importante, esquecendo que existem pessoas com mais experiência que ele e, portanto, mais capazes do que o dito Zé.
Em banda mesmo, é batata. Sempre tem um mané que contesta tudo que se faz. Desde uma mesa de som até o repertório do show, o sem-noção do “Zé Problema” está lá para dizer que ele conhece, e que a experiência dele está sendo pouco usada, e que ali ele está para compor, mesmo não sendo dele a responsabilidade pela área. O Zé sempre acha que sabe mais que todo mundo.
Em um produtora então, tenha medo de quem tiver um sem-noção desse no seu quadro. Vai fazer um evento, o cara em não sendo chamado para uma reunião, começa a dizer pelos corredores da empresa que o evento não vai dar certo, que a data não bate com o dia de recebimento de salário de quem vai comprar, que a galera não vai porque a grade é ruim ou que é época de chuva e que vai ser um dilúvio o fim de semana todo, isso tudo porque o cara não participou de uma reunião.
E nas missões que são dadas a ele, tenha medo, porque nunca estão à altura. Pode ser a melhor missão do mundo, mas o “Zé Problema” diz logo que isso é coisa para amador, que ele é profissional, que faz e acontece. Agora, imagine você ter que conviver diariamente com um cara desses enchendo seu saco, tirando sua paciência, para fazer o que ele acha correto.
O pior de tudo é que quando você manda o “filho do pé cascudo” (risos!) fazer algo que ele achava ser pertinente à pessoa dele, ele vai, vai e faz tudo errado (risos!), e ainda bota a culpa nas outras pessoas, óbvio. Isso porque ele nunca erra.
Sempre que faço uma coluna lembrando de alguns dos “malditos” que habitam a música e o meio artístico da Bahia, as pessoas vem me perguntar se estou fazendo uma descrição pessoal (risos!), ao que respondo que não. Ao menos nesse ponto nunca fui um “Zé Problema”.
Agora, na boa, em tendo que preferir ser, ou deixar de ser algo ou alguma coisa, preferia em muito ser um “problema“ do que "desmemoriado". Creio ser bem menos pior ser cricri, do que ter “memória curta” e cuspir no prato que comeu um dia, o que é (pode ter certeza) pra mim, o fim da picada.
Luis Ganem
[email protected] / twitter: @luis_ganem
