Pesquisa? Tenha medo!
Caramba! Desta vez, confesso que fiquei meio preocupado com a pesquisa que estão comentando e que foi feita por um grande jornal de Salvador falando da música da Bahia. Mas um momento: estou preocupado não com a pesquisa em si porque, sinceramente, acredito e muito na música feita por essas terras. Estou preocupado mesmo é em saber quais foram os dezesseis bairros pesquisados [risos!], que fizeram os cientistas chegarem a tão importante conclusão, da derrocada dos ritmos baianos, para outros ritmos.
Até porque, diga-se de passagem, desde que me entendo por gente, sempre vem uma pesquisa interna que coloca a nossa música como sendo a pior ou a menos preferida, vindo de todas as outras na frente. Sinceramente, foi um tal e-mail de leitores perguntando sobre o que achava da pesquisa, foi gente do meio artístico preocupada e perguntando como isso poderia afetar os nossos artistas, Amigo! Foi tanta conversa, mas tanta conversa, que chegou até a... encher o saco [risos].
E não querendo desmerecer a pesquisa, ou quem a encomendou, ou a fez, mas alguém poderia me dizer o método usado? Gostaria imensamente de saber. Não que vá fazer diferença, mas a experiência do passado não muito distante [risos!] me credibiliza em ter algumas dúvidas quanto à pesquisa.
E pra que fique bem claro, não estou aqui fazendo defesa cega da música baiana, não. Apenas pelas minhas observações atuais, não é esse bem o quadro que vejo quando se fala em comparar estilos musicais. Inclusive, se fosse assim como está sendo colocado, as micaretas Brasil afora estariam todas em baixa, mas volto a dizer: não é bem isso que acontece.
Agora, se alguém aí quiser dizer que precisamos rever algo na forma com que está sendo conduzida nossa imagem lá fora, principalmente pelos nossos dois mais importantes ritmos, no caso, o axé e o pagode, aí eu concordo. Senão, pare pra ver: com o Axé, está claro que o mesmo deixou de atuar em Salvador, que ficou elitizado, que perdeu espaço no gueto e com o povão, ou ainda essa história jurássica que vai renovar, que vai vir gente nova e nunca renova, aí sim poderia dizer que deveríamos ficar preocupados.
E com o novo pagode, ao que parece, um fantasma do passado está começando a se repetir. Creio que ainda não com a mesma proporção, mas algumas notícias que chegam de fora deixam claro que, se ficarmos de braços cruzados, seremos discriminados como fomos em um passado remoto.
Eu explico: no começo dos anos 90, no princípio da Axé Music, pagamos um alto preço pela falta de modo de algumas bandas baianas. As notícias que chegavam de fora eram de envergonhar. De roubo em hotel com banda em delegacia, até confusão dentro de avião. O sucesso da nova música da Bahia virou, em certos casos, uma vergonha total. Ficamos rotulados no mercado, por um bom período, e foi difícil desfazer essa imagem.
Agora, uma pesquisa fazer a diferença ao ponto de se ficar preocupado? Nesses dois casos que citei, aí sim, temos com o que nos preocupar. No mais, pode vir Sertanejo, Bossa Nova, Calypso e qualquer outro ritmo que exista que estaremos de braços abertos e com o sorriso no rosto. Essa coisa de dizer que nossos ritmos estão em baixa no mercado não colou, não colou mesmo.
E tenho dito.
Luis Ganem
[email protected] / twitter: @luis_ganem
