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Eu sabia que um dia isso ia acontecer!

Por Luis Ganem

Eu sabia que um dia isso ia acontecer!

Existe uma frase pronta no meio artístico que creio eu, nunca se pode falar que não vai se dizer um dia que é o tal do: eu sabia que um dia isso ia acontecer. Louco é aquele que independente de achar que tudo neste meio é reto e sem desdobramentos repentinos, fale com certeza que essa frase não esta guardada no seu caderno de frases prontas.

 

Pois agora eu que á muito tempo não faço parte dos que não diriam a frase vou proferi-la: eu sabia que isso um dia isso ia acontecer (risos!). Pra quem não entendeu nada do que estou dizendo, vou explicar. Há um bom tempo que venho ouvindo de forma isolada e implícita do pessoal de radio, um certo descontentamento com o tratamento que recebem do mercado musical baiano, mas precisamente da turma do Axé – hoje vejo o axé como um dos ritmos da musica baiana a exemplo do pagode, arrocha e não ritmo único – no que diz respeito ao verão.

 

Neste caso em questão, não posso afirmar se a queixa é por todo ou apenas uma parte da comunidade do ritmo Axé, mas, dizem os queixosos, que, a parceria que antes era total, de um tempo pra cá tem deixado a contento. Lógico que sei que quando se mexe no bolso, todo mundo reclama (risos!). Mas o descontentamento que percebi de forma mais concisa por estes dias, não passa na minha opinião, somente por uma questão financeira.

 

O sentimento manifestado em alguns desabafos que ouvi, remetem a um quê de decepção pelo forma com que os investimentos de mídia tem sido feitos principalmente no verão.Eu explico: a queixa está no quesito parceria. Ao que parece a “tabelinha” que durante os anos em que o Axé ainda estava se consolidando funcionava o ano todo, só estaria funcionando agora na baixa estação, ficando o pessoal do rádio preterido a um pequeno pedaço da publicidade na divulgação de festas de verão, perdendo essa fatia maior do bolo, para a mídia outdoor.

 

Pelo que entendi, esse “descontentamento radiofônico” não estaria somente na esfera da Bahia. Ao que parece, teria atingido também algumas praças importantes de eventos em outros Estados que inclusive estariam fechando parcerias com outros ritmos baianos a exemplo do pagode e do arrocha, mais harmoniosas do que essas feitas ultimamente com a galera do Axé.

 

E digo mais, alguns desses parceiros de fora estariam inclusive, dispostos a não mais fomentar o ritmo Axé e suas estrelas em suas regiões, o que pra nossa música seria péssimo. Claro que junto a um barco de queixas vem sempre o exagero. Não acredito, ou pelo menos não vejo em principio que isso esteja sendo feito de forma proposital, pelos empresários do ritmo. Devo tentar entender, que se um fato como esse acontece, é por que alguma vantagem se esta tendo em usar de forma incisiva, outro tipo de mídia, que não o rádio.

 

Por hora, o que mais me preocupa, é saber que uma queixa que pode ser parte um choro sem lagrima (risos!), tome rumo para fora das nossas fronteiras, e se torne em um futuro próximo, uma triste realidade.

 

E como eu já tinha dito antes : eu sabia que um dia isso ia acontecer (risos!)

 

Luis Ganem

[email protected] / twitter @luis_ganem