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Coluna

NÃO ME VENHAM COM A PROBLEMÁTICA QUE EU QUERO Á SOLUCIONÁTICA

 

 

 

 

 

Desde antes dos festejos de São João que já vinha pensando em falar mais uma vez sobre a questão da criação de um novo circuito para o carnaval. Mas, por conta dos festejos juninos segurei um pouco esse assunto, até pela importância que penso ele tem.

Mas ai São João já foi embora deixando para trás a fogueira e as bombas (não necessariamente nesta ordem) e eis que novamente essa historia de novo circuito volta a tona com um fator novo: uma lei aprovada pela câmara criando ao que tudo indica, um novo espaço para momo já em 2012.

Olha se tem uma coisa que realmente não consigo compreender é como se deu essa criação, e se a mesma pode ou deve ser chamada realmente de novo circuito. Digo isso pelo fato de que se criar um novo circuito ser uma coisa muito mais complexa do que somente os vereadores aprovarem no papel.

Algumas perguntas sobre este fato e algumas duvidas surgiram na minha cabeça desde que soube a respeito desta nova proposta para o carnaval. Já é de todos sabido que fora do circuito oficial do carnaval existe até como forma de desafogar o fluxo de pessoas na área da folia: o carnaval dos bairros.

E ai vem o município com esta nova lei deixando tudo que vier a ser feito neste novo espaço na base do “pirlimpimpim” (palavra mágica usada na serie de televisão: Sitio do Pica-pau Amarelo). Por que é o seguinte: não ouvi até o momento nenhuma manifestação do Governo do Estado a respeito desta nova lei municipal.

Não que o Governo tenha ingerência nas ações do município, mas porque caso não saibam, as ações de logística da festa na área do circuito são de responsabilidade do Estado e o mesmo ao que entendo precisaria estar a par e favorável a este novo circuito até por conta do acréscimo de gastos no orçamento.

Só pra entender: sendo realmente o bairro da Liberdade colocado a condição de novo circuito, a primeira pergunta que faria era de onde os policiais que vão trabalhar nesta nova área virão? Diminuir a quantidade do efetivo na áreas existentes, acredito não seja viável. Trazer mais homens do interior do Estado creio que também esteja fora de questão.

A de se lembrar que o efetivo da policia baiana como um todo, está na casa de 40 mil policiais. E mais ou menos 22 mil deles são usados na festa, ficando a outra parte responsável por tomar contar de mais 416 municípios, parou pra pensar?

Fora esse “Plus” a mais do efetivo, existem ainda os gastos com alimentação, diária, alojamento e etc.. e tudo mais que já se usa pra montar uma estrutura de apoio ao efetivo e que sofreria um acréscimo de alguns milhões, isso em se falando apenas da Segurança Pública.

Não sou contra a criação de um novo circuito, nem que o seja no bairro da Liberdade. Mas criar uma lei e ao invés dela se tornar um bem, virar mais um problema para o carnaval de Salvador, ai sim sou contra.

Alguém saberia me dizer o que o conselho do carnaval tem a fala sobre isso? E a Saltur tem alguma opinião formada? Ou poderiam me falar ainda se existe algum estudo de impacto no aumento do custos do carnaval caso essa lei seja real e comece a vigorar ano que vem?

Olha, continuo dizendo que pra se criar uma lei que aumenta o custo do carnaval e a sua logística de operação tem que ser um coisa muito bem planejada, com uma discussão em que todos os envolvidos e interessados debatam até a exaustão se preciso for.

Por isso como diria Dadá Maravilha com uma adaptação minha (risos!): “Não me venham com a problemática que eu quero é a solucionática.”

 

 

Luis Ganem

 

[email protected] / twitter @luis_ganem