SÃO JOÃO NA 'MACIOTA'
Como o tempo passa rápido. Outro dia mesmo era fim de ano e carnaval e agora só está faltando um mês para o São João. E por falar em São João, já repararam como mudou com o passar dos anos?
Não de agora, mas de muito tempo, o formato da festa junina vem de forma contínua e lenta se modificando. Creio que desde a música “meu vaqueiro, meu peão” lá em meados dos anos 90 da banda Mastruz com Leite, que a modificação do forró começou a acontecer.
Eu explico: naquela época, o que acontecia no interior era a mais pura e limpa manifestação de bandas chamadas “pé-de-serra” que tinham na sua formatação a ideia original de Luiz Gonzaga.
Fora isso, só havia de interessante como manifestação de música do Nordeste ou forró (na minha opinião) os artistas que cantavam duplo sentido como Sandro Becker, Marinês e Sua Gente e, na minha concepção, o mais popular, Genival Lacerda.
Sim amigo, está pensando que essa história de música de duplo sentido começou agora com o pagode? Negativo. Lá atrás com o forró já se cantava de forma maliciosa (bem menos explícita do que hoje) mas com a mesma aceitação popular.
Lembro que Genival cantava músicas massas como a da “mulher da cocada” que dizia assim: "Dona Zefinha faz cocada pra vender / De hora em hora sai de lá um tabuleiro / Passa a noite sentada num tamborete / Raspando coco e joga as quengas no terreiro / Na casa dela tá assim de quenga, tá assim de quenga, até em cima do fogão" (risos!).
Mas olha, por mais incrível que possa parecer o turismo no São João para as cidades menores que fazem festas tradicionais, está voltando à moda. O que diga-se de passagem é de um todo louvado. Nada contra essa vertente moderna de se fazer do São João uma quase micareta em que se troca a fogueira e as barracas típicas por um grande palco com atrações nacionais. Mas que uma cidade pequena com uma clima mais típico hoje está cada vez mais interessante, isso está.
Eu mesmo, esse ano, não quero conta com grandes festas. Não que esteja ficando velho, apenas simpatizo com essa nova visão de turismo junino mais bucólico em detrimento ao moderno e atual. Só em conseguir chegar na cidade sem pegar engarafamento e poder curtir a festa, sem sobresaltos, já está lindo.
Só fico triste porque sei que este ano não levarei meu carro com subwoofer pesado, nem poderei levar o whisky para encontrar com Riquelme e Xandinho, do Aviões do Forró, que sempre levam as “muier” para a festa (risos!).
Mas, indiferente ao meu destino, se você leitor tiver algum lugar que queira sugerir pra eu ir curtir meu São João, escreva para mim pois, se der, apareço por lá para a gente "comer água".
Luis Ganem
[email protected] / Twitter @luis_ganem