UM GÊNIO INDOMADO


Meu texto hoje seria por lógica uma crônica reduzida do troféu Dodô e Osmar. Mas resolvi mudar e não poderia ser de outra forma pra contar um pouco da historia de um dos maiores produtores artísticos e musicais que a Bahia já teve.
Manolo Pousada foi o cara mais casca dura que conheci. Sujeito difícil diga-se de passagem. De temperamento forte tinha uma forma dura e cética de lidar com as coisas e as pessoas. Sempre com mil ideias na cabeça “nariga” um dos muitos apelidos que tinha criou de forma inusitada no final da década de oitenta junto com Cristóvão Rodrigues o modelo de musica baiana que ate hoje inunda o mercado.
Já disse isso aqui mas não custa repetir. As rádios da Bahia em meados da década de oitenta só tocavam musicas de fora. As gravadoras entupiam a programação com tudo que viesse de fora sendo lixo ou não. impedindo de forma indireta que os valores locais tivessem vez na programação das rádios. E Manolo e Cristovão mudaram isso e o resto todo mundo já sabe.
Mas não vou aqui falar como se Manolo tivesse sido um santo não. tinha seus defeitos sim, e como tinha. Pense em um cara marrento, que dizia tudo na cara sem pestanejar. Que não tinha papas na língua pra quem quer que fosse. Dava um boi para não entrar em uma disputa, mas uma boiada pra não sair.
Um dos fatos que sempre me vem a memoria entre muitos é uma historia da época que ele produziu junto com Jorginho Sampaio Daniela Mercury e tinha como parceiro de shows o Empresário Manoel Poladian. Já no final da parceria estavam Manolo, Poladian e Jorge Sampaio no aeroporto resolvendo problemas técnicos ($$$) quando Manolo já sem saco para o baratino (termo quase técnico para enrolação) que Poladian tentava dar neles chutou a pasta do cara na frente de todo mundo na porta de embarque do avião a ponto de Poladian ficar assustado e comentar com Jorginho com medo que o baiano era muito nervoso (risos!).
Eu mesmo já tive o dissabor de tomar uma dura de Manolo(risos!). Desta vez ele já tinha a Perto da Selva (melhor produtora da Bahia na década de noventa). Trabalhava nesta época eu e Cristovão com o reggaeman Sine Calmon. E tinha também uma cantora de forró que me pedia a toda hora pra cantar axé. Pois bem; fui eu levar a cantora pra ver se Manolo gostaria de parcerizar e criar um novo produto com ela. Cheguei na produtora eu e a sujeita umas sete da noite, esperei um tempo e quando já achava que não ia ser atendido me chega Manolo e sem pestanejar diz na lata: Não trabalho com de menor (risos!) e entrou de novo pelos corredores da empresa sem nem me dar tempo de tentar convence-lo a mudar de ideia (risos!) esse era o Manolão.
Como me disse um amigo: tendo sido ruim para algumas pessoas, como filho e irmão não se pode falar nada dele. Nunca trocou nenhum artista dos que fez ou ajudou a fazer (Daniela, Ivete, Tatau e etc...) pelo convívio da mãe a quem dava tudo e um pouco mais.
Nesta vida penso eu, ninguém vai ser 100% bom nem ruim. Em tendo metade das pessoas a seu favor a vida já foi boa. Até por que já diz a frase que se nem Jesus Cristo agradou a todos então...
Aos amigos dava tudo, aos inimigos também(risos!). como não gostava de nada que não fosse do seu jeito tenho certeza que foi descansar sob protestos. E pelo que eu conheço dele ficou olhando do lado de Deus pra todo mundo que estava triste com sua partida dando risada e dizendo: “olha pra isso, um bando de gente emotiva tudo chorando, tudo besta!” isso dando risada e já completando deve ter dito a Jesus Cristo que tinha umas ideias para mudar no céu e que eles precisavam conversar (risos!).
Vá com Deus Manolo, nariga, Manolão, Manolete, paz pra você. E só pra não esquecer como acabava seu programa diario na radio Itapoan nos anos oitenta, vou terminar minha coluna com a frase que ouvia todas as manhãs.
“me queiram bem por que não custa nada, aumento só de amor e carinho. Gatinhas um beijo, rapaziada aquele abraço, tchau bonitão"
Luis Ganem
[email protected] / twitter @Luis_ganem