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Coluna

CAMAROTE, O GRANDE VILÃO

 

 

 

 

 

 

Não adianta achar ruim, sempre vai existir queixa no Carnaval sobre alguma coisa. Pode ser um detalhe simples, como por exemplo o atraso do inicio dos desfiles dos blocos, principalmente na Barra ou coisas mais complexas, a exemplo do cheiro de xixi nos muros e vielas em torno do circuito.

 

Isso sem contar as queixas feitas contra os artistas que ou passam muito rápido, parecendo “foguete”, ou devagar demais, normalmente “o que o povo não quer ver”. E a Prefeitura teima em deixar andar bem devagarinho pra preencher o horário ou fazer sala, como diria minha vó. Mas se existe um vilão que em 2011 se tornou bicampeão, e pelo andar do trio elétrico (substituto da carruagem, risos!), vai ser campeão todos os anos em queixas é o tal do camarote.
 

Nossa mãe! Nunca vi um espaço ser tão odiado em tão pouco tempo como o camarote. E olha que estou falando de ódio, mesmo. Não somente daqueles que não freqüentam, mas principalmente os freqüentadores, seja no pago ou de convidados, também conhecidos como boca livre (risos!).

 

Todos os dois, o pago e o de convidados, são e estão ficando literalmente uma carniça. Atendimento ruim, gente saindo pelo ladrão, muitas vezes até brigando por comida. E calor! Muito calor. Uma coisa que está constatada  - e que é bom todo mundo que administra camarote tentar resolver - é o calor. Não estou falando de fazer nevar no espaço, não, mas ao menos fazer o convidado ou o pagante se sentir confortável. Nossa! Se manifeste, por favor, quem disser que não sentiu calor nos camarotes dispostos na avenida. Mas não era um calorzinho suportável ,não. Era calor brabo.

 

E olha, sem essa de acharem que eu estou falando isso só porque estou fora de forma – não posso falar gordo por que não é politicamente correto (risos!). Falo do calor porque senti e ouvi das pessoas na maioria dos camarotes que visitei.

 

O mais interessante em se falando dos camarotes é que, quando você chega nele, imagina que pelo número de grandes patrocinadores presentes e o possível valor ali investido, vai ter à sua disposição um conforto inigualável e compatível com o que está sendo às vistas. Ledo engano, amigo. Alguns camarotes estão aí somente para fazer fachada. Acredite, chega a ser piada de humor negro ver num camarote as pessoas em fila indiana, gente rica inclusive, que acredito normalmente não pegaria nem fila pra entrar em avião, ali se submetendo a uma espera demorada pra pegar um pedaço de pizza e sem reclamar. Porque, se o fizer, a “dona” é bem capaz de convidar o convidado a se retirar.

 

Soube por um convidado de um desses camarotes VIPs que a piada pronta contada no local “nobre” que ele frequentou no Carnaval era que o espaço era tão chique, mas tão chique, que não servia comida antes das 11 da noite para as pessoas não engordarem. E que o calor era mais ou menos imitando uma sauna e que fazia parte do kit para emagrecer.

 

Não vou nem entrar no mérito que tem acometido as rodas de conversa sobre a incidência dos camarotes sobre os blocos de carnaval. Mas em se falando em termo de bem estar e bom gosto, creio que apenas uns dois ou três se salvam. Os demais, sinceramente, que me perdoem, mas quem não tem competência não deveria se estabelecer.

 

Sendo eu você dono ou administrador de camarote de fachada, aproveitava a dica e tirava o seu time de campo.

 

A hora é essa. Estamos de olho!

 

Luis Ganem

[email protected] / twitter @luis_ganem