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Coluna

A QUEBRADEIRA VERDADEIRA

 

 

 

 

 

 

 

“Cinco horas da manhã você quer ligar para o boi, escolha as operadoras Claro, Vivo, Tim e Oi”. Minha semana que passou começou assim, ao ritmo da banda Black Style, vendo os ensaios deles em uma casa de shows de Salvador. Começou no que venho chamando de “festas em ritmo de pagode” (risos), que pra mim foi importante para poder entender as mais variantes formas de se tocar pagode, por mais incrível que isso possa parecer.

 

Começando pela Black, fui ver o que cada banda faz de diferente umas das outras, em termos de andamento e forma de tocar, independente dos que dizem que um pagode é tudo igual. E olha, uma coisa posso dizer: não é igual mesmo! Cada banda que fui ouvir toca da sua forma e jeito e com uma percussão diferente, diga-se de passagem.

 

A Black mesmo, como disse seu cantor e líder Robsão, faz um pagode/funk que é simplesmente a fusão de músicas que poderiam ser, na sua maioria tocadas, por artistas do funk carioca e são adaptadas para o nosso ritmo. Lógico que com uma pegada de percussão de pagode baiano com células da batida funk. Para emoldurar o que estou dizendo em algumas músicas ele solfeja ao invés de cantar. E acredite, irmão, faz uma diferença na suingueira absurda.

 

Já outro dia fui para o ensaio do Parangolé. Se percebe a diferença da forma de tocar mais ainda de uma banda para outra quando uma banda deixa de cantar apenas musicas de outras pra cantar as suas, como é o caso do Parango. Principalmente quando toca a musica que mais gosto, que é “Negro Lindo”. A essência da tocada é a mesma até porque é percussiva, mas o formato do Parangolé é menos denso. O andamento é mais pra frente um pouco. Ao menos percebi isso, o que não deixa de ser uma quebradeira de responsa.

 

E já alguns dias depois fui ver a banda Caldeirão. Cara, confesso que esperava menos do que vi. E por ironia do destino, foi por conta de um pequeno problema no microfone de Alisson (cantor da banda) que pude ver que os caras são profissionais.

 

Não sei se por experiências anteriores do cantor, que salvo engano trabalhou com Márcio Victor (cantor do Psirico), ou ser dele mesmo essa “pegada”, vi em muito a pegada do Psirico.  E falo isso sem desmerecer ninguém, que fique claro. Agora, uma coisa o pagode descobriu: quanto mais gente na percussão, melhor. Antigamente eram dois. Hoje, se vacilar, tem quatro somente pra ficar na “quebradeira”.

 

Falta ainda o Harmonia e o Psirico. Mas desses dois ao menos já tenho uma referencia anterior e fica menos complicado de entender o som dos caras. Posso dizer que, em nível de festa e forma de tocar, se engana muito quem pensa que o som da percussão é o mesmo. Pode ate ressonar da mesma forma, mas de antemão garanto que cada um usa seu brilho de forma diferente.

 

Da mesma forma que um dia foi dito que no Axé só ficariam os melhores, posso dizer a mesma coisa do Pagode. Independente do sucesso que se faça, se não houver um segundo momento, o produto fica apenas naquela música e acabou.  O público esta ficando cansado das mesmices e das cópias. E a galera do Pagode esta descobrindo que, pra fazer novidade, tem que ser bom e não apenas tocar percussão.

 

Desce até o chão!!

 

Luis Ganem

 

[email protected] / twitter @luis_ganem