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Coluna

ROBERTO CARLOS E EU, TANTAS EMOÇÕES

 

 

 

 

No fim de semana do Natal parei na frente da TV para ver o show do cantor Roberto Carlos nas areias de Copacabana, no Rio de Janeiro. Importante dizer essa observação, pois, antes de mais nada, se trata do ícone da música romântica brasileira e talvez o único a levar uma banda de orquestra para seu show e conseguir manter um especial na Rede Globo durante 35 anos.

 


Mais impressionante ainda é que nesse logo tempo que vejo os especiais de Roberto Carlos, o que sempre observei vendo os vídeos no You Tube dos primeiros especiais aos atuais é que sempre o Rei leva para o seu palco e canta as musicas de artistas que, se não estão estourados no mercado, certamente se tornam conhecidos com o seu impulso.

 


Não sou expert em Roberto Carlos - digo “expert” para poder dissecar sua vida de forma ampla, em minúcias -, mas enquanto expectador e fã, posso dizer que alguns momentos nesse tempo todo que acompanho Roberto foram marcantes pra mim.

 


Um deles foi a minha participação no esforço formado para trazê-lo à Bahia algum tempo depois da morte de sua esposa, Maria Rita. Havia, naquele momento, a ideia firme de que o Rei não voltaria mais a cantar e, se viesse, seria apenas para mais uma turnê de despedida de shows pelo país e nada mais.

 


E por isso a turnê daquele ano foi especial. Havia, lembro bem à época, uma comoção nacional para que Roberto não deixasse de cantar e não abandonasse o palco. Seu público se pronunciava o tempo todo, o que, acredito, contou muito além da própria Maria Rita, que em vida manifestava sempre a alegria e a emoção que tinha em vê-lo cantar. E talvez, disse talvez, essa lembrança junto com o tapelo do povo o tenham feito continuar a carreira.

 


Pois bem. O Rei veio e fez o abençoado show com tudo que tinha direito. Velhinhas chorando na frente do palco, chuva (pra variar, risos!), romarias vindas de todas as partes do Brasil, sósias pra tudo que é lado e jeito, gago cantando as musicas do Rei sem gaguejar (risos!), camelôs vendendo tudo quanto é tipo de souvenir, moçoilas solteiras e cheias de amor pra dar, a galera da pirataria e tudo mais que você imaginar que possa acontecer em um show de Roberto Carlos. Posso dizer que fora todos os problemas que vem junto com um show deste porte graças a Deus deu tudo certo no final.

 


E o outro momento que tenho como marcante foram as participações que os  artistas baianos do Axé ou não fizeram (e espero que nunca deixem de fazer) nos especiais do Rei. Participações mais que especiais, diga-se de passagem, em duetos emocionantes na acepção da palavra que quando vejo me enchem de orgulho.

 


Daniela Mercury, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ivete Sangalo, que cantou “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” (em uma cena na qual o Roberto chora ao final da canção em uma emoção, ao menos pra mim, poucas vezes vista) foram algumas estrelas da nossa música que fizeram essa dobradinha com gosto de dendê com o Rei
.

 

Mas é Maria Bethânia que realmente me chama a atenção entre os baianos ilustres. As participações dela nos especiais de Roberto são simplesmente únicas. Toda vez que revejo as músicas que ela cantou com Roberto Carlos é que observo a diferença entre cantores “eternos” e “passageiros”. Uma Bethânia e um Roberto no auge da venda de discos, concorrentes diretos pela liderança cantando juntos é impagável. Ainda bem que a tecnologia da informática nos favorece hoje em dia. Sugiro para quem tenha curiosidade procurar na internet o dueto de “Amiga” que vai se emocionar. Além do primoroso arranjo, que mesmo tendo quase 30 anos continua atual, ver ao mesmo tempo dois tipos diferentes de interpretações memoráveis e sendo uma delas de uma baiana e Maria Bethânia é demais.

 


Aproveito e deixo como sugestão para Roberto Carlos e sua galera que faça no ano que vem seu especial em Salvador e no Farol da Barra (risos!). Afinal, se nesses anos todos fora do citado eixo contribuímos tanto para abrilhantar os especiais dele com nossas estrelas, poderia ele agora nos recompensar com esse momento.

 

 

mora bicho !

 

 

Luis Ganem

[email protected] / twitter @luis_ganem