CARNATAL - UMA FESTA INDOOR

Esse final que semana que passou estive no Carnatal. Fui ver a festa e me tornei observador em dois formatos: como expectador dos nossos artistas e de como eles estão no cenário nacional, e como observador do chamado carnaval indoor.
Em falando dos nossos artistas, somente estando fora do nosso Estado para poder ter um noção real da do prestígio e admiração que quase todos eles gozam fora do seu quintal. Dá orgulho de ver como nossas estrelas são tratadas. É tanta manifestação de afeto das pessoas que chega a emocionar inclusive a pessoas como eu, um já calejado e experiente observador acostumado a ver artistas e ir em festas.
Agora realmente nossa galera bota pra lá. Tomate, Ivete Sangalo, Jammil, Parangolé – a quem digo que, pra mim, a música de trabalho deva ser “Negro Lindo”- e outros tantos que vi por lá arregaçaram no Carnatal. A galera canta e dança tudo, todas as musicas o povão sabe, das mais antigas às mais novas, todas são cantadas do começo ao fim. E olha, eu realmente fiquei impressionado com essa manifestação popular, mesmo sabendo que existe uma divulgação dos produtos baianos e que existem pessoas especializadas nisso como o multi-divulgador André Luís (André Bolinha ou Bolinha).
Mas dentro do meu plano de observação, confesso que os artistas se tornaram uma take secundário em relação a uma outra expectativa que fui ter: a de se vale a pena fazer um carnaval indoor em Salvador.
Isso mesmo! Há algum tempo que venho recebendo manifestações a respeito desta ideia que ronda o mercado em se privatizar uma parte do Carnaval de Salvador. Lógico que tenho pessoas dos dois lados da moeda se manifestando, os favoráveis e os contrários a essa idéia. E justamente indo à intitulada “maior micareta do Brasil’’ pensei que talvez pudesse tirar algumas dúvidas sobre esse porquês.
Logo de cara um fato salta ao olhos: o número de pessoas curtindo a festa é infinitamente menor do que o carnaval de Salvador. E mais, por conta disso a logística empregada se torna bem menor, o que facilita em muito a realização da festa. Tendo dito isso, fiquei pensando: se fizermos isso em Salvador, haveria uma limitação ou uma quantidade de ingressos fixos para as pessoas poderem ver as atrações ou haveria uma grande área que conseguisse agregar esse mundo de gente que vem para a Bahia? Caso isso fosse verdade, significa que após acabados os ingressos, aquelas tantas outras pessoas que não puderam ou não conseguiram comprar a entrada ficariam, em termos, impedidas de acompanhar seu artista no Carnaval?
O que eu vi em Natal e que não pode deixar de ser comentado é que eles são importantes no contexto, claro! Mas por serem apenas um braço da grande festa baiana se tornam, do seu jeito, um “esquente” para o que acontece em fevereiro/março em nossa cidade.
Olha, não consigo ver com bons olhos em principio a iniciativa sugerida de se fazer um “terceiro circuito ou circuito indoor” para o nosso carnaval. Até porque não consigo ver de que forma o povão, que é o principal responsável pelo sucesso que a festa se tornou, seria beneficiado.
Sempre serei entusiasta das iniciativas, das novas ideias, mas não contem com o meu pequeno apoio naquilo em que o povo, essa massa mais do que manipulada, não possa ser favorecida. Afinal, o nosso carnaval é cultuado nos quatros cantos do mundo como uma festa democrática e do povo, justamente pela possibilidade de se poder ver sem pagar seu artista preferido. Imagine se nem isso se puder ter mais.
E que venha o povo!
Luis Ganem
[email protected] / twitter @luis_ganem