A HORA É DE PAZ!

á mais ou menos um ano nesta coluna, falei sobre a questão do Conselho do Carnaval e suas atribuições em relação à folia momesca. Falei à época sobre uma discussão criada a respeito da mudança de rota do circuito Campo Grande que tinha sido colocada como forma de revitalizar a região e tinha sido rechaçada pelos diversos setores que compunham a festa.
Mas aí, em chegando o verão, ao invés de se fomentar a festa como um todo, e de todas as partes envolvidas se reunirem para resolver os caminhos que serão tomados para a folia, começa de novo a velha confusão sobre quem tem ingerência sobre a festa e quem não tem.
Agora aqui pra nós: acho que já passou da hora desse tipo de situação parar de acontecer. Até porque, se as atribuições de cada parte, sejam elas do Conselho do Carnaval, sejam elas da Prefeitura, estão estabelecidas por lei, pra que ficar se fazendo jogo de cena pra saber quem manda mais?
Não consigo entender a que isso leva. Se é sabido que o Conselho tem total legitimidade em relação à folia, e que o mesmo é ligado diretamente ao gabinete do prefeito, por que se fazer um furdunço desses quando tudo é muito obvio?
E poxa, o pior disso tudo é que enquanto as discussões ficam limitadas a quem vai ficar com o bônus da folia, em uma guerra de egos ninguém, repito ninguem para pra pensar que, mais uma vez, a imagem do nosso carnaval fica arranhada perante à imprensa nacional e internacional, aos patrocinadores da festa, aos turistas e como isso desabilita mais ainda nossa festa perante a opinião publica.
Olha, se servir como parâmetro, deveríamos olhar um pouco para como é feito o carnaval do Rio de Janeiro. Lá, diferentemente daqui, houve uma compreensão de que a festa ajudava a incrementar o turismo local e tudo em seu entorno. As autoridades cariocas entenderam que se estivessem em conformidade com as agremiações carnavalescas envolvidas na festa, seria bom para todos.
Diferentemente do que tem acontecido aqui nos últimos dois anos, no Rio não se sabe de confusões envolvendo entidades carnavalescas e o Munícipio e mais ainda entre orgãos Municipais. E olha, o foco do Rio de Janeiro quanto ao Carnaval tem sido tão grande que o Bahia Notícias mesmo noticiou em fevereiro deste ano que foi feita uma publicidade pelo Governo do Estado do Rio dizendo que lá não se fazia xixi na rua e dizendo ainda que pela primeira vez de forma oficial, o carnaval de rua tinha sido realizado. Ou seja se pra bom entendedor meia palavra basta: Estão de olho na nossa festa e nos dividendos que ela gera!.
Mesmo entendendo que esses desentendimentos são passageiros e que fazem parte do contexto, deveríamos todos nós, envolvidos direta ou indiretamente na “maior festa popular do planeta”, estarmos a essa altura pensando e estruturando nosso Carnaval sem brigas ou disse-me-disse. Se torna inadmissível entender que um pequeno ato impensado do hoje que deixa a comunidade do carnaval na expectativa do seu desfecho e que ainda tem pequenas e invisíveis consequências se torne um dia o grande ato responsável senão pelo fim do nosso carnaval, talvez pela diminuição do brilho e do interesse de um todo pela nossa festa em detrimento as outras praças, como por exemplo o Rio de Janeiro.
Espero que haja dos responsáveis oficiais do nosso Carnaval um entendimento para as questões até então pendentes. E que seja rápido que fique bem claro. Pra gente poder cair no reggae, na gandaia, na farra e em todo adjetivo de alegria que tiver na língua portuguesa.