VIVENDO DE MIGALHAS

Ha mais ou menos uma semana o musico, empresário e agitador cultural Carlinhos Brown falou em entrevista ao jornal Correio24h sobre a possibilidade de neste carnaval o seu Camarote andante não sair. Dizia o trecho importante da nota que ele era um artista caro e não aceitava mais migalhas.
Confesso que fiquei matutando sobre que migalhas ele estaria falando. Se seriam sobre as migalhas do seu camarote andante ter sido o ultimo a desfilar no dia, ou se pela falta de patrocínio por parte dos governantes ao seu camarote que o teria forçado a pagar do próprio bolso para poder desfilar.
Bem! Seja lá qual das duas possibilidades for a correta Brown só teve a oportunidade de se pronunciar na mídia pelo grande artista que é. Mas e se não fosse um Brown da vida que aproveitando a pergunta do um repórter mandou seu recado poderia ter um fato desse vindo a mídia? Dai que fiquei me perguntando - e os artistas que diferentemente de Brown não tem mais espaço para reclamar suas mazelas ou mandar seus recados como fazem?.
Sabemos todos nós que infelizmente o carnaval se tornou como o passar dos anos uma festa cara. diferente do que era no passado uma folia do povo, para o povo e feita pelo povo, hoje e a cada dia que passa para se montar uma estrutura ou pelo menos tentar se mostrar e ser visto no carnaval requer um nível de investimento cada vez maior.
E ai que vem a pergunta: como ajudar e quem ajuda esse artista pipoca? Quem fala por essa parcela artística que já não tem mais espaço na mídia para poder reclamar?. Fora os padrinhos de sempre como Ivete Sangalo e o próprio Brown entre outros poucos que abrem espaço real nos seus desfiles para essa galera fora isso os “excluídos” não tem uma voz ativa e respeitada que fale por eles.
Infelizmente a cultura no Brasil não permite que o passado seja lembrado ou cultuado sem um pouco de desdém. Desde as conversas mais amenas as mais serias a frase que mais se houve até com um pouco de ironia é que: “quem vive de passado é museu”.
Lógico que não estamos falando aqui em ajudar como um todo a todos que aparecem, até por que não haveria verba nem espaço para todo mundo. Mas reconhecer o grande artista de antes e dar a ele a oportunidade de poder continuar sua profissão é antes de mais nada dar dignidade.
Poderia citar aqui todos os grandes artistas que não conseguem mais ter espaço no carnaval mas vou tomar como exemplo vivo e ainda presente na memória a tristeza de um dos criadores do trio eletrico, seu Orlando Tapajós diga-se de passagem uma referência viva (talvez á única) da criação do carnaval da Bahia cultuado por dez entre dez artistas da música baiana que no carnaval de 2010 não pode levar a contento seu trio a rua nas comemorações dos 60 anos do carnaval e 55 anos do trio tapajós e que foi tratado com desdem pelas autoridades.
E amigo se seu Orlando que representa de forma concreta a historia do carnaval da Bahia foi tratado do jeito que foi, imagine um artista que já fez sucesso e hoje não é mais nada.
Fatos como esse que por mais que sejam pequenos - diriam alguns - diante da grandeza do carnaval, exprimem de forma concreta a falta de respeito a uma classe como um todo. Uma classe que precisa antes de mais nada se unir cada vez mais, se ajudar mais e se respeitar mais ainda. penso que perservar e respeitar a nossa historia e seus personagens fora uma obrigação é um dever pelo que essas pessoas fizeram para o carnaval.
E nunca esqueça que amanhã pode ser você o "excluido". Até por que amigo a vida realmente é uma roda gigante, acredite!
Luis Ganem
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