E VIVA O NORDESTE!
Estou nesse mercado artístico há mais de 20 anos. Conheço um pouco do mercado e vi, de certa forma, o seu começo e como isso se deu. A formula que hoje é usada no meio musical baiano foi lapidada durante esses mais de 25 anos que os ritmos que compõem a musica baiana (Axé, Samba/Pagode, Reggae e o Rock) têm na cena contemporânea da musica no Brasil. Nossa forma de atuar no mercado fonográfico e de venda de shows foi aperfeiçoada com os acertos e, por que não dizer, os erros que o pouco conhecimento de então permitia.
Mas nosso mercado não está mais sozinho. Não entendeu? Vou explicar: estive na gravação do DVD do Aviões do Forró no Parque de Exposições no evento “Todo Mundo Vai” e pude constatar um fato que ainda não tinha sido colocado de forma mais explícita. A Bahia hoje não é mais a única praça musical do Nordeste com ramificações no mercado nacional. Isso mesmo! Nosso mercado de musica hoje não está mais sozinho em se tratando de Nordeste no cenário da musica brasileira.
Vou explicar antes que os “críticos de plantão’ resolvam dizer que não descobri nada de novo. Sempre exportamos artistas para o Nordeste e o Brasil. Sempre fomos os fomentadores da música no cenário em se tratando de Norte/Nordeste. Os outros estados da região produziam novos valores, mas sempre de forma isolada, nunca em grande quantidade como no cenário baiano.
Tudo bem que o Carnaval ajuda e muito a divulgar essas novas cenas que aparecem na Bahia, mas nunca tivemos concorrência direta com outros estados do Nordeste. Mas isso mudou de alguns anos pra cá e estava estampado lá na festa do Aviões com os caras da A3 Entretenimento (leia-se André Camurça, Carlos Aristides, Isaías Duarte, ou “CD”, e Martônio)
Olha, falo isso porque até eu fiquei impressionado com a estrutura da A3, pois imaginava que a empresa era apenas mais uma produtora que tomava conta de uma banda e tinha seu nome citado nos CDs apenas como forma de divulgar. Mas não, os caras estão no mercado e fortes. Pra se ter uma idéia do peso dos caras no N/NE, três estados hoje estão sob o comando da A3: Piauí, Maranhão e Ceará, que é a casa da A3.
Pra se ter uma idéia do peso da produtora, além da banda Aviões do Forró, a A3 tem outros negócios no seu mailing comercial como o Forró dos Plays (já invadindo o mercado baiano) ou parcerias como com a banda baiana estourada no N/NE Chicabana, do empresário Antonio Ramos (Marcos Sabiá).
Os caras têm tanta força no mercado que, além das bandas, são donos de quatro casas de shows e duas rádios. Bom, se alguém disser que na Bahia também existem produtoras donas de casas de shows e de rádios vou concordar em parte. Até porque, existem, mas de forma fragmentada e não em uma única empresa, como no caso da A3.
Olha, não estou falando tudo isso para denegrir ou depreciar as nossas produtoras, muito pelo contrario. Falo isso com orgulho de saber que o Nordeste como um todo está crescendo e com isso ganhamos todos. Inclusive nossas bandas, que terão mais campo para se expandir.
Sabe qual a conclusão que cheguei disso? O mercado empresarial e fonográfico nordestino deixou de ser um gota no oceano artístico pra ser tornar uma grande e longa “onda surfável”.
E aí, amigo, em tendo você um bom produto, comece a remar, porque se o mar não está pra peixe a praia ao menos está dando onda, sacou?
Luis Ganem
[email protected] // Twitter: @luis_ganem