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Coluna

AXÉ FUSION


 
 

Olha, realmente vivemos em uma terra abençoada. De tantos valores das mais distintas performances. São tantos artistas com tantos atributos, tantas qualidades, que é nessa hora que se percebe como a passagem para o sucesso é estreita e apertada. Mas, particularmente por esse dias, um deles em especial chamou a minha atenção: Adelmo Casé.

 
Sim! Taí um desses artistas diferenciados. O cara é de uma virtuosidade excepcional. Para quem somente conhece o cantor da Negra Cor e não tem idéia nem um pouco da versatilidade dele, posso dizer que Adelmo é um pouco mais que isso.

 
Só para lembrar ou contar um pouco da historia dele, Adelmo veio do mundo funk. De uma época em que o som funk invadiu o Brasil e também Salvador, o cara já labutava por aqui com a Banda Funk Machine. Aí, amigo, me permita um à parte: o som da Funk Machine era fabuloso. A essência “funk-soul music” que os caras colocavam nas músicas era realmente muito boa. Eu mesmo lembro que quando ouvi o som dos caras pela primeira vez pirei. Lembro que passei quase um mês só ouvindo a banda (risos) de tão leve e contagiante que era o som.

 
Pois esse som diferenciado de Adelmo Casé voltou a ressonar nos meus ouvidos por esses dias. Um trabalho dele chegado às minhas mãos me fez ver mais uma vez que produzimos muita musica e não somos limitados como querem nos rotular por aí.

 
Olha, confesso que, ao receber o trabalho, fiquei meio reticente em ouvir. Pra começar, era um ao vivo gravado na Barra, daí logo imaginei que seria um daqueles igual a todos que já ouvi, por que já imaginava que iria ouvi-lo cantando Axé, o que particularmente sempre achei que não se encaixava com o perfil musical dele (minha opinião).

 
Mas, movido pela curiosidade, resolvi ouvir. E pow!, tomei um murro no olho (risos). Olha, ouvi Axé, sendo muito bem claro, mas ouvi um axé misturado. Ouvi um axé fusion (risos), aquela coisa de tudo junto, mas não misturado. A coisa é tão bem-feita que você fica sem saber se vai ouvir um funk, um dance ou uma musica baiana. E aí acho que está o pulo do gato.

 
Quem ouve acaba entrando na onda da musica, do som, da voz de Adelmo Casé. Falem o que quiserem, mas quem ouve o cara entende que, independente do que ele canta, está ouvindo um verdadeiro artista. Lógico que em uma ou outra música nada acontece, de tão ruins que ela são. E, nesses momentos, mesmo sendo um artista diferenciado e esforçado, Adelmo não consegue muito, pois musica ruim é igual a comida salgada: ninguém aguenta ouvir ou comer mais do que um garfo (risos).

 
Olha, foi tão boa surpresa o ouvir o CD de Adelmo que até agora estou impressionado. Digo surpresa porque achei que seria o normal do Axé, com suas células musicais de começo, meio e fim. Mas não! O cara colocou pick-up com DJ, misturou instrumentos atípicos da musica baiana no seu som, como a gaita de boca, instrumento que ele domina muito bem. O cara é tão bom que faz de tudo um pouco canta, dança, toca varios instrumentos.

 
Ai fico eu aqui pensando: quantos Adelmos, Jaus, Tomates, Ivetes, estão aí Bahia afora esperando apenas uma chance de mostrar seu talento. Ainda bem que um Adelmo já está mostrando.

 
Por isso posso dizer: “se é pra jogar tudo para o alto pelo fato de cada estrela ter seu dia de brilhar”, vou gritar bem alto que “a mistura de sons, de ritmos, cores e crenças” é simplesmente Adelmo Casé.

 
Surpreendente!

 
Luis Ganem

 
[email protected] // @luis_ganem