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Coluna

UMA FRANCA VERDADE

 

 

Olha, tem um ditado que diz que quem observa uma situação de fora pode enxergar melhor do que quem está dentro dela, e isso estou realmente percebendo que é verdade. Fora uma vez ou outra que mesmo vendo a ação por esse outro angulo não consegui ter uma outra opinião diferente da estabelecida, normalmente consigo ver os detalhes que passam despercebidos de todos.


Por isso, um detalhe tem me saltado aos olhos há um bom tempo e agora, mais do que nunca, com a proximidade do verão, vejo que está cada estou mais convicto da minha certeza: existe um espaço aberto na constelação de estrelas da música baiana. É isso mesmo. Existe no mercado uma vaga aberta que até agora não foi preenchida.

 
Faz algum tempo que falo desta minha convicção de que o mercado estava aberto para uma grande banda com uma grande cantora. Há mais ou menos três anos  que essa possibilidade se abriu. E olha que surgiram varias bandas na tentativa de ocupar esse espaço deixado. Kondendê, que tinha Priscila Freire à frente da banda, fez parte desta tentativa. Mas mesmo sendo Priscilla uma excelente cantora que teria todos os requisitos para ocupar esse espaço, com o fim da banda perdeu sua chance.

 
Viviane Trípodi em carreira solo, a despeito das criticas, tinha também, sim, qualidades. Mas, como não conseguiu passar da tênue linha entre o sucesso e o lugar comum, perdeu também sua chance. A cantora Elaine Fernandes, que ainda hoje faz shows pelo Brasil, mas deixou de frequentar o mercado baiano, foi outra cantora que esteve perto desse sucesso. Mais recentemente, foi o caso de Maristela Muller, que no meu ver só precisava acertar na música de trabalho, coisa que ainda não conseguiu para chegar nesse sucesso. Tudo isso dentre outras artistas que também tentaram o sucesso, mas por um motivo ou outro falharam.

 
Mas indo direto ao ponto, se tem uma cantora que tem tudo pra tomar conta deste lugar, inclusive com todas as honras que a vaga merece, essa pessoa é a cantora Katê, da Banda Voadois. Não quero ser aqui indelicado com as outras cantoras ou mesmo com seu colega de palco e de banda, mas mereceria essa moça na minha visão uma atenção especial pelas qualidades que possui como intérprete.

 
Vejam bem, quando digo “tomar conta do lugar”, falo no sentido “banda” e não como “carreira solo”. Não entendeu? Eu explico. Há mais ou menos três anos, desde o fim da banda Babado Novo (na época com uma cantora à frente), o mercado não conseguiu produzir mais nada conseguisse ocupar esse espaço. Bom para Alline Rosa e sua Cheiro de Amor, que ficou sozinha reinando nesta linha de band leaders. E é aí que entra a figura de Katê.

 
Com um refinamento e carisma naturais pertinentes a uma estrela, alem de uma presença de palco que mesmo sem a profunda experiência que somente os anos de estrada podem produzir essa moça consegue encantar e fazer a diferença. Além disso penso que Katê tem alguns itens que compõem uma boa cantora: visual, carisma, a loucura positiva, uma sinceridade muitas vezes excessiva e uma voz que não deve nada a ninguém. Vejo nesta moça uma dona natural dessa vaga.

 
Sei que deve ser complicado para os que administram a carreira de uma banda - como no caso em questão a Voadois, com dois excelentes cantores - de uma hora pra outra ter que decidir um caminho a tomar que não seja levando os dois. Mas também sei que a diferença entre o sucesso e a mesmice está na coragem de arriscar.

 
Não estou aqui pra dizer o que deve ou não ser feito na carreira e vida de ninguém. Apenas falo o que vejo e, como disse no começo da coluna, talvez por estar de fora esteja vendo melhor do quem está dentro da situação. E aí, sendo muito franco, eu daria essa chance a essa moça. Está claro na cara que essa vaga já tem dona e ela é loira com um largo sorriso e grandes olhos castanhos.

 

Sendo eu você, me escutava (risos)

 

Luis Ganem

 

[email protected] // @luis_ganem