A SINDROME DA LAGARTIXA
É. Realmente as coisas mudaram muito em nosso mercado musical. Mesmo sendo um entusiasta e achando que o nosso mercado, diferentemente do que as pessoas pensam, não tem se retraído, vejo que apesar de tudo existe uma cautela invisível por parte dos produtores musicais.
E daí, na minha analise muito singular do mercado, não vejo sentido em, a uma altura dessas do campeonato, se estabelecer uma regra mais ou menos como “não se coloca o pé no freio, mas tira do acelerador”. Em alguns momentos, está parecendo até que todo mundo está esperando o primeiro romper a porteira pra todos virem (risos).
Eu explico! Olha, há muitos anos, há muitos mesmo, não vejo o mercado esperar tanto para colocar música nova no ar. Não que isso seja uma máxima, que essa regra tenha que ser cumprida, mas se estabeleceu de forma não-oficial o findar de julho e começo de agosto como data ideal para se colocar nas rádios as músicas que iriam fazer o verão. E isso até virava disputa.
Eu me lembro bem que havia uma corrida meio que implícita para se fazer logo a música de trabalho e se lançar logo. Naquela época, se entendia que quem saía na frente tinha mais possibilidades de ter sua música testada e aprovada ou não pelo ouvinte, dando tempo, caso rejeitada, de se trocar a canção. Essa regra era respeitada a ponto de haver uma pressão por parte do pessoal de rádio quando o empresário passava do tempo “certo” de colocar a novidade para tocar.
Ao que estou vendo até agora, as coisas mudaram um pouco. Não que todos estejam “atrasados” ou que seja preponderante colocar a música no tal do momento “certo”, até porque alguns artistas já cumpriram essa regra. Um exemplo é Tomate, que já vem com sua nova “Depois da Chuva” tocando há algum tempo e, ao que parece, não dá sinais que vá mudá-la.
Aí alguém pode perguntar: “por que até essa altura não se colocou nada novo no ar?”. Olha, alguns fatores são importantes pra definir isso, mas todos, claro, são apenas no campo do “achismo”. Mas pode ser que a mudança de hábito de festas - cada vez mais antecipadas, em quantidades maiores e cada vez mais baile (quando existem mais de duas bandas tocando), fazendo inclusive com que as músicas possam ser testadas antes de ir ao ar - tenha motivado esse atraso.
Ou ainda, na nova ótica do mercado em que um disco tem que ser aproveitado em mais da metade, e não como era feito antigamente, na qual apenas a faixa de lançamento do disco era aproveitada, ou seja ficando a faixa mais tempo no ar. Isso, consequentemente, atrasa a entrada de uma nova música. Pode ser também outro fator.
Quem sabe até mesmo pelo horário eleitoral estar em vigência e a grade musical perder tempo para a propaganda política no rádio. Isto pode fazer com que o empresário esteja esperando acabar a política para ter mais luzes sobre seu artista. Enfim, são tantas as hipóteses que cito apenas três do que pode ser muito mais.
O certo é que existe, pelo lado do rádio, uma expectativa sobre o que vem por aí, Até agora, pelo que entendi, nada foi mostrado pelo pessoal do Axé. A galera do pagode já saiu com algumas coisas. Mas um fato é certo: em estando o bolo confeitado do mercado cada vez mais fino, quem sair na frente vai ter seu espaço garantido no rádio e quem ficar pra depois com certeza vai ter que ter unha grande e partir para a síndrome da lagartixa.
Por que unha grande ou síndrome da lagartixa? Quem tiver unha maior, que segure na parede.(risos)
Já parei de roer unha. E você?
Luis Ganem
[email protected] // @luis_ganem