SEGURANÇA SEMPRE
Fico sempre impressionado quando vou a um evento de grande porte e vejo o tamanho da estrutura de aporte que é colocada à disposição da festa. Acredite, o nível de profissionalismo exigido em um evento hoje no mercado baiano faz com que se faça um evento dentro do evento. É tanta gente envolvida na logística de produção, são tantos pequenos problemas a se resolver no decorrer do evento e tanta gente para administrar que quem faz, acho eu, fica torcendo pra acabar logo (risos).
Nesta semana mesmo, estava conversando com alguns produtores de festa sobre a quantidade de pessoas que alguns eventos têm levado e perguntava a eles como a segurança - um dos itens essenciais para uma festa dar certo - estava sendo feita para garantir a integridade física do publico presente.
Entramos nesse assunto por conta de brigas e confusões que vira e mexe acontecem ao final ou no decorrer do evento e começamos a debater, entre outras coisas, sobre onde começa e termina a responsabilidade do produtor de eventos na festa.
Conheço alguns donos de empresas que fazem esse tipo de serviço em eventos de Salvador e sei que existe competência e responsabilidade nessas empresas. Até porque, como tenho dito sempre, em um mercado disputado e competitivo como está ficando o nosso, seja em que área for, somente sobreviverão os competentes e profissionais
Por se tratar de um nicho complicado, com o passar dos anos essa especialização acabou ficando a cargo das pessoas que tinham conhecimento na área de segurança, como, por exemplo, policiais. Não que sejam somente essas pessoas que façam o serviço que esse tipo de evento propõe, mas ao menos têm a expertise necessária que o assunto precisa para andar.
Salvo engano, essa historia de empresa de segurança na Bahia começou com a equipe Olho Vivo, que ficava à frente de uma boa parte dos eventos da cidade. Naquela época, ainda não havia essa história de empresa tomar conta de evento em clube. A segurança das festas era feita pela Policia Militar e pela segurança patrimonial dos clubes sociais. A polícia agia dentro do clube fazendo patrulhamento fardado e sem farda. Tipo no improviso, mesmo.
Lógico que havia então um respeito maior pelas instituições e o poder de polícia era respeitado. Mas por não ter a obrigação de agir de forma mais branda dentro dos eventos – que, volto a dizer, muitas vezes aconteciam em clubes sociais - e pela ação enérgica e necessária da Polícia dentro da festa, inclusive coibindo os mais exaltados nos “rigores da lei”, a sociedade e a imprensa da época começaram a argumentar e questionar o porquê da polícia ficar fazendo a segurança interna das festas particulares e, assim, lógico que falando a grosso modo, surgiu a segurança de eventos de festas em Salvador.
Mas daí pode vir a pergunta: o que isso tem a ver com a música? Tudo! A começar sempre por bater na tecla da importância da profissionalização do meio artístico. Desta maneira, não poderíamos deixar de falar também da segurança de eventos.
Sei que muito já foi feito em termos de avanço para se formatar o profissional de eventos. Inclusive com a melhoria dos valores empregados na contratação desse pessoal, que hoje já conta com alguns benefícios que antes não existiam ou nem eram pautados nas negociações entre os empresários de shows e os grupos do setor.
Antes de mais nada, devemos começar a entender que é da qualificação dessas pessoas que sairá nossa tranquilidade em freqüentar um grande evento. Pode até, em principio, parecer meio utópico querer que formalizações e padrões de atendimentos aconteçam da noite para o dia, mas se não dermos o primeiro passo, talvez fatos isolados que acontecem no fim das festas se tornem corriqueiros e repetitivos a ponto de se perder as rédeas da situação.
Luis Ganem
[email protected] / Twitter @luis_ganem