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Coluna

A ERA DOS SHOWMÍCIOS

Fui ao Salvador Fest ver o que estava acontecendo e se iria acontecer algo de novo na música da Bahia. Do swing de Léo Santana e seu Parangolé ao Chuá Chuá de Marcio Victor, passando pela irreverência de meu bróder Durval, mais de 100 mil pessoas prestigiaram o maior festa de camisa colorida do mundo e somente com bandas de primeiro time.

 

Bom que ainda iniciativas como as da rapaziada da Salvador Produções fazem com que o mercado artístico local e nacional, a contar pelo numero de atrações de fora, se movimente. Ainda bem, porque a guerra da venda de shows está começando a ficar igual ao mercado imobiliário, só faltando agora os produtores irem pra rua ficar nos sinais para entregar panfletos dizendo da vantagem do seu produto.

 

Mas aí me veio a lembrança de outros tempos, já que agora é tempo de campanha política: o tempo dos showmícios. Eita tempo bom, hein! Pra quem se lembra das boas épocas dos comícios, nas quais o dinheiro no meio musical circulava igual a água em torneira aberta. Show? Era todo dia, não faltava emprego para ninguém.

 

Naquele tempo, o mercado musical trabalhava no formato de quatro épocas importantes na agenda de qualquer empresário musical: o Réveillon, o Carnaval, o São João e as Eleições. Era um tal de contratar grandes atrações que chegava ao ponto de uma mesma banda ou artista tocar para mais de um candidato a governador ou prefeito em um mesmo dia. O mercado todo se aquecia.

 

Lembro que o pessoal de sonorização, meses antes das eleições, ia para o exterior ou para o Paraguai pra fazer compras de equipamentos e poder comportar a demanda que viria. Os compositores, aff! Era um tal de fita com jingle que iria levar o candidato a vitoria e uma tal de rima fácil que todo mundo achava que sabia fazer música.

 

 Bandas então, era uma festa. O que era criado de banda no ano eleitoral para poder suprir o mercado não estava no mapa. Era um tal de músico se juntar e criar o chamado “cacete armado”. Olha, era tanta fartura que se fazia trio elétrico só pra isso.

 

Mas aí veio a chamada Lei Eleitoral e tudo que era doce se acabou. Acabaram as festas, acabaram as bandas, as fanfarras. Até o tocador de corneta foi proibido (risos). Enfim, o mercado artístico, que era movimentado e feliz com a política, ficou triste. Ficou tudo muito mecânico, muito reto.

 

Pena que os showmícios não possam mais voltar. Pena que algumas ações que se dizem e/ou se colocam como moralizadoras, só fizeram diminuir e enfraquecer o nosso mercado musical.

 

Grande época aquela...

 

Luis Ganem

 

[email protected]//twitter -@luis_ganem