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Coluna

OS VAMPIROS DO AXÉ – A SAGA- LÁ ELE!

Fui assistir a Eclipse (o filme). Cheguei no cinema desprovido de qualquer intenção mais profunda de analisar o filme, fui literalmente para curtir e estava pronto pra tudo, desde os gritos desesperados das meninas para uma rapaziada - que são os protagonistas e que insistem em ficar sem camisa a maior parte do tempo - até as cenas mais empolgantes quando os lobisomens e os vampiros saem na porrada. 

 

Me preparei pra tudo. Da pipoca sem manteiga e sem sal (praticamente integral) a água mineral e casaco de frio e lá fui eu ver a saga dos lobisomens e vampiros. Mas o que cargas d’água tem a ver o filme Eclipse com o que escrevo semanalmente pra vocês aqui? Rapazes e moças: os vampiros. Sim, os vampiros do filme são o que poderíamos dizer, na vida real, os vampiros do nosso meio artístico. 

 

Olha, não é tão difícil assim identificar esses seres do submundo caminhando em nossa órbita. Talvez (e sempre uso o talvez), identificar nossos personagens sugadores, seja em primeiro momento um pouco difícil pra você, normal, que nos seus anos de música nunca tenha que ter conversado ou sido solicitado por um ser vil e pernicioso como esse. Até porque, diferentemente do filme de Hollywood, os que rondam o meio artístico circulam e interagem também de dia, talvez de uma forma híbrida, uma mutação da forma vampiresca de ser. 

 

Mas o que fazem? Como se configuram essas figuras nefastas que atuam a todo tempo como lobos em pele de cordeiro? O método mais conhecido é a valorização do indivíduo enquanto profissional. Algumas pessoas que passaram por isso até hoje estão aterrorizadas. 

 

Os vampiros do Axé (poderíamos chamá-los assim) cercam a vitima a qual querem abater com gentilezas e cortesias dignas de filme. Em seu método de abate, ao serem escolhidos, esses pobres seres mortais, são atraídos ao covil do lobo, normalmente um escritório bonito no qual são tratados a pão-de-ló enquanto, de forma sorrateira, começam a ser sugados sem ao menos perceber. 

 

Primeiro eles te elogiam, dizem que sempre foram ou são fãs da sua capacidade, do seu profissionalismo, que no mercado ninguém conseguiu até hoje ser igual a você e que a oportunidade de tê-lo ali e, quem sabe, na equipe é sem duvida um momento único. 

 

Antes da mordida final, a vítima é convidada para almoços, jantares, viagens com os produtos ou o produto artístico que a empresa possui, ganha abada, convite VIP e tudo mais que possa deixar o ego do sujeito lá em cima. Daí, os vampiros começam a te perguntar sobre esse ou aquele assunto especifico que somente você, com os anos de know how e de estrada, o sabem de forma diferenciada e pimba!, foi mordido. 

 

Normalmente, profissionais desavisados são abatidos por esses seres, sugados até a ultima gota e descartados como bagaços de laranja na beira da estrada, sendo a partir dai menosprezados e escanteados sem saber em alguns casos o que foi que realmente aconteceu. 

 

Sempre bem falantes, pomposos e generosos, essas figuras são desprovidas de qualquer sentimento humano quando se trata de se apossar da idéia ou da capacidade alheia. O sucesso ou a continuidade de suas vidas depende e muito do aprendizado duas suas vitimas, por isso do vampiro do Axé não mede esforços no seu objetivo. 

 

Mas como para o mal sempre existirá, a força do bem, como praga divina, faz com que esses seres acabem normalmente voltando pra o seu habitat natural: as sombras. Por mais que tenham seus minutos de fama. 

 

Graças ao bom Deus, esses vampiros são minoria no meio artístico. O próprio mercado, quando identifica um desses sanguessugas, trata de aniquilar-los. Mas se agora, amigo, neste momento, ou em outro nestes dias que se sucedem, você estiver sendo chamado pra ir a escritório de artista a troco de tomar café ou apenas saberem o que você está fazendo ultimamente , siga meu conselho. Peça licença dizendo que vai ao banheiro e se mande que antes que seja tarde (risos). 

 

Lá ele... 

 

Luis Ganem 

[email protected] //twitter@luis_ganem