UMA MÚSICA DE "POBREMA"-SE LIGA ED!

Olha, estou chegando a uma certeza: nesse negocio de música, se você quiser criar polêmica para tentar voltar ao mercado, a melhor coisa a fazer é falar mal da musica baiana (Axé). Pelo menos é isso que está sendo provado quando artistas que já não fazem tanto sucesso assim param pra falar mal da nossa musica, como agora por exemplo o faz o cult (é como normalmente é chamado o cara que não consegue repetir o sucesso e, pra aparecer, se diz entendedor de tudo) cantor Ed Motta.
Bom, como já faz um tempo que Ed Motta fez algo que, no meu ponto de vista, possa ser considerado boa música, e também como talvez - e digo talvez - a nova geração não o conheça tão bem como eu e alguns da minha época, deixa eu falar um pouco dele.
Ed Motta, goste ele ou não (soube que não gosta), nasceu sob a tutela do seu tio - e ai sim um grande cantor -, o fenomenal e eterno Tim Maia. Ele teve por meio de Tim sua chance no mercado fonográfico com a banda Conexão Japeri, coisa que também ele nega. O que vindo de alguém que se acha melhor que os outros e que costuma ver com desdém ritmos que não estejam no seu dito “padrão” de qualidade, não é de se estranhar.
Pois o grande Ed – me permita chamá-lo assim – entrou no mercado enraizado no Soul/funk e disco, acho eu que nos idos de 1988 com a musica “Manuel”, o que foi a época um grande sucesso nacional, diga-se de passagem. Mas dai eu pergunto: por que o cara vem lá do Rio falar mal de um ritmo que não o afeta em nada?
Nunca um artista da Bahia parou pra falar meia frase mal do grande Ed ou dos ritmos que canta ou da sua carreira como um todo e o sujeito sai do santo descanso dele pra vir falar mal do ritmo dos outros? Se não gosta, direito seu, mas daí a dizer que é “problema”? Baseado em que? Na sua percepção musical acima das outras, deve ser.
Mas olha, eu até entendo o que Ed queria dizer com isso. Acredite, Ed, sou solidário à sua bronca. Afinal, foi o “problema” que invadiu o país com sua musica contagiante e alegre, e é o “problema” que gera, independente do que falem, emprego e renda onde suas festas acontecem e que talvez em algum momento tenha feito com que você tenha perdido espaço nos eventos. O que, sinceramente, eu lamento.
Mas como na vida tudo tem um plano B e ainda bem que independente da sua vida como produtor artístico ou cantor de musica sem “problema”, o amigo (também me permita o adjetivo) se tornou gourmet e sommelier, além de grande colecionador de revistas em quadrinhos. Isso é ótimo, porque assim eu fico mais tranquilo em saber que, independente do “problema” da Bahia ter chegado aos quatro cantos do Brasil, você não ficou desamparado.
O mais legal em saber que você tem essas outras vertentes é que, quem sabe um dia, eu dou um pulo aí no Rio e você pode até me convidar para ir comer algo em sua casa. E ainda levo pra completar sua estante alguns discos ou CDs de cantores de música “problema” como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Chiclete com Banana ou Carlinhos Brown, o “Carlito Marrom”, que já é um “problema internacional”. Do Chicletão, vou aproveitar e pedir ao meu amigo Bel Marques um vinho Chicleteiro Malbec pra você apreciar, já que é o amigo um sommelier de primeira.
Enquanto isso, acho melhor você não viajar pelo país pra não ficar chateado, pois em toda cidade tem “problema” tocando, seja em rádio ou em algum evento no fim de semana. E isso pode te deixar chateado.
Mas como meu espaço é curto, vou-me indo agora ouvindo minha amiga Ivete Sangalo, uma cantora, como diz ela mesmo, de “pobrema, pai”.
Luis Ganem
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