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Coluna

FUSÕES NO AXÉ

 

Meu amigo Ildázio Junior, radialista (Radio Transamérica), comentarista do BN, já vinha dizendo na sua coluna semanal da crise do axé e citou alguns exemplos pra dizer que a conta não fecha. Bem, indo um pouco mais fundo nesta situação, um fato eu tenho visto de um tempo pra cá com mais frequência no meio artístico: as fusões ou parcerias de agenda.

 

O que nada mais é do que a entrada de uma banda em ascensão ou já de sucesso e tendo como administradora da sua carreira uma pequena produtora, nas ditas grandes produtoras do mercado. Desde que esse mercado se criou, há vinte e cinco anos atrás, que de época em época uma empresa se torna a preferida do meio. Foi assim nos primórdios do Axé com a casa da música de Silvio Palmeira, que era o cara que comandava a musica naquela época. Passando pela DaJor (Daniela e Jorginho Sampaio), pela Perto da Selva (Manolo, Jorginho Sampaio e Edmundo Caruso) É o Tchan! (Cal Adan) NER (Ney, Eduardo, Ricardo Lelis), até chegar às mais novas, como a Pentaeventos (Maron e Lucas), Grupo Notável (Bruno e Rodrigo Melo, Alexandre Bogus) e Carreia Solo (Manuel Castro, Paulo Borges, Armando). Em algum momento, ou essas empresas foram ou são referencia nesse mercado.

 

Mas daí eu pergunto: se você começou a fazer sucesso, por que não continuar sozinho seu caminho? Por que é preciso com tanta urgência se filiar a uma estrutura maior? Será que essa mesma estrutura um dia não foi pequena? Infelizmente, o mercado se apequena quando novas e já rentáveis bandas se condicionam a isso. Talvez pela necessidade premente de vender shows e o receio de cair no esquecimento, penso eu, façam com que essas estruturas não acreditem no seu produto ou achem que a falta de conhecimento de um mercado maior não será suprida pelo amadurecimento coisa. O que eu, particularmente, não concordo.

 

Em raros casos, uma grande estrutura conseguiu alavancar no mercado mais de um produto. Talvez, falando de Axé, somente a produtora Perto da Selva, na década de 90, conseguiu ter em seu cast dois produtos de sucesso. Fora isso, ao que me lembre, e posso estar enganado, mais nenhuma outra foi capaz disso.

 

Mas aí pode vir a pergunta do porquê disso acontecer. Simples: é impossível “assoviar e chupar cana ao mesmo tempo” (risos). Ou a estrutura cuida de um produto ou cuida de outro. No comércio em geral, a segunda marca de uma mesma empresa, seja ela qual for, é sempre a de combate, que é a marca inferior oferecida como bônus pra se levar a mais cara.

 

Ate concordo que as vendas aumentem, a banda viaje mais e que nesse acordo a vantagem da banda se dê pelo aprofundamento do conhecimento do mercado pela abertura de portas que a produtora maior traz. Sei que no nosso meio esses acordos são comuns e feitos para beneficiar a todos, mas infelizmente em algum momento a balança acaba pendendo para um lado. Querer o sucesso fácil e rápido faz com que realmente nosso mercado se torne frágil e seus produtos descartáveis.

 

Existe uma forma de melhorar isso? Sim e as grandes bandas o fazem há mais de vinte anos: acreditar no seu potencial.

 

Meu nome é Luis Ganem

 

[email protected] / twitter- @luis_ganem