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Coluna

O COMEÇO DO PAGODE – MINHAS LEMBRANÇAS

Agora que o pagode está em alta, todo mundo se diz de algum jeito o dono da historia. Se bem que, vendo a história por vários ângulos, realmente existem vários donos. Seja o pessoal do Gera Samba, que depois se tornou É o Tchan, seja por alguns radialistas como Cristóvão Rodrigues, Josenel Barreto, entre outros, que começaram a colocar as musicas de pagode pra começar a tocar. Enfim, sendo por onde for, vou contar como foi essa história.

 

O que todo mundo se engana quando fala sobre o pagode da Bahia é sobre o primeiro sucesso deste segmento. Quem pensou É o Tchan! simplesmente errou. Lá pelo começo dos anos 90, mais ou menos entre 1992 e 1993, Cristovão Rodrigues estava à frente da Salvador FM como coordenador artístico. Naquela época, e já há algum tempo, vinha surgindo nos bairros periféricos de Salvador a onda do samba de roda que começava a chegar nas rádios. E com alguns sucessos locais.

 

Sempre antenado nas novidades que surgiam no mercado fonográfico e responsável maior naquele período por todo o sucesso do Axé Music, o Ratinho (apelido de Cristovão) teve mais uma vez uma sacada de mestre. Chegava às suas mãos um cd de uma banda desconhecida chamada Só de Onda. Assim como outras bandas que surgiam naquele momento, essa era mais uma que chegava às mãos de Cristovão com o pedido para tocar na rádio. Entre algumas musicas do CD, tinha uma chamada “Melô do Au Au!”. E aí veio a sacada!

 

O mercado fonográfico nacional estava começando a perder àquela altura o interesse por novidades vindas da Bahia. Só era contratado pelas gravadoras algo que gerasse expectativa de retorno, o que na maioria das vezes acontecia quando o produto local fazia os chamados “ensaios”. Mas isso em falando das bandas de Axé. De pagode, nada de interessante tinha sido até então fomentado a isso.

 

Como fazer isso dar, ao mesmo tempo, uma idéia de novo e um pacote vendável para o mercado? Simples vamos dar roupagem à banda. Senão à banda, ao menos às suas dançarinas. E assim foi feito. O produto foi vendido para a Sony Music, que tinha como diretor artístico Arnaldo Sacomani, o homem que colocou pela primeira vez uma banda de pagode no cenário artístico nacional.

 

O Só de Onda se apresentou naquele ano no recém-lançado Programa Livre, comandado por Serginho Groisman, e passava as tardes no SBT com suas dançarinas fantasiadas de cachorro dálmata. E foi o maior sucesso, sendo comentada no Brasil todo a historia da “Dança envolvente que vai dar o que falar/ A dança do cachorrinho que chegou para ficar/ Au au, au au au/ Eu quero é mais au au, au au au”. 

 

E o resto é historia...