FRITE O PEIXE OLHANDO PARA O GATO
Nosso carnaval sempre cria novidades que acabam se inserindo de vez no contexto da festa. Umas com louvor, outras nem tanto, mas no fim das contas assimilamos e fica quase que natural aos olhos. Ultimamente, tem surgido uma novidade que tem soado muito estranha aos ouvidos das pessoas envolvidas na festa momesca, que é a idéia do carnaval indoor.
É isso mesmo. Desde que o carnaval acabou que ouço nas rodas de bate-papo essa nova invenção, que talvez venha a ser o carnaval indoor dentro do Carnaval de Salvador. Nesses bate-papos acabo forçosamente sendo mediador das discussões. Mediador, diga-se de passagem, é força da palavra, porque sou um dos mais interessados nesse assunto.
Mas aí o leitor pode perguntar o porquê disso. Em que se motiva uma parte do meio empresarial artístico mais uma vez fomentar essa idéia. Olha, na maioria das rodas de conversa, um exemplo de sucesso é sempre unânime: a festa Axé Brasil.
Festa feita desde o ano de 1999
Mas não é só por isso que essa festa é importante. Ao menos pelo que eu entendi, é que com o seu formato em ambiente fechado a festa proporciona uma logística mais apurada com menos possibilidade de erros.
Eu explico tomando por base o Carnaval de Salvador. Ele tem diversas possibilidades de tempo e de tocada, o que significa que um show de bloco pode andar além do horário pré-estabelecido ou, a depender da atração e bloco à sua frente, se estender por horas a mais do tempo normal do trajeto. Agora, imagine um ambiente fechado e “controlado”, como é o carnaval indoor. Lá, as atrações se alternam num tempo previamente acordado e sem espaço para o que poderia chamar de “manifestações extras”, como, por exemplo, passar do tempo estabelecido ou parar para fazer xixi, ou ainda ficar meia hora na frente de um camarote de rede de televisão.
Não existindo essas variantes na festa, o horário de tocar se dá na escala de notoriedade da banda ou artista. Ou seja, quanto mais famoso o artista, mais perto do horário nobre se toca. Se bem que definir horário nobre em ambiente fechado em um evento feito na sexta e no sábado é meio complicado.
Mas daí pensar que existe espaço pra fazer isso em Salvador é difícil. Mesmo se formos levar em conta as micaretas fora de época que têm seu espaço pago há de se entender que festa indoor se faz, ao menos no meu ponto de vista, em lugares em que eventos de rua não atraiam tanta gente como em lugares fechados.
Os mais entusiastas dessa idéia dizem que o sucesso dela se daria pelo fato de, com apenas um ingresso ou passaporte, se veria seu artista preferido e outros boas bandas por um valor que seria bem menor que o cobrado pelos blocos. Só que, tomando por conta a quantidade de pessoas que passam pelo Carnaval de Salvador, penso que o povo, que é quem realmente curte o carnaval de graça, não teria interesse de frequentar esse tipo de espaço.
Pra vislumbrar isso, vou dar sou um exemplo: o espaço Wet n’ Wild foi criado em Salvador para se ter o lazer de varias piscinas com variados tipos de atrações aquáticas à disposição da população por apenas um preço. Conclusão: faliu.
Digo o que disse nas rodas de conversa do meio artístico. Hoje em dia, em tempos de vacas magras, o que tem de gente correndo atrás da tal de injeção na testa não está no mapa.
Se liguem!