ESSAS E OUTRAS HISTÓRIAS...
'Requebra', do Olodum, tinha sido no ano de 1994 considerada pelo troféu Dodô & Osmar a melhor música do carnaval daquele ano. Era o ano do Olodum, a banda estava em alta no mercado fonográfico e era também ano de copa do mundo de futebol. Eu, por conseguinte, estava junto com meu amigo Luciano Freitas (Via Circular), junto com mais três amigos: Julio Cotias, José Roberto Lisboa e Fernando Cardoso (que era grande idealizador e principal investidor do projeto), trabalhando no bloco Gula.
A grande novidade que o carnaval trazia naquele momento era o processo de transformação dos trios elétricos montados em carros trucados para os chamados trios carretas. Pois, bem! O bloco Gula-Gula, que era além de um bloco novo um bloco do circuito Barra – Ondina, quebrava naquele momento o estigma de que bloco pequeno ou novo não poderia ter um trio carreta e colocava na praça o seu trio gula que ficaria por um bom tempo sendo o trio mais potente do carnaval baiano e, quiçá, do Brasil.
Já era mês de julho e àquela altura a seleção de futebol jogava a copa e tinha passado bem pelos seus adversários. O time que naquele momento era patrocinado pela Brahma estava tão bem que o patrocinador resolveu fazer dois eventos imensos: um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.
Por uma dessas circunstâncias da vida o trio Gula foi contratado para esses dois eventos e teria a banda Pimenta N'ativa, de meu amigo Serginho (tem pimenta na área meu irmão!), como sua principal atração depois dos jogos. Enfim, pelo tamanho e dimensão do equipamento (trio gula), havia um receio de que fosse parado pela Polícia Rodoviária Federal na estrada alegando que poderia exigir um carro batedor para acompanhá-lo até o seu destino final. Por conta disso, fui eu o escolhido para ir de carro junto com o trio, da Bahia até o Rio de Janeiro.
Éramos seis no total; cinco em uma kombi: eu; Edílson irmão (competente técnico de som e responsável pela equipe do trio), que depois foi para Asa e está lá até hoje (abraços para Dudú); Flávio, que cuidava da luz do trio e era irmão de “Edilson irmão”; e mais dois auxiliares, além de Messias, o motorista do Trio.
A viagem teria que ser feita em apenas dois dias. Sairíamos na sexta pela manhã, pois o evento seria no terceiro dia logo após a final e teríamos que estar na praia de Botafogo ao meio dia antes do grande jogo. Nosso principal problema na estrada era que carros como aquele, mesmo estando no limite do tamanho, não poderiam viajar à noite, o que nos condicionava a rodar até pelo menos cinco e meia da tarde, horário que não poderíamos infringir de forma alguma para não sermos multados e proibidos de continuar a viagem.
Messias (pense em um cara rabugento e fofoqueiro, mas gente boa), motorista do trio, experiente, já tinha na cabeça o macete para levar o trio até o Rio em, no máximo, 60 horas. Passar entre um posto da PRF e outro sempre alguns minutos antes do prazo das cinco e meia, pois, sendo assim, teríamos ao menos uns duzentos quilômetros a frente depois do horário até o próximo posto. O que era lógico, perfeito, mas arriscado, pois poderia haver algum carro da polícia correndo o trecho.
Lembro que na primeira noite dormimos em Teófilo Otoni, e, ao partirmos pela manhã, tínhamos como meta chegar à cidade do Rio ainda na mesma noite, o que nos daria tranquilidade no dia seguinte. Mas não foi bem o que aconteceu e, com muita boa vontade, conseguimos chegar à serra de Petrópolis à noite e resolvemos que não iríamos adiante até a madrugada seguinte.
Dormi com cinco graus de temperatura e sem roupa de frio em um Motel na entrada da cidade. Dormi, na verdade, é exagero. Apenas fechei os olhos para tentar diminuir o frio e o cansaço, pois no outro dia teríamos que chegar ao destino dentro do acordo. Antes do horário determinado já tínhamos chegado e desfilávamos a caminho do local todos contentes com o potente trio na praia de Copacabana quando pimba! Batemos nos faroletes do semáforo que caiu em cima do trio. Verdade que fizemos ouvido de mercador e fingimos que não era com a gente, mas, para nosso azar, era domingo e havia várias patrulhas policiais na praia e, avisada pelos banhistas, fomos parados e levados para a delegacia. (risos)
Não lembro bem quem da equipe foi à delegacia, mas, depois de um tempo, um bom papo, com o clima de já ganhou e a promessa de se mandar algumas ‘Brahmas” para a galera da polícia (risos), fomos liberados. A Pimenta e Serginho fizeram um grande evento na praia e o Brasil naquela noite se tornou tetra campeão mundial, o que comemoramos também com muitas “numero 1”, é bem da verdade.
E ai viajamos para São Paulo...mas esta já é outra historia. (E continua...)