DIAS MELHORES

Toda vez que chega a data de aniversário, algumas reflexões são feitas a partir de coisas que você fez ou deixou de fazer. É normal nesses momentos que se repense amigos, pessoas especiais, os birros tomados, as rasteiras. Enfim, tudo que sua vida trouxe nos anos que se passaram.
Mas, diferentemente de outros anos, minha maior reflexão dessa vez está sendo em torno do que vi e vivi nesses 20 anos de Carnaval que acompanho. Sou do tempo em que, pra viajar para o interior para fazer show de ônibus fretado, só sendo banda grande. Salvo engano, foi a Águia Branca, que tinha um setor de aluguel de ônibus para turismo, a empresa de transporte que primeiro abriu as portas para que as bandas pudessem viajar de forma mais tranquila.
Alem dela, a viação São Luiz e a Itapemirim faziam nessa época o transporte das bandas. Se bem que, ao que lembro, a Águia Branca era a preferida da maioria das grandes. O Asa, mesmo, sempre viajava com ela. Lembro até que duas moças sempre atendiam o povo de banda: Rita e Ana Maria.
Naquele tempo - ao menos em parte da minha vida carnavalesca, é verdade - se usava mortalha, o que se por um lado era grande e calorenta, por outro ao menos você não tinha, sendo gordo, o problema de não caber nela - o que hoje não é meu caso (risos).
Se formos contar quanta coisa mudou de lá pra cá sem que nos déssemos conta, veremos que já foi feito muito. Olha, do tipo de equipamento de som usado no trio à própria concepção do mesmo, muita coisa foi aprimorada. Olha quanta revolução entrou no mercado e passou como um raio. Do Trio Espacial, que usou pela primeira vez a força hidráulica, ao Trio Carreta, da chegada de um segundo circuito aos camarotes, é tanta coisa que nossa! Fatos e pessoas também marcaram nosso carnaval e de alguma forma deixamos cair no esquecimento. O que é um absurdo, penso eu. De Beto Trípodi, com seu Tripodão um dos maiores carnavalescos que conheci. E ai preciso abrir um “à parte”
Conheci Beto quando da ida dele ao programa em que eu participava na Itaparica FM, o Festa e Folia Mix, quando ele foi levar a filha Viviane para participar de uma entrevista. Figura fantástica, cheio de histórias, Beto era uma lenda viva que sabia tudo de Carnaval. Sempre que nos encontrávamos, falávamos de tudo, mas principalmente do descontentamento dele com os rumos do carnaval elitizado e da perda de espaço da pipoca. Essa figura era um apaixonado por Carnaval e com quem tive bons e agradáveis momentos de conversas.
Quem esquece do casamento do hoje evangélico cantor Cid Guerreiro, feito em cima do trio em plena Praça Castro Alves? E soube há pouco tempo que nem o padre era padre de verdade (risos!). E o rapel feito por Serginho, da Banda Pimenta N’ativa (tem Pimenta na área, meu irmão!) feito tanto no Campo Grande. Lá em Ondina Serginho amarrou a corda do rapel em uma árvore e quase foi preso pela Polícia. Ou então quando nossa Gilmelândia, que quando chegou ao Campo Grande desfilou em uma empilhadeira surpreendendo todo mundo literalmente. E tantos outros fatos ou pessoas que, se for lembrar, não teria espaço que desse na coluna.
Gosto de entender que nossa festa, independente dos problemas que a modernização trouxe a reboque, conseguiu se aprimorar e exportar a sua melhor parte: a alegria. Não consigo enxergar o mercado no Carnaval ou da música baiana como um simples comércio para se ganhar dinheiro. Temos que entender todos sempre que existe uma herança a ser deixada para o futuro.
Infelizmente, no Brasil temos o péssimo hábito de esquecer o que foi feito. De esquecer nossos heróis ou nossa historia. No Carnaval não é diferente, sendo que um dia também seremos passado.
Dias melhores pra sempre!