RESPEITO É BOM E O OLODUM MERECE
Não é de hoje que se diz que a cultura na Bahia vem aos poucos definhando do que era há alguns anos. Quando digo cultura, englobo tudo: o teatro, as manifestações folclóricas, as expressões culturais. Enfim, a arte como um todo.
E no meu caso a expressão que me leva a escrever semanalmente esta coluna: a música. A nossa musica! E eis que agora o que ainda era, de certa forma, um fato comentado a boca miúda no meio cultural, se torna publico com as declarações do presidente do Olodum reproduzidas pelo Bahia Noticias reclamando da Secretaria Estadual de Cultura em relação à sua entidade.
Então, só pra dar uma ajuda aos que não sabem quem é o Bloco e banda Olodum, vou tentar refrescar a memórias dos desmemoriados.
Se fosse fazer um texto rebuscado, coisa que não é da minha linha de escrita, estaria descrevendo o Olodum como dentre as revelações das manifestações culturais e artísticas da Bahia e uma das mais importantes do nosso tempo.
O Olodum surgiu oficialmente em 1987, com o disco Egito Madagascar, que - me lembro bem - lançou a musica “Faraó”, que se tornou referencia musical naquela época. Ela abriu para o Olodum um período mágico em que não somente suas musicas eram tocadas nas rádios, mas suas composições eram esperadas anualmente por outras bandas no Festival de Música do Olodum (Fenadum) e disputadas a tapa pelos produtores.
Se não estou enganado também - e se estiver me corrigam por favor -, foi o radialista Cristóvão Rodrigues (na época coordenador artístico da Itapoan FM) e Manolo Pousada (produtor e empresário artístico) que lançaram o Olodum para o mundo.
Digo para o mundo não de forma conotativa, mas de forma real. Porque depois desse primeiro disco, meu amigo, o Brasil ficou pequeno para essa galera. De Paul Simon no histórico show do Central Park em Nova York à apresentação com Michael Jackson no Pelourinho se passam pelo menos 20 anos da fantástica historia da banda. É batata! O Olodum criou uma referência musical em sua batida que igual não há: o Samba Reggae.
E quando falo isso, não digo que somente a nossa gente reconhece essa batida. Digo que o mundo todo reconhece. É fato, em qualquer lugar do planeta a marcação do repique seguida da cadência dos chamados “treme terra” ou “105” (numa referência ao tamanho do aro do tambor), quando são executados, logo se diz: “olha a batida do Olodum aí”.
E já ia me esquecendo. Esse mesmo Olodum lançou para o Brasil e o mundo dois caras que são fenomenais no cantar. Falo dos meus irmãos Pierre Onassis, hoje cantor evangélico, que fez da música “Rosa” um dos grandes sucessos do Olodum e o grande amigo-irmão Jauperi, que também é cantor e compositor de grandes sucessos. Não só do Olodum, mas de outros artistas e bandas. Que bom que Jau está mais uma vez numa fase maravilhosa.
Se fosse falar aqui das realizações do Olodum nos seus quase 30 anos de historia, teria que escrever um livro e não uma coluna como agora. O que o Olodum quer é reconhecimento e respeito, se não pela historia da banda e do bloco, ao menos por levar a bandeira da Bahia pelo mundo. Ao menos o mesmo respeito que o mundo musical tem por essa galera e que tinha na Bahia de antes (de 2007 pra trás) e hoje, ao que parece, não tem mais.