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Coluna

É ROCK? É BAHIA TAMBÉM

Por Luís Ganem

Essa semana recebi alguns e-mails me alfinetando sobre o mercado musical baiano. Uns me perguntando se além do mercado do axé e do pagode se a Bahia não tinha nada mais a exportar. Já outros me lembrando que também, em dado momento da minha vida, fiz parte da cena pop/reggae/rock do mercado baiano.

 

E é verdade. Além do axé e do pagode, nosso mercado baiano tem no rock sua outra grande vertente artística. Vindo desde Raul Seixas aos Novos Baianos, que fizeram a fusão da bossa nova com o rock (no disco “Acabou Chorare”), tenho como principal referência do meu tempo o Camisa de Vênus. Mas do meu tempo de pré-adolescente diga-se bem. Lembro que naquela época não se tocava na rádio as músicas do Camisa, a censura não permitia a tocar os sucessos da banda (ao menos por um período).

 

Eles então fizeram o antológico disco ao vivo chamado “Viva”. E foi ao vivo mesmo, sem cortes, edições, sem nada. O meu, só pra ter uma idéia, copiei de uma fita K7. Acho eu que ligaram o gravador e começaram a tocar. Mas acredite, foi um dos discos que mais escutei na adolescência e, acredito, a largada para o rock que vemos hoje.

 

Aliás, quem da rapaziada do meu tempo não cantou “Sílvia”? Aquela que dizia em uma parte da letra “vive dizendo que está numa boa, mas veio pra São Paulo dar massagem em coroa”. E o coro repetia “Ô Silvia, piranha!”. Bons tempos, aqueles.

 

Pois esse mercado se uniu de certa forma, ainda no final dos anos 80 e começo dos anos 90, ao Axé. Não adianta dizer que são realidades distintas, porque não são. Pra se ter uma idéia, já no final dos 80, artistas como Ricardo Chaves tinham na sua banda músicos que eram “rock and roll”, como o guitarrista Nino Moura.

 

O rock não ficou só por ai. Bandas como Lampirônicos, que teve na batera o grande Ordep Lemos, Penélope (Luizão) e, pra mim, o mais midiático antimídia que conheço, o rocker Marcio Mello (cantor e compositor) - que essa semana mesmo deu entrevista ao Bahia Noticias - reafirmam as minhas palavras quando digo que a Bahia não é somente axé ou pagode.

 

Marcio mesmo, pra mim, é o cara que expressa o atual rock baiano (apesar do mesmo não se considerar desta forma) por suas atitudes, seus comentários, sua opiniões etc.E digo mais: os ritmos da Bahia interagem, sim. E para provar um pouco disso, “Nobre Vagabundo” (Márcio Mello), que foi gravada na voz de Daniela Mercury, foi e é um sucesso que comprova que os estilos na Bahia andam juntos. Estou citando uma entre muitas composições de Márcio que compõem o mercado do axé no estado.

 

Nosso mercado ainda precisa amadurecer muito quando falamos dos ritmos que compõem a nossa música. Não somente o rock como o reggae e outros ritmos são erroneamente chamados de “alternativos”, o que não é verdade. Falta apenas boa vontade para vermos que somos realmente a terra da música, independente do ritmo.

 

E tenho dito!