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Coluna

TROCANDO EM MIÚDOS

De tanto falar sobre música, e um pouco sobre a experiência que tenho, algumas pessoas têm me perguntado sobre qual o caminho para o sucesso. Bom, o caminho realmente é trabalhar muito, mas muito mesmo. Junto a isso alguma pitada de talento e, porque não, de sorte também.

 Tendo dito isso, me veio a cabeça uma historia que ouvi a respeito do que se deve fazer para vencer na vida, ou pelo menos trilhar um caminho de vontade e sucesso e resolvi contar essa historia pra ilustrar o que penso e digo sobre o sucesso.

 Tendo um homem saído de casa há muito tempo para tentar ganhar dinheiro por sua mulher estar grávida, por uma dessas ironias do destno, no lugar onde ele foi acabou ficando quase 20 anos.

Neste período, poucas vezes ele voltou à sua casa para ver a mulher. Sempre colocando o dinheiro que ele ganhava na conta dela em depósitos pelo banco.

A uma certa altura da vida esse homem resolveu voltar pra casa. Apesar da firma em que ele trabalhava pagar bem e em dia, esse homem cansou e resolveu ir embora.

Seu patrão que era uma pessoa boa e mandou pagar tudo que a ele era devido, mas antes de deixá-lo partir chamou-o à sua sala e disse: "Olha, tenho um presente pra você. É essa caixa que, tenho certeza, será melhor que o dinheiro que estou te dando. Use-a de forma sábia".

Sempre com o pensamento voltado para sua casa e esposa ele agradeceu o presente e, imaginando que na caixa teria um pouco mais de dinheiro como forma de agradecimento por esses anos todos de fidelidade à empresa, resolveu abri-la.

Para sua surpresa, nela tinha uma papel com um texto escrito pelo patrão dando três conselhos que ele tinha aprendido na vida. O primeiro dizia que ele nunca deveria pegar atalhos. O segundo dizia que ele nunca fosse curioso, e o terceiro que ele nunca agisse de cabeça quente.

Pois bem, indo o homem embora de volta pra sua terra,  se deparou com duas estradas - uma nova e uma velha, sendo que a nova encurtava em muito a sua viagem. Pensou no primeiro conselho e achou que isso se aplicava naquele momento e resolveu ir pelo caminho usual.

Para sua surpresa, ouviu pelo rádio que em um trecho da estrada nova tinha havido um engavetamento onde não tinha sobrevivido ninguém. Pensou no primeiro conselho e constatou a veracidade de não viver sob atalhos. Ficando tarde para chegar ao seu destino, resolveu descansar em um hotel de beira da estrada. Tarde da noite começou a ouvir gritos vindos da porta e pessoas correndo pelo corredor. No momento seguinte fez-se um silêncio geral.

Movido pela curiosidade, quando ia abrir a sua porta lembrou do segundo conselho do patrão e resolveu não sair do quarto. Foi a sua sorte, pois no outro dia com o hotel cheio de policiais soube que uma pessoa hospedada ali teve um surto psicótico e matou a todos que encontrou pelo caminho.

Seguiu viagem e enfim chegou em casa. E viu na porta de casa sua esposa dando adeus e um beijo no rosto em um homem adulto. Movido pelo ódio do ciúme partiu para cima dos dois para lavar sua honra. Na hora, lembrando do terceiro conselho de não agir por impulso, buscou o equilíbrio e, mais calmo, perguntou à mulher do que se tratava aquilo.

Como resposta ouviu que aquele rapaz era seu filho que ele não tinha nesses anos fora de casa conhecido e que já era homem feito. Ao não agir por impulso, evitou o que poderia ser uma tragédia.

Essa historia da sabedoria popular serve para emoldurar o que tenho dito sempre que sou consultado sobre o segredo do sucesso. Atalhos (ou artistas fabricados), por mais que sejam fáceis, são fórmulas artificiais que logo desaparecem. Ser curioso em relação ao sucesso dos outros tira o foco do seu esforço e acredite: criticar é fácil, difícil é tentar. E nunca aja sob impulso. Sempre pense antes de fazer algo de que poderá se arrepender, pois no meio artístico tudo recebe julgamento prévio. Tudo.