QUERO A NOSSA NOVELA!!!
Olha que não sou de ficar chorando o leite derramado ou então fazendo barulho em festas dos outros, mas alguém pode me dizer o por que dos artistas baianos não terem espaço em novelas da Globo na mesma quantidade do outros estilos?
É amigo, pode parar pra pensar. Há muito tempo que um artista do nosso mercado não tem espaço nas novelas Globais (se estiver errado mandem e-mail pra mim, por favor). Daí que, tirando Ivete Sangalo, que hoje faz o estação Globo (diga-se de passagem, com muita competência!) - o que apesar de não ser uma novela é um programa nacional da rede Globo - , e Netinho - que é o campeão de participação de músicas em novelas: nove ao todo -, há tempos que não vejo uma novela ambientada na Bahia ou com nossas músicas.
Estou dizendo isso por um simples fato: a novela das seis, “Paraíso”, na verdade é uma exaltação à música sertaneja. Me bata um abacate! Que idéia para levantar de novo o ritmo caipira. Do tema de abertura ao ator-cantor (Daniel), a novela foi refeita para levar de volta ao mercado o sentimento pelo som sertanejo.
Não que eu tenha nada contra o sentimento sertanejo. Mas amigo, tudo em excesso é sobra. E, na moral, são tantas as duplas sertanejas tocando na novela que penso que dois discos da trilha musical serão pouco pra colocar toda essa galera no mercado.
Pra não se ficar pensando que sou eu somente que estou falando isso, a revista VEJA, da edição de duas semanas atrás, salvo engano, falava exatamente sobre essa questão da exaltação da vida e da musica sertaneja na referida novela.
Só pra vocês terem uma idéia, a última que eu lembro ambientada na Bahia, (volto a repetir: que eu lembro) e que teve um dos nossos artistas cantando foi “Porto dos Milagres”.
O que acho, amigo, é que estando o mercado um tanto ressentido com as misérias que assolam o mundo, como a gripe suína, recessão econômica e mais um bocado de coisa ruim que tem corroborado pra diminuir a quantidade dos nossos shows, fica difícil se me aparece uma novela que só faz levantar um segmento de mercado.
Eu pergunto: por que não fazer uma novela ambientada na Bahia? Nosso mercado musical hoje contribui para uma boa parte dos grandes eventos do Brasil. Qual a dificuldade que se teria em adaptar mais algum conto de João Ubaldo, Jorge Amado ou Zélia? Que mal teria o novelista Manoel Carlos (o preferido de Marcela Oliva, assessora de comunicação de Ivete Sangalo) ou qualquer outro escritor da Globo criar uma trama passada na Bahia? Tirando as minisséries que são feitas, óbvio.
Mas desta vez tem o seguinte: se é pra fazer uma novela aqui, tem que ser com todas as músicas de artistas baianos, mas nada do tradicional com Gil, Caetano, Bethânia ou Gal, mas sim com os nossos novos valores.
Poderia ser feita com a nossa galera, nosso pagode e nosso axé. E, por que não, nosso arrocha. Já pensou? Todo dia só ia dar a nossa música na abertura da novela na trama dos artistas. Rapaz ia ser um sucesso. Só por curiosidade, amigo, vai lá na internet, tecla “novela Paraíso’ e dê um olhada na trilha sonora. Tirando os já conhecidos como Victor e Leo e mais uns dois que tem duas músicas na trama, o resto é só novato. E novato por novato, prefiro os nossos da Bahia.
Pena que meu espaço seja curto, pois a pesquisa sobre isso é muito extensa. Mas o que posso dizer sobre isso é que tenho orgulho do que Luis Caldas e sua “Tieta” fizeram no passado.
Ronaldo!