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Coluna

VIAGEM COM SEGURANÇA

                                                   

Discutir e tentar solucionar os problemas que ocasionalmente aparecem no nosso meio artístico, antes de mais nada, é obrigação de todos nós que trabalhamos nele. Diferentemente do que se possa pensar, as soluções encontradas ou ao menos os questionamentos de alguns assuntos, quando debatidos por todos de forma exaustiva, com certeza bons frutos dará.

Aí amigo, eu pergunto a você que trafega pelo nosso Estado fazendo shows e muitas vezes viajando à noite de ônibus: será que está seguro ou se sente seguro?

Nesses meus vinte e poucos anos de música, sempre tive preocupação a esse respeito (segurança nas estradas contra assaltos), mas sempre de forma comedida, pois havia por parte do meio uma sensação de segurança pelas ações que o Estado imprimia em relação a criminalidade como um todo.

Somente algumas vezes soube de assalto a bandas. Algumas tentativas ficaram famosas pela forma que foram debeladas. A banda Araketu, por exemplo (na época no cast da produtora Perto da Selva), sofreu uma tentativa de assalto na região de Pedra do Cavalo, considerada àquela época uma área de risco para as bandas trafegarem de madrugada.

As bandas que levavam segurança pessoal naquela época o faziam somente porque nas mini-turnês pelo interior ainda se levava dinheiro em espécie no ônibus da banda. Normalmente, dinheiro recebido em participação de bilheteria feita nos shows. Hoje, não! Ou é feito um depósito antecipado do cachê, ou são feitas sangrias (saques) diários na bilheteria do evento quando a banda é sócia da festa.

Mas, voltando ao Araketu, sei que a banda só não foi assaltada pela intervenção quase que heróica da segurança. De forma “hábil”, soube “botar pra correr” a rapaziada do mal.

Mas, como sempre, alguém pode questionar: qual a diferença daquele tempo para hoje? Simples! Na minha época haviam assaltos esporádicos e isolados. A polícia sabia onde era a concentração da bandidagem e combatia esses focos. Hoje? Tenha medo! Em qualquer parte do Estado que se vá, existe a possibilidade real de ser assaltado; o risco se faz até no trecho Salvador-Feira.

Se hoje ainda fosse empresário ou produtor de banda, diria tranquilamente que só viajaria de dia. Para viajar à noite, se realmente não houvesse jeito, ao invés da segurança ir dentro do ônibus teria um carro pequeno como batedor. Além disso, só viajaria em comboio; ou com as empresas de linha convencional que saem de Salvador para o interior, ou com outras bandas.

Em se pensar que as empresas que fazem o transporte de bandas já têm um alto custo por conta das péssimas estradas baianas, agora terão um acréscimo nas suas apólices de seguro por conta do risco de serem seus veículos assaltados ou coisa pior. Sendo que infelizmente e com certeza esse “plus”  a mais nos custos vai se refletir no bolso das produtoras de eventos e artísticas.

Questionamentos e comentários como esses se tornam importantes quando verificamos a ineficiência das autoridades no dever de nos garantir um mínimo de segurança.

 

Durma com um barulho desses!