AXÉ PRA VOCÊ
Tenho conversado bastante sobre os mais diversos assuntos com personalidades e formadores de opinião ligados ao nosso mercado. Vez ou outra, sempre que posso ou tenho oportunidade, identifico alguns assuntos que normalmente tem se tornado discussões em nosso mercado.
Nesses assuntos identificados por mim, um dos que mais tem me preocupado é o que estamos fazendo pra melhorar o nossa música? Falo isso no sentido de festas e eventos voltados para o ritmo especifico chamado Axé.
Vou explicar: Vira e mexe vejo ações dos outros segmentos musicais normalmente tentando melhorar o seu ritmo, seja em ações conjuntas com todos os artistas unidos em prol de alguma causa ou em ações isoladas.
Veja ai agora o arrocha. Vai fazer o seu festival com os grandes artistas do ritmo. Mesmo não tendo ainda a projeção que outros ritmos do nosso meio musical tem no mercado nacional, os caras se juntaram para fazer a festa, que com certeza vai bombar de gente.
No Rio de Janeiro também. Por lá, militantes do funk carioca desenvolvem através de Rômulo Costa da furacão 2000, e o DJ malboro uma ação contra um projeto de lei que vai ser votado na Assembléia legislativa pedindo a proibição do funk nos morros. Em prol da sua música, os caras se juntaram independente da rivalidade e estão fazendo força para a lei não passar.
Independente dos festivais que acontecem em salvador - principalmente no verão - ou em algumas cidades do interior na época do inverno - pra ser mais exato, duas - em muito poucas vezes o nosso mercado produziu shows voltado exclusivamente para a nossa música.
O axé mesmo fez sua primeira e, até então ultima tentativa, no ano de 2005. Mais precisamente em 17 de dezembro, quando no estádio da Fonte Nova foi feito o projeto “Axé pra você”, que naquele ano trouxe para os palcos as nossas estrelas do Axé em um evento de ação social.
Feita pela parceria do Consórcio Axé pra você – formado pela Associação das produtoras de música do Estado da Bahia(APA), Associação dos blocos com trio(ABT), Associação dos blocos da Barra(ABB), Associação dos blocos alternativos(ABA) e Associação dos blocos de Salvador(ABS) a Rede Bahia de televisão, através do seu braço social, e a UNICEF Brasil, fizeram um megaevento que marcou época. Eu mesmo, fui.
Só lembrando um pouco desse projeto: ele foi criado para, através dos nossos artistas do Axé de renome nacional, angariar fundos para instituições sociais. Além da compra do ingresso, que era uma forma de ajudar as entidades, existiam também outras formas de dar sua contribuição caso o fã não quisesse ir. Ou se ligava para um determinado número e se fazia a doação por telefone ou se fazia um deposito em uma conta especifica. De todo jeito, era possível ajudar juntamente com outros dezoitos nomes da nossa música que subiram ao palco a dar sua contribuição a essa causa.
Nesse dia só passou gente da melhor qualidade por lá: Gilmelândia, Ivete Sangalo, Durvalino e o Asa de Águia, Saulo Fernandes(banda Eva), Aline Rosa (cheiro de amor), Tatau, meu amigo Serginho - que está retornando a pimenta nativa (boa sorte pra você Serginho!) - Manno, Tuca e Beto da banda Jammil e mais alguns outros artistas.
Mas ai, pra variar, alguém pode pensar: “e ai, o que houve? Por que o projeto não teve continuidade?”. Bom, existem algumas boas possíveis explicações pra isso. Alguns dizem que por conta de falta de espaço na agenda dos artistas, ficou que meio impossível de se marcar a data do ano seguinte. Já outros dizem que a ordem de apresentação teria sido o detalhe dificultador do evento no ano seguinte. Mas o negócio foi que no outro ano o projeto não foi mais feito, e babau quem viu, viu. Quem não viu, dançou.
Agora eu pergunto; não era para a nossa música estar fazendo escola com esse projeto? Seria uma forma, inclusive, de apresentar ao público sempre a cada edição os novos artistas que viriam a ser lançados nos anos que se passaram. Até como forma de incentivo, o projeto inclusive poderia ter servido como uma ante- sala para o festival de Verão, feito pela Rede Bahia.
Rapaz se for parar pra pensar, vai-se ver que perdemos mais uma vez a chance de estarmos na frente. Poderíamos ter inventando mais uma fórmula de mostrar ao mercado nossos novos artistas, fazendo uma grande prévia do Carnaval.
Mas não esta tudo perdido. Alô, galera da APA, ABS, ABA, ABT, ABB. Vamos reeditar essa festa. Vamos mostrar que nosso mercado tem força. Que tal juntar também a galera principal do pagode e fazermos um evento pra ninguém botar defeito? Pra ficar marcado na história da música da Bahia?.
Axé pra você!