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Marca Bahia Notícias

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Opinião: Quedas de Prates e de Pimenta serão freio de arrumação na comunicação do governo Lula?

Por Fernando Duarte

Opinião: Quedas de Prates e de Pimenta serão freio de arrumação na comunicação do governo Lula?
Foto: Divulgação

Coincidência ou não, dois entraves para a comunicação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva caíram no mesmo dia. O mais relevante para o mercado é o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, que esqueceu que assumiu a estatal e manteve-se como agente político nos mesmos moldes de quando herdou a vaga de senador do Rio Grande do Norte. Porém a “queda para cima” de Paulo Pimenta também é representativa daquela que pode ser uma oportunidade para que o governo consiga evitar as sucessivas derrotas nas narrativas digitais.

 

Prates meteu os pés pelas mãos em mais de uma oportunidade. Provocou a queda das ações da Petrobras em mais de uma oportunidade com tweets (ou éxisses/ xis) descabidos e mostrou-se arredio com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, içado ao primeiro escalão como uma sinalização ao mercado. A saída do ex-senador da Petrobras não era questão de “se”, mas de “quando”. Aproveitando a justificativa de um trimestre abaixo dos números do próprio passado recente, Lula paga de preocupado com os lucros da petrolífera e substitui um calo no sapato - que já incomodava pelo menos desde o primeiro ano de governo, quando ainda havia certo grau de otimismo da população e do mercado.

 

Já o caso de Paulo Pimenta é mais umbilical com a comunicação. Ainda em fevereiro de 2022, quando da posse do Congresso Nacional, o deputado licenciado reagiu de maneira brusca ao ser questionado se o governo perdera a mão ao lidar com o fatídico 8 de janeiro anterior. Pimenta, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, não admitia que o governo tinha problemas de comunicação e fingia que tudo estava dentro do previsto. Talvez apenas ele e o núcleo do governo que acredite piamente que tudo são flores (há quem acredite em fadas).

 

Do primeiro mês do governo Lula 3 até aqui, foram raros os momentos em que a percepção da população sobre a gestão melhorou. Basta ver as sondagens de opinião realizadas pelos mais diversos institutos de pesquisa - até mesmo aqueles mais simpáticos ao governo. Pimenta tem uma imensa parcela de responsabilidade nesse processo, já que vinha dele, em tese, a condução da forma como o governo se apresentava publicamente.

 

O exemplo mais fresco na memória é o embate sobre a tragédia no Rio Grande do Sul, pela qual agora o deputado federal licenciado será coordenador da Autoridade Federal. Publicamente com postagens nas contas do ministro e através de notas, a Secom do governo federal discutiu infantilmente sobre a crise em volta da errática matéria do SBT sobre multas a veículos com doações para os gaúchos e sobre o vazio debate sobre a disponibilidade de equipamentos pelo Uruguai (que era uma meia verdade, mas o governo classificou a Folha de S. Paulo como propagadora de Fake News). E, por ironia do destino, caberá a Pimenta cuidar das ações do governo federal no Rio Grande do Sul.

 

A forma como governos petistas lidam com a comunicação precisa ser revista. A extrema-direita tem um domínio amplo do campo das redes sociais e, até aqui, não há vislumbre de que o cenário pode mudar. Lula 3 tem uma oportunidade de ouro, com a coincidência da saída de dois dos problemas na área. Restam alguns outros tantos, mas pelo menos a zona de conforto foi remexida.