Marcelo Lemos Filho ressalta nacionalização do Dois de julho: “É sim mais importante que o 7 de setembro”
Em 2025, a Independência do Brasil na Bahia, celebrada no dia 02 de julho, chega aos seus 202 anos de história. Por meio das cerimônias oficiais, cortejos e desfiles em todo o Recôncavo Baiano, os festejos são mantidos anualmente com forte participação popular. Para o diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), Marcelo Lemos Filho, a manutenção dos festejos e da data como patrimônio histórico e cultural da Bahia parte de um trabalho de atualização constante e luta por reconhecimento nacional.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o gestor destaca os procedimentos realizados: “O cortejo 02 de julho foi reconhecido como patrimônio imaterial em 2006. E no ano retrasado [2023, ano do bicentenário], na Lei Paulo Gustavo, a Secretária de Cultura, que é quem coordena os editais da lei de incentivo, fez o edital de Inventário de Conhecimento sobre a Independência da Bahia. Tivemos sete propostas contempladas com R$350 mil reais. Ou seja, R$350 mil reais para que a gente fizesse um inventário de conhecimentos e ações culturais que envolvem o 02 de julho”.
Lemos explica que a intenção da Secult (Secretaria de Estadual de Cultura da Bahia) era garantir maior conhecimento sobre as comemorações espalhadas pelo estado e, desta forma, ampliar o apoio e manutenção delas. O gestor explica que a dimensão simbólica da festa ainda é muito importante para a construção cultural do estado.
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Foto: Camila Souza | GOVBA
“É um reconhecimento do trabalho da sociedade. Por que o que foi o 02 de julho? O [evento histórico] do 02 de julho foi a sociedade expulsando os portugueses do Brasil. O 02 de julho é, sim, mais importante que o 07 de setembro, e nos 200 anos da Independência do Brasil na Bahia, fizemos questão de colocar peso nessa data, para demonstrar a importância”, detalha.
Em sua fala, o diretor do IPAC ressalta que o trabalho para garantir a nacionalização da data segue ativo. “Tem um trabalho da Secretaria de Educação [da Bahia] junto com o Ministério da Educação, para que o 02 de julho esteja nos livros didáticos de todo o Brasil, para mostrar a importância da sociedade civil organizada em um dos ápices históricos do país. Então, o 02 de julho demonstra a força do nosso povo”, afirma.
E essa demonstração de força perpassa aspectos sociológicos de gênero, raça e classe que circundam os mitos referentes à data histórica. Sobre isso, o Marcelo Lemos aponta que “a gente precisa recontar essa história, de que nossa independência foi uma luta de negros, de indígenas, de brancos, da sociedade que não aguentava mais os mandos e desmandos. Então, a nossa independência vem através da luta do povo e é por isso que o 02 de julho é patrimônio, não é porque é bonito”, conclui.
Ao BN, Marcelo Lemos dá mais desdobramentos sobre a projeção nacional da data histórica, faz um balanço de sua gestão à frente do IPAC e dá mais detalhes sobre o trabalho de preservação patrimonial na Bahia. Confira a entrevista completa no YouTube do Bahia Notícias: