“Se a sociedade não participa, não tem como existir”, diz Marcelo Lemos sobre a preservação práticas culturais na Bahia
O historiador, Marcelo Lemos Filho, diretor-geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), defende que a participação da sociedade civil é imprescindível para a manutenção dos bens culturais históricos. Em entrevista do Bahia Notícias, o especialista explica que, especificamente no que diz respeito aos bens imateriais - aqueles representados pelas práticas sociais, como os festejos, danças e outras manifestações não objetificadas -, a participação social faz parte de todas as etapas da patrimonialização.
Ele explica: “Isso [O processo de registro] parte da sociedade civil, da sociedade organizada. Ela manda para o IPAC esse pedido de registro. Você precisa mandar uma série de documentos, com o histórico [da prática cultural], o porquê, qual a importância para aquela localidade, porque é um patrimônio e a gente vai fazendo esse levantamento, esse estudo, após a gente entender esse resumo”.
Marcelo Lemos detalha ainda como ocorre o processo de análise e pesquisa antes do registro final dos bens culturais. “Após essa primeira análise é que a nossa equipe entra em campo para fazer um estudo mais aprofundado, para fazer o registro. Então, a sociedade civil é importante não somente no início desse processo, mas também na manutenção do bem. É muito importante porque se a sociedade civil não participa das atividades desse bem imaterial, não tem como ele existir. O bem imaterial não pode ser algo pertencente a mim, tem que ser algo pertencente a localidade, ao estado.”
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Ao BN, o gestor explica que, inclusive, a manutenção dos bens imateriais requer um processo de atualização e revalidação, que envolve a realização de uma nova pesquisa para compreender as mudanças e continuidade da manifestação cultural em questão. O processo, que ocorre a cada 5 anos, por levar a perda dos registros das práticas patrimonializadas, em caso de não permanência de seus atributos.
Ao falar de bons exemplos dessa manutenção, por parte da sociedade civil, Marcelo Lemos indica: “Nós temos, por exemplo, o cortejo 02 de julho. Olha o envolvimento da sociedade baiana e soteropolitana. A gente mapeia eventos [relacionados] desde janeiro, no último dia 25 [de junho] nós tivemos a mudança da sede do governo para Cachoeira, você tem a tocha que percorre diversos municípios, então você tem um série [de ações] em que a comunidade se envolve”, destaca.
“Os patrimônios precisam ter significado para a sociedade. Se não tiver significado para a sociedade, ele [esse bem] não tem porque ser um patrimônio imaterial”, completa.
O Bahia Notícias divulga entrevista completa com o diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos Filho, nesta segunda-feira (30), a partir das 11h10. Confira o trecho da entrevista: