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Segunda, 12 de Julho de 2021 - 11:10

Luiz Caetano

por Matheus Caldas

Luiz Caetano
Foto: Joilson Cesar / Ag. Haack / Bahia Notícias

Recém-chegado à Secretaria de Relações Institucionais (Serin), Luiz Caetano (PT) garantiu que vem reunindo esforços para manter a cúpula petista unida com intuito de fortalecer o nome do senador Jaques Wagner como candidato do PT à disputa pelo governo da Bahia em 2022, quando se encerra o mandato de Rui Costa.

 

“Aqui ninguém solta a mão de ninguém, estou agarrado na mão de Rui e Wagner. Nosso governador lidera nosso projeto, juntamente com Wagner, e estou aqui para costurar uma boa articulação. Isso vai ajudar Wagner? Se eu fizer um trabalho bem feito, espera-se uma estrada melhor para que ele possa ser eleito governador da Bahia. Mas a ideia central é que façamos com que o governo tenha uma boa articulação institucional e política. Essa é a missão”, afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

Diante deste contexto, ele sinaliza que não deve concorrer a deputado federal no próximo ano - em seu lugar, deve concorrer a sua esposa, Ivoneide Caetano (PT). “Estou chegando agora, faz um mês e pouco, não dá pra chegar em abril e sair do governo, a menos que essa seja uma vontade do governador, que espero que não seja. Não dá pra ser candidato. Obviamente que Ivoneide, minha esposa, vai ser candidata. Penso que é melhor trabalhar aqui no governo e trabalhar no projeto como um todo. Essa é a primeira vez que sou secretário, quero dar o meu melhor”, ponderou.

 

Ele, contudo, garante que não possuiria preocupação com a Justiça eleitoral, caso fosse candidato. Neste ano, ele recuperou os direitos políticos cassados em 2018, quando se elegeu deputado federal, mas acabou tendo a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

“Não tenho nenhum receio. Fui condenado por um crime que eu não cometi, tanto é que consegui anular toda a condenação. Ali foi uma articulação política forte do governo municipal para me tirar das eleições de 2020. A jurisprudência do enriquecimento de terceiros caiu por terra e o próprio TSE voltou atrás da jurisprudência anterior, que foi de enriquecimento do gestor”, pontuou.

 

Queria que o senhor fizesse um balanço desses dois primeiros meses como titular da secretaria.

Veja, a secretaria, por causa da pandemia, ficou sem fazer o que é o foco principal dela, que é a articulação política do governo. Eu criei uma sala de soluções para atender os deputados e ver com cada deputado federal e estadual quais eram seus saldos de emendas e estamos zerando todas elas. Estamos tendo autonomia para resolver problemas junto aos deputados e isso tem sido um fator muito positivo na secretaria. Conversei com várias instituições, recentemente com a UPB e o presidente Zé Cocá, trabalhando no sentido de que haja uma aproximação cada vez maior entre a associação de municípios e o governo do estado. Inclusive estava vendo com Zé Cocá para que ele participasse de agendas nos municípios com o governador com mais intensidade e estar mais junto discutindo as demandas com o estado. Também falei com setores do Judiciário, com o presidente da AL-BA, visitei a Casa e participei de reuniões com várias bancadas. Estamos tendo um trabalho de fazer uma comunicação política com os deputados, os prefeitos que vêm para as audiências com o governador, onde as demandas são deliberadas. Aquilo que o governo realmente tem feito são muitas entregas. Nas últimas semanas, o governador se reuniu com mais de 150 prefeitos. Os encontros, como o que fizemos recentemente em Andaraí, são muito positivos. Ou seja, os planos são fazer, cada vez mais, com que a Serin cumpra seu papel de articulação, desobstrução de canais e, consequentemente, diálogo bem com todos os parceiros e agentes políticos. Tem sido assim, no meu entender, muito positivo. Além do atendimento que eu faço a partir das 9h, muitas vezes até 22h, aos prefeitos, deputados, vereadores e lideranças.

 

O senhor disse que a pandemia atrapalhou muito essa articulação e que agora há esse desafio de "zerar" o saldo de emendas disponíveis, não é?

Esse longo período de pandemia dificultou o trabalho, não só aqui da Serin, mas de todas as outras secretarias. Obviamente, a pandemia tem persistido, mas quando cheguei aqui já havia esse processo de vacinação e isso facilitou mais costurar essa base.

 

No último mês o governador Rui Costa acabou anunciando algumas mudanças no secretariado, mas ainda restam outras alterações. Quero saber do senhor se há alguma resolução ou novidade sobre o assunto.

Não é do meu conhecimento alguma novidade. Não sei se o governador vai fazer alguma outra mudança, mas se fizer vai comunicar para a gente.

 

A imprensa noticiou que havia a possibilidade de Joseildo ocupar o cargo que hoje é de Josias na SDR e o atual titular poderia voltar para a Câmara, o senhor participou dessas conversas ou sabe de algo sobre isso?

Fiquei sabendo pela imprensa, mas não constatei nenhuma movimentação. Pelo menos não passou pela Serin nada com relação.

 

Também se comentou sobre a sua chegada no secretariado, que o senhor seria um homem de confiança do senador Jaques Wagner. A sua nomeação faz parte da "preparação de um terreno" para o caso do ex-governador ser eleito no próximo pleito?

Aqui ninguém solta a mão de ninguém, estou agarrado na mão de Rui e Wagner. Nosso governador lidera nosso projeto, juntamente com Wagner, e estou aqui para costurar uma boa articulação. Isso vai ajudar Wagner? Se eu fizer um trabalho bem feito, espera-se uma estrada melhor para que ele possa ser eleito governador da Bahia. Mas a ideia central é que façamos com que o governo tenha uma boa articulação institucional e política. Essa é a missão.

 

Em 2018 o senhor foi eleito e não conseguiu assumir o cargo. O senhor pretende ser candidato no ano que vem ou tem algum receio da Justiça impedir a sua diplomação?

Não tenho nenhum receio. Fui condenado por um crime que eu não cometi, tanto é que consegui anular toda a condenação. Ali foi uma articulação política forte do governo municipal para me tirar das eleições de 2020. A jurisprudência do enriquecimento de terceiros caiu por terra e o próprio TSE voltou atrás da jurisprudência anterior, que foi de enriquecimento do gestor. Coincidiu que o governador Rui Costa me convidou para integrar o secretariado. Estou chegando agora, faz um mês e pouco, não dá pra chegar em abril e sair do governo, a menos que essa seja uma vontade do governador, que espero que não seja. Não dá pra ser candidato. Obviamente que Ivoneide, minha esposa, vai ser candidata. Penso que é melhor trabalhar aqui no governo e trabalhar no projeto como um todo. Essa é a primeira vez que sou secretário, quero dar o meu melhor.

 

A longo prazo, há algum tipo de desejo de sair candidato a prefeito ou deputado novamente?

Se disser que não, eu estarei mentindo. Quem tá nessa vida sempre tem o desejo de estar se candidatando, então depende muito do que vai acontecer. Wagner ganhando a eleição para governador e Lula para presidente, aí é um cenário, se acontecer outro a gente vai discutir. Depende muito do futuro.

 

O conselho político da base governista chegou a ficar um ano sem se reunir e acabou sendo chamado este ano após aquele caso do PM Wesley no Farol da Barra. Com o senhor na Serin, há uma tendência para que esse grupo se reúna mais vezes e dialogue sobre outras questões?

Claro, é muito importante que haja uma discussão mais coletiva. O governo nunca se opôs a isso, muito pelo contrário. Sempre é bom estar ouvindo os partidos e as forças políticas para poder ir aprimorando cada vez mais a estratégia, porque ela é uma coisa que você discute, elabora e que você tem sempre que ajustar. Como o governador é um grande estrategista, é importante que ela ouça, a cada instante, todos os partidos da base. Creio que em breve irá retornar o funcionamento do conselho político.

 

Sendo esse grande estrategista, Rui Costa já tem alguma estratégia para o ano que vem?

Cabeça de governador, nem tudo pode se falar. Penso que ele tem uma estratégia montada, já deu algumas pistas no Papo Correria do que poderá acontecer, mas não tem nada assim ainda explícito. O prazo é abril, ele está conversando e dialogando. Sei que ele vai encontrar o melhor desenho para a gente ganhar as eleições e continuar esse projeto. Tenho certeza disso.

 

Durante a nossa conversa o senhor recorrentemente fala sobre partidos e a boa relação do governo com eles, mas uma legenda em específico que a imprensa sempre noticia sobre a possibilidade de saída dela da base, que é o PP. Muita gente diz que o vice-governador João Leão quer sair como o candidato que encabeçará a chapa majoritária, como estão as conversas para que o PP se mantenha junto ao PT na próxima eleição?

A relação do governador e de Wagner com Otto e o PSD é excelente, com o PP de João Leão e o PSB de Lídice da Mata também é, idem com o PCdoB e o Avante, assim como com os partidos da base. O governador sempre tem dialogado e estamos construindo a chapa de 2022, é natural que cada partido queira um espaço maior dentro do processo. É uma disputa normal, a base tá consolidada. Em abril a gente define como vai ser a formação da chapa e a participação de todos. A base é unida e se mantém até hoje, são dois governos de Wagner e dois de Rui. Essa união tem dado certo. Time que dá certo, se bolir é pra melhor.

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