Segunda, 07 de Maio de 2018 - 11:00

Félix Junior

por Ailma Teixeira / Júlia Vigné / Lucas Arraz

Félix Junior
Foto: Bahia Notícias

Vindo de um histórico de descontentamento com o espaço dado pelo governador Rui Costa ao seu partido, o presidente estadual do PDT, deputado federal Félix Mendonça Júnior, asseverou que a situação com a base governista não se desenvolveu nos últimos tempos. Apesar de reconhecer que o PDT tem como empecilho o seu tamanho para um eventual lançamento de candidatura ao governo ou ao Senado, Félix Jr. pede mais espaço no governo de Rui para os próximos anos, caso haja reeleição. "O PDT tem o mesmo tratamento que sempre teve. Não alterou muito não. O próximo governo eu espero que seja diferente", declarou o líder do partido, que afirmou esperar que a sigla triplique a representação baiana na Câmara dos Deputados. Apesar do descontentamento, o pedetista negou que a melhor hora para conversar sobre o espaço na base governista seja esse, na véspera das eleições. "Nessa altura do campeonato o partido não vai reivindicar um espaço maior ou menor, faltando alguns meses para encerrar o governo. Pode-se buscar depois dessa eleição que está chegando mudar algum tipo de tratamento ou espaço que tinha no governo. Não é o momento", disse Félix. Em entrevista ao Bahia Notícias, o líder do partido na Bahia ainda falou sobre as estratégias nacionais da sigla, que lançou como pré-candidato à Presidência Ciro Gomes; sobre foro privilegiado; o apoio ao presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Angelo Coronel, ao Senado; a formação do chapão e candidaturas a deputado estadual e federal. Leia abaixo a entrevista completa.

 

Diante da possibilidade de Lula não se candidatar em 2018 se especula que ele pode apoiar Ciro Gomes, seu correligionário. Jaques Wagner já confirmou essa possibilidade mas a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, diz que não curtiu muito essa ideia. Se acontecer essa união entre os partidos, o PDT apoiaria e abriria o posto de vice para algum petista?
Eu não sei lhe informar o que o PDT vai fazer com o vice. Mas eu acho que conversar e ser apoiado foi natural, assim como nós apoiamos no passado, ser apoiado é uma coisa muito natural. Quem não gosta de apoiar não pode pedir para ser apoiado.

 

Gleisi Hoffmann, inclusive, disse que uma eventual aliança com Ciro não aconteceria "nem com reza brava"...

Quem entende de reza brava é a senadora, então ela poderia falar sobre o assunto melhor do que nós... 

 

O senhor acha que o PDT poderia retirar a candidatura de Ciro para entrar como vice em alguma chapa do PT?

Não.

 

Em hipótese nenhuma isso existiria?
Essa hipótese não existe.

 

O partido já pensou em outros nomes para compor a chapa com Ciro Gomes?
Não, a gente está conversando, ouvindo, vendo quais são as alianças que vão ter para poder fazer essa composição de chapa.

 

Mas a candidatura já está consolidada, né? Já tem alguma data de visita à Bahia?
No Dois de Julho com certeza. Ele vem para o desfile cívico de Independência.

 

Além de Salvador, ele deve passar por alguma outra cidade?
A gente deve marcar, mas não tem nada confirmado ainda, não.

 

Quais são as principais plataformas que o senhor acha que o PDT deve investir nesse processo eleitoral já que há um "excesso de candidatos"? 
A plataforma básica do PDT é defender a educação, como princípio básico para melhorar a nação, defender que não seja aplicada, como está sendo hoje em dia, a política de transferência dos valores do Brasil hoje para o sistema financeiro. Hoje a gente fala em Reforma da Previdência. Você sabe quanto que essa reforma custa de todo o valor que é arrecadado do país? O percentual é 23%, mais ou menos. Você sabe quanto nós pagamos de juros da dívida pública? Um pouco mais de 50%. De educação 3%, segurança 3%, então nós temos que defender isso. O problema do Brasil não é a Previdência, ela pode ser melhorada, a expectativa de vida aumentou, nós temos que botar ela pelo IDH, não é justo que seja uma idade para todos do Brasil porque senão o Nordeste vai subsidiar o Sudeste e o Sul porque senão aqueles que morrem mais cedo, ou seja, que têm a vida pior, vão subsidiar aquela população que morre mais tarde, que provavelmente tem uma vida melhor. Então tira a preferência do pobre para o rico, na Previdência. Se a previdência for ter uma aposentadoria mais velha, tem que ver a idade da população. A que idade chega a população da Bahia, a do Rio Grande do Sul, a de São Paulo, e aí colocar a aposentadoria pelo IDH. A transferência de capital do governo para os bancos tem que ser analisada. Tem que ser feita uma auditoria da dívida pública, nós temos que saber exatamente o que o Brasil paga porque a gente paga mais de 50% e isso a gente não vê ninguém debater, a gente não vê ninguém se manifestar, a gente só vê falar de Previdência, de reforma trabalhista, de Petrobras, mas 50% de tudo que o Brasil arrecada vai direto para os bancos, para pagamento da dívida e pagamento do juros da dívida pública e isso aí a gente não houve nem um "o quê que está acontecendo com a dívida pública?" ou então "para onde é que está indo esse dinheiro?". O PDT se preocupa com isso e isso é um dos principais pontos, e nós vamos abrir essa caixa preta.

 

No cenário estadual, o partido definiu apoio a indicação de Angelo Coronel para a majoritária de Rui Costa. O que fez o PDT desistir de não lançar um nome próprio, tendo em vista que até mesmo o senhor estava sendo indicado como um dos possíveis nomes para a majoritária?
O tamanho do PDT ainda. O tamanho não é compatível para lançar candidato a governador, ou senador. O PDT ainda não tem tamanho para isso. Mas temos o pré-candidato ao Senado, que é o Professor Desidério (clique aqui). A gente pode ser candidato ao Senado mas o Coronel dentre os candidatos que estavam sendo apresentados é o candidato que o PDT apoia também. São duas vagas.

 

É possível uma candidatura avulsa do Professor Desidério, para ser palanque para Ciro Gomes na Bahia?
Tudo é possível. As pessoas se lançaram, ele é o pré-candidato. O partido não deliberou ainda sobre isso, mas é possível, sim. Não é impossível. Possível, é.

 

No segundo semestre do ano passado, o partido estava insatisfeito com o governo de Rui Costa. O senhor chegou a dizer que o PDT era tratado como se não fosse importante dentro da coligação. Às vésperas da eleição, como o partido enxerga essa relação com o Rui Costa e com a base?
O PDT primeiro busca ter deputados estaduais, deputados federais, fazer a sua eleição, a eleição do PDT. O PDT também busca viabilizar a candidatura principal que é a de Ciro Gomes, que é uma iniciativa nossa, que a gente está tentando construir. E o PDT tem o mesmo tratamento que sempre teve. Não alterou muito não. Mas também nessa altura do campeonato o partido não vai reivindicar um espaço maior, menor, faltando alguns meses para encerrar o governo. Pode-se buscar nessa eleição que está chegando mudar algum tipo de tratamento ou espaço que tinha no governo. Não é o momento. A gente acha que o momento não é esse.

 

Ao contrário de muitos partidos, não é deputado? Que usam desse momento para pleitear um pouco de espaço e até ameaçar sair da base. Mas o PDT prefere não adotar esse caminho?
É. Eu acho que esse é o pior momento. É até bíblico, não é? Que você não deve levar aflição ao aflito. É um momento que está todo mundo precisando. A gente vai chegar e colocar alguém na parede? Não. Isso o PDT não faz.

 

Mas essas conversas ainda vão ser retomadas com o governador?
Claro. As conversas vão acontecer. O próximo governo eu espero que seja diferente.

 

Em Itabuna, o partido afirmou que vai seguir uma postura independente. É possível que isso ocorra aqui em outras cidades?
Não, não tem outras cidades. Onde tinha também era Euclides da Cunha, mas o nosso prefeito já foi a Rui Costa e já deu apoio também. O prefeito apoiava ACM Neto e agora está apoiando Rui Costa.

 

Todo mundo do PDT então está com Rui?
Eu não tenho um número assim de 417 cidades, mas se não for todo mundo, vai ser a grande maioria. Itabuna é um caso específico, que é uma cidade grande, uma das 10 maiores da Bahia. Mas que houve um caso específico que o prefeito apoiou porque era do DEM. O governo que fez essa movimentação que até hoje eu acho errado, mas tudo bem.

 

Com apenas um deputado federal na Câmara, qual é a meta da sigla para garantir mais cadeiras na próxima eleição?
Queremos fazer três deputados federais.

 

A candidatura de Popó pode ser colocada como uma forma de puxar outros candidatos?
Tem a candidatura de Popó e diversos outros nomes. Cosme Araújo em Ilhéus, Mangabeira em Itabuna, Capitão Castro, Fabrício que era presidente do PROS, Pastor Alex, diversos outros nomes são candidatos a deputados federais que a gente espera fazer perto de 500 mil votos.

 

Vocês vão sair no chapão?
Não, nós vamos sair independente. Talvez a gente faça alguma coligação com um partido menor, mas vamos analisar a partir de agora, mas o PDT vai sair em uma chapa independente para deputado federal. E a gente calcula que tenha uma votação de legenda bastante razoável. Esse ano muda a ordem de votação. A ordem é deputado federal, estadual, senador, senador, governador e presidente. Então a chapa de deputado federal vai puxar muito voto de legenda. Então quem tiver deputados fortes a governo do estado ou a presidente, consequentemente vai ter muitos votos para a legenda e o PDT espera ter pouco mais de 80 mil votos de legenda.

 

Apostando em Ciro?
É, apostando que Ciro traga. Na eleição passada, o primeiro voto, que foi voto de deputado estadual, nós já tivemos perto de 80 mil votos de legenda. Então é uma votação razoável de legenda que nós temos.

 

Recentemente o governador nomeou o advogado Matheus Barreto Gomes, que é o genro da sua irmã, atual secretário de agricultura para direção do IAT. O senhor acha que a nomeação familiar pode trazer questionamentos do ponto de vista moral? Já que é uma vaga do PDT?
Você olhou também o currículo dele? Você sabe que ele é formado, pós-graduado? Doutorado? Você deveria saber primeiro antes de fazer a pergunta. Ele foi nomeado estritamente pela qualificação profissional.

 

Quando o Victor Bonfim, ex-secretário da Agricultura, indicado pelo PDT, se filiou ao PR, o senhor comentou para o Bahia Notícias que seria uma falta de ética. Um mês já passado esse fato a opinião do senhor continua a mesma?
Ele se chateou com o partido, mudou e de lá para cá eu não tive mais nenhuma conversa com ele. Ele optou por não participar da legenda pedetista. Ele ficou no PDT até o final do mandato dele como secretário.


O senhor vai participar da comissão de Rodrigo Maia para discutir o foro privilegiado. Como a Câmara vai tratar dessas decisões?
Como a Câmara vai tratar, eu não sei ainda, até porque eu sou apenas um suplente lá mas eu acho que o foro privilegiado não deve existir para ninguém. Nem para deputado, nem para senador, nem para juiz, nem para promotor, nem para jogador de futebol, nem para jornalista, para ninguém. Ou seja, hoje eu acho que a maior quantidade de pessoas com foro privilegiado é na Justiça, os juízes.. Também tem na política, os deputados. Tem diversos níveis de foro privilegiado e o foro privilegiado vai apenas acontecer para pessoas que envolvam cargos. Ou seja, se algum deputado for lá, não é o meu caso, e defender a liberação das drogas, se ele não for deputado, estará defendendo algo ilícito, algo contra a lei. Se algum deputado ou senador defender a liberação das drogas pode ser opinião dele, então ele não pode ser penalizado por isso. Mas se um deputado, um juiz, ou qualquer outra pessoa bater na mulher, não tem nada a ver com o mandato. Ele está cometendo um crime normal. Se ele roubar, não tem nada a ver com o mandato. É um crime normal. Então não pode ter foro privilegiado para agressão, roubo, independente de onde seja. Se ele for prefeito e roubar a prefeitura, não tem foro privilegiado para isso. Então não tem nada a ver com o mandato. Agora se ele for prefeito e defender um reajuste dos professores ou um calçamento de uma rua, a reconstrução do Centro Histórico, ele tem que ter o foro privilegiado para analisar isso, senão as ações de um prefeito, deputado, senador, podem ficar restritas dentro da Justiça.

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