Segunda, 20 de Outubro de 2014 - 11:00

Rui Costa

por Juliana Almirante/Maria Garcia

Rui Costa
Fotos: Bahia Noticias/ Arquivo
O governador eleito no último dia 5, Rui Costa (PT), foi entrevistado pelo Bahia Notícias em meio ao evento de apoio da candidatura de Dilma Rousseff (PT), no último dia 16. Ele elenca as três áreas consideradas prioritárias nos primeiros meses de seu governo (saúde, segurança pública e educação) e, diante de especulações sobre possíveis nomes para as secretarias, declarou que os terá somente em dezembro e nada ainda foi conversado. Em relação a uma possível eleição de Aécio Neves, Rui é bem taxativo ao perfilar os seus adversários tucanos. “A má vontade do PSDB com o nordeste é histórica e está presente nos dias de hoje”, comenta o governador da Bahia a partir de 2015. Costa aponta a interferência política como o principal motivo do adiamento da operação comercial, contudo, garante que os prazos das obras não foram prejudicados.  
 
 
O senhor tem falado nas entrevistas que não pretende até agora fazer nenhuma especulação sobre os nomes das secretarias. O que o senhor acha que o seu eleitor pode esperar nos primeiros meses do governo?
Eu preparei um programa de governo que eu divulguei amplamente. Está disponível na internet. Registrei na Justiça Eleitoral. E o que eu vou fazer do primeiro ao último dia é cumprir e buscar com toda a dedicação e muito trabalho aquele programa de governo. As primeiras medidas serão voltadas para a saúde, para a segurança pública e para a educação. Evidente que iremos cuidar de todas as áreas, mas estas, eu diria, têm um caráter mais emergencial e as primeiras ações, as primeiras medidas, as primeiras reuniões que eu irei fazer serão dessas três áreas. Evidentemente, cuidando destas três áreas e a escolha do secretariado é apenas uma questão... a decisão precisa ser tomada de uma forma muito madura. E eu quero evitar esse período de especulações. Eu não iniciei nenhuma conversa ainda com ninguém, com nenhum partido político e não irei iniciar antes do mês de novembro. Até o dia 26 eu estarei na campanha de Dilma, vou tirar duas semanas para descansar com a minha família e só após isso eu vou reunir a equipe de transição e iniciar o diálogo com todas as lideranças e todos os partidos sobre a composição do governo e eu anuncio até ... provavelmente, o dia 10 de dezembro o secretariado para que todos tenham, pelo menos, 20 dias para fazer a transição para discutir os elementos de passagem do governo. 
 
Quais serão, então, as primeiras medidas tomadas pelo governo nestes primeiros dias?
Na área da saúde eu já pedi para se fazer um diagnóstico do que pode ser melhorado em curto prazo do ponto de vista da gestão, da economia de recurso, da otimização e do aumento da produtividade e do atendimento. Ou seja, temos uma estrutura instalada na rede estadual e temos uma rede municipal, uma privada e filantrópica. Então, eu diagnosticarei até dezembro o que com essa rede existente eu posso já, no primeiro semestre do próximo ano, aumentar o atendimento e exames da população. Ou seja, independente das construções de hospitais que eu irei fazer, e o primeiro será construído em Feira de Santana, e a obra será iniciada ainda no primeiro semestre de 2015, eu já quero tomar medidas de otimizar as estruturas existentes para fazer mais exames e mais consultas com a mesma estrutura já nos primeiros meses de 2015. 
 
Em relação ao segundo turno, se Aécio for eleito, o senhor acredita que existe a possibilidade das obras não andarem?
Eu acho que muito mais do que uma questão de perseguição ou não, se trata de uma questão de valor e de opção. Eu cito a questão da industrialização. O bloqueio das indústrias do governo a exemplo da Ford que São Paulo e Minas Gerais, com governadores do PSBD, insistem em perseguir a Bahia e perseguir o nordeste glosando os benefícios fiscais que trouxeram para aqui as indústrias. Então, é a forma de pensar deles. O bombardeiro que eles fizeram no Porto-Sul, em Ilhéus, o bombardeio que eles fazem uma vez que vem universidade para aqui. Eles disseram, no passado, que aqui era lugar de turismo e de agricultura. Quando eles votam, sistematicamente, no salário mínimo e o futuro ministro da economia caso ele ganhasse a eleição (Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no mandato de Fernando Henrique Cardoso) diz que o salário mínimo está muito alto, ele vai prejudicar a economia baiana e do nordeste. Isso não sou eu que estou falando, ele diz. Eu só estou analisando para a população, traduzindo o que ele diz e o que vai acontecer com a população. Por isso que eu considero péssimo para a Bahia e para o nordeste uma possível eleição. E não entro nesta história de perseguição porque a Bahia é um estado grande e vamos brigar, com todas as forças, para buscar os recursos. Mas é evidente que eu tenho muito mais diálogo, e terei as portas completamente abertas com a eleição da presidenta Dilma. A má vontade do PSDB com o nordeste é histórica e está presente nos dias de hoje. Um exemplo é a perseguição quanto às indústrias do nordeste. 
 

 
A produção industrial na Bahia sofreu algumas quedas ao longo deste ano. Quais seriam as medidas, na sua gestão, específicas para essa área?
O processo de industrialização da Bahia se alicerçou na produção de insumos e de matérias primas cujo beneficiamento é feito, na sua maioria, no sudeste. Queremos aumentar a verticalização da cadeia produtiva. Significa o quê? Por exemplo, estou implantando no pólo petroquímico um grande projeto de acrílicos da BASF. Um investimento de R$ 1,3 bilhão. Com esses produtos intermediários, químicos e plásticos, eu posso produzir aqui na Bahia e no Nordeste fraldas descartáveis e camisa, porque no oeste tenho algodão e poliéster. Então, essas camisas que usamos com esses materiais podem ser feitos aqui na Bahia, onde já temos as duas matérias primas. Eu posso montar aqui na Bahia duas indústrias têxteis e usar as duas matérias primas ao invés de mandar o algodão e o poliéster pra o sudeste ou, pelo menos, para outro país. O que tentaremos fazer é tentar aproveitar todas as cadeias produtivas da indústria e da agroindústria para produzir aqui na Bahia. Um exemplo, o que temos como exemplo aqui é o umbu, que é até a agricultura familiar aqui faz. Nós temos aqui duas produções industriais de beneficiamento do umbu em que a maioria da produção é exportada. Com comporta de umbu, suco, geléia etc. Um no município de Uauá e outro no município de Manoel Vitorino. Da grande indústria à produção familiar nós queremos verticalizar e estruturar as cadeias produtivas. A energia eólica, por exemplo. Já que a Bahia tem um potencial, montamos todas as indústrias que produzem, a torre, as pás, o gerador.... Tudo aqui na Bahia. O que tentaremos fazer é justamente isso. Temos agora o pólo industrial que vai montar navios no recôncavo. O estaleiro. O que nós queremos fazer junto do estaleiro? Montar um pólo do recôncavo. Pra quê esse pólo? Pra produzir peças para fornecer ao estaleiro. Ao invés das peças virem de outros países ou estados, nós queremos ter um pólo industrial aqui de junto que produza para fornecer o estaleiro. Essa é a estratégia que iremos adotar, para o adensamento da verticalização das cadeias produtivas. 
 
Em relação ao metrô, houve um adiamento na operação comercial por conta de indecisões entre a prefeitura e o governo do estado...
Eu acho que a política interferiu nisso. Espero que passada a eleição volte somente a racionalidade e a gestão administrativa, porque na minha opinião teve intervenção política neste processo.
 
Os prazos para a conclusão das próximas obras serão mantidos?
Os prazos estão mantidos. Eu quero tranquilizar o povo da Bahia que, até o final do meu mandato, nós vamos inaugurar todas as estações previstas no projeto e Salvador terá 41 km de extensão do metrô dentro do meu mandato eu terei o orgulho e o prazer de estar junto com vocês, jornalistas, inaugurando cada estação e a cada estação pronta o povo já vai começar a usar. Não precisa esperar todo o trecho. Então Pirajá vai ficar pronta e será logo usada. A próxima estação vai ser o do Detran já da linha 2. Então, assim que ficar pronta, a população vai usar. Então assim, sucessivamente, a cada período nós vamos ter uma inauguração de uma estação e o povo vai utilizar tanto a linha 1 quanto a linha 2. 
 
E quanto ao complexo esportivo de Pituaçu, o projeto acabou sendo engavetado. Teve até a duplicação da Avenida de Pinto de Aguiar...
(interrompeu) Não ...  quem disse?
 
Veiculamos uma matéria sobre isso no nosso site...
Não... Isso faz parte do meu programa de governo e continua. Eu quero montar um complexo esportivo com perfil olímpico até para que, em 2016, nós possamos disputar algumas modalidades. Já temos o equipamento para o judô em Lauro de Freitas de padrão internacional para que possamos atrair competições internacionais para aquele ginásio. Ficou muito bonito. Devemos estar inaugurando o estádio em Cazajeiras, em que eu vi e pela foto ficou muito bonito. Demorou, mas ficou bonito. E Pituaçu será um complexo esportivo, você pode ter certeza disso... não abandonou não. 
 
Tem algum prazo para a conclusão?
Aí não. Nós nem começamos...
 
Vai ser entregue no final do seu mandato?
Olha, eu não queria dar prazo aqui até porque é o seguinte. Quanto às obras do complexo eu não preciso fazer tudo de uma vez e todos os equipamentos juntos. Eu posso fazer a pista, posso fazer o ginásio, posso fazer a piscina, ou seja, um complexo com vários equipamentos em que nós podemos construir paulatinamente. Eu não quero dar prazo porque eu não tenho planejada a execução e nem está encaixado o recurso, portanto eu não vou dar prazo. Do metrô eu dei prazo porque nós temos um cronograma feito. Do VLT no subúrbio eu posso dar prazo e dizer que vou inaugurar o VLT de Paripe até o comércio e até a Lapa no meu governo. Isso eu posso dar prazo porque já tenho um planejamento, já tenho um recurso. Do complexo eu ainda vou fazer isso então mais na frente, daqui a alguns meses, eu posso lhe dar prazo. Neste momento eu não tenho como te dar.

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