Segunda, 03 de Junho de 2013 - 13:00

Jaques Wagner

por Evilásio Júnior / José Marques / Francis Juliano / Bárbara Affonso

Jaques Wagner

Satisfeito com a postura aberta do prefeito de Salvador, ACM Neto, para dialogar com o PT sobre um eventual apoio em 2014, o governador Jaques Wagner conversou com o Bahia Notícias sobre as próximas eleições e a possibilidade de racha dentro da base do governo estadual. “Em política, você nunca tranca a porta”, declarou o gestor, ao afirmar que, “seguramente”, se empenharia para garantir o apoio do prefeito à reeleição da presidente Dilma Rousseff. “Se depender de algum esforço meu para que ele venha apoiar a Dilma e até apoiar eventualmente o nosso candidato aqui no Estado, ou pelo menos a Dilma a nível federal, não tenha dúvida de que eu vou trabalhar. Eu não vou brincar com eleição”, explicou. Sem citar suas preferências para a sucessão estadual na Bahia, o Wagner negou que a senadora Lídice da Mata seja seu Plano A e despistou quando perguntado sobre o nome de Rui Costa, apesar de confirmar a sua candidatura a deputado federal e a do vice-governador, Otto Alencar, ao Senado. “O plano A está na minha cabeça e eu não revelo para ninguém, senão estraga tudo”, argumentou. “Não dá para encaixar em três vagas dez, oito ou sete pretensões. Alguém terá que entender que é possível ceder. E eu sou um cara que não fica com medo da sombra”, completou. Sobre 2018, o gestor adiantou que não colocará seu nome para as eleições presidenciais e não descartou a ideia de apoiar Eduardo Campos (PSB). “O PT, depois de 16 anos sentado na cadeira da Presidência da República, tem que arejar e ver a possibilidade de ter nomes dentro dos partidos da coligação”, declarou. Wagner falou ainda sobre os prazos para o metrô da capital, ao considerar como legado de sua gestão as intervenções em mobilidade urbana. “Não tem mais nenhum obstáculo. Eu acho que no começo do segundo semestre a gente já vai ver essa obra”, vislumbrou.

Bahia Notícias – ACM Neto declarou, em entrevista recente ao Bahia Notícias, que pode apoiar Dilma Rousseff e o PT em 2014. Surpreso, governador?
 
Jaques Wagner – Olha... Não. Porque até agora na relação que a gente tem construído, tanto de apoio do governo federal quanto do governo estadual, à prefeitura de Salvador, não tenho encontrado nenhum obstáculo administrativo. E, como eu acho que a política é dinâmica – já se disse que política é como as nuvens: a cada dia você olha, ela está com uma configuração diferente – e como eu sou uma pessoa que tem marcado a atuação na política, principalmente aqui na Bahia, mas também a nível nacional, por essa capacidade de aglutinar, de dialogar, eu não acho que nada seja impossível. É evidente que eu fico satisfeito de ver uma postura aberta do prefeito da capital. Ele tem realmente uma missão que lhe foi delegada pelo povo de Salvador extremamente importante, que é recolocar Salvador com sua autoestima elevada, recolocar Salvador como uma protagonista, como terceira maior capital, como uma capital da cultura, da miscigenação, capital-mãe do Brasil, a primeira do Brasil e a que até hoje foi o mais longo período como capital do país. Ele sabe, eu disse a ele desde o primeiro momento, que já é uma marca minha: “eu não vou perguntar em que partido está o prefeito, eu quero saber das necessidades da cidade”. Então, se tiver confluência desses interesses... A gente tem trabalhado junto, a gente tem estado presente em todas as inaugurações. Ele me demandou e à presidenta Dilma – talvez tenha sido um dos primeiros prefeitos que ela recebeu – com muita clareza que, como líder de oposição, ele tinha a tribuna para garantir o seu mandato, a sua atuação política. Agora, como prefeito, ele tem uma missão e que queria contar [com Wagner e Dilma], apesar de que nunca lhe foi exigido nenhuma declaração de alinhamento. Claro, as pessoas vão se movimentando na política em função do relacionamento, como ele mesmo disse, do diálogo. Então, se o diálogo está aberto e está bom, evidente que uma posição dessa pode ser construída. Eu ainda acho que está muito cedo, apesar de que todo mundo do mundo político e vocês que cobrem política, acabada uma eleição, não dá três meses e a gente já está conversando da próxima (risos). Este ano é um ano muito mais de realização, até porque a eleição vai bem quando você entrega seus compromissos com a população. Esse é o ano de trabalhar. Eu pretendo, inclusive, deixar para o último trimestre deste ano um processo mais acelerado de definição dentro do PT e dentro desse coletivo político, que é um conjunto político muito grande – a gente acabou de fazer uma reaproximação com o PR em nível estadual, com o PTB também, com o PSC... Eu considero que a gente tenha uma base que fala de unidade para 2014 e é claro que eu vou continuar trabalhando para ajudar a presidenta Dilma. Do ponto de vista do prefeito, ele é um prefeito jovem, que está começando sua carreira no Executivo. Eu acho que ele vai olhar o que efetivamente é bom para Salvador, é bom para a Bahia e é bom para ele como carreira política. Eu não fecho portas, até porque hoje eu convivo com muitas pessoas no meu grupo político que eram do grupo político do PFL e do DEM e, graças a Deus, essa relação é muito tranquila. Eu não me surpreendo porque acho que as pessoas têm que ter a cabeça aberta e não trancar portas. Em política, você nunca tranca a porta. Você deixa a possibilidade, sem perder o seu prumo, o seu rumo, mas você deixa a possibilidade de ampliar.
 
BN – Mas, por exemplo, na questão da transferência do metrô, já houve um certo alongamento da discussão, além do que se esperava, da relação entre a prefeitura e o governo do Estado. Nas futuras discussões que envolverão as duas gestões haverá sempre esse embate, de forma que acabe por atrasar as obras para Salvador?
 
JW – O atraso na decisão do metrô realmente não era desejado, mas é compreensível na medida em que era um grupo que estava chegando à prefeitura e precisava tomar pé do que estava acontecendo. E, repare, eu trabalho com parceria, não trabalho com submissão. É claro que o prefeito também tem legitimidade para defender os interesses do seu governo, como nós defendemos o nosso. Na hora que teve dificuldade, eu disse: “Olha, desse ponto não dá para ultrapassar”, porque afinal de contas nós estamos assumindo uma responsabilidade enorme que é receber o trem do Subúrbio, receber a própria CTS [Companhia de Transporte de Salvador], receber o metrô, que é um trauma para nossa cidade e que finalmente agora a gente está publicando o edital. Eu espero que tudo corra bem e que a gente definitivamente possa começar uma obra que não vai parar. Nós vamos começar a obra, concluir a Linha 1, começar a Linha 2 e ela irá até o final. Deus queira que, quando a Linha 2 estiver completando em Lauro de Freitas, a gente já possa pensar em outras ampliações. Porque o metrô no mundo inteiro começa assim: são 20, 25, 30 quilômetros e depois tem metrô em lugar do mundo que chega a 150, 200 quilômetros. Eu acho que agora tem consistência, tem o aporte do governo federal, do governo estadual, tem quatro grupos inscritos que devem disputar o edital de licitação. Acho que agora tem musculatura, tem projeto, as coisas estão todas trabalhadas, somadas àquelas intervenções na transversal ao metrô, na Avenida Paralela. A 29 de Março, o próprio viaduto do Imbuí, a Avenida Gal Costa, a [duplicação da] Pinto de Aguiar, todas essas, eu não tenho dúvida que vão contribuir para melhorar o complexo. Da nova avenida Lobato-Pirajá, que desafoga todo o tráfego da Suburbana para mergulhar na Estação Pirajá, estamos pensando em uma extensão para Valéria e ver como é que a gente complementa até Cajazeiras. Já tomei uma decisão, na medida em que a rodoviária é de tutela estadual, porque ela trabalha com o público do [transporte] intermunicipal, que é a Agerba que controla. Nós vamos trabalhar com uma permuta do terreno do Detran, no terreno da própria rodoviária, e jogá-la na altura de Valéria, conectando com o metrô. Com isso, eu facilito a vida do povo do interior, que vai chegar em um local onde vai se desenvolver uma grande rodoviária, provavelmente com comércio no entorno; vai chegar no metrô, um transporte coletivo que vai trazê-la para dentro da cidade; e a gente ajuda Salvador, porque aquele olho do furacão que é o Iguatemi deixa de receber todo dia aquele movimento de muitos ônibus do interior. Então, o atraso foi puxa-estica: “eu quero mais um tanto”, “eu só posso sobreviver com tanto”... E, no final, batemos o martelo. O importante é que a gente bateu o martelo. Nas outras obras, até agora, praticamente a gente não teve discussão. Eu sei que ele está pensando na orla. Nós estamos pensando na orla. Já conversamos sobre o réveillon de 2013... Eu vou repetir o que o presidente Lula dizia: não é o dinheiro que faz o projeto. É o projeto que faz dinheiro. Um bom projeto, uma boa proposta, agrega pessoas e agrega também valor. Comigo, até agora, não estou vendo dificuldade e espero que a gente continue assim, a bem de Salvador, porque Salvador efetivamente careceu de investimentos mais estruturantes. Da minha parte e da parte da presidenta Dilma, só essas obras, fora o metrô da Paralela, vão bater R$ 1 bilhão. É muito investimento.
 
BN – A prefeitura teve queda grave na arrecadação dos principais impostos. O senhor acha que a abertura de uma possibilidade para apoio do prefeito de Salvador ao PT em 2014 é uma forma de manter a governabilidade, com os governos federal e estadual próximos a ele?
 
JW – Ele não depende disso para ter a colaboração dos governos estadual e federal. A Dilma, a exemplo do ex-presidente Lula, tem obras em São Paulo, que é o emblema da oposição a ela; o Lula tinha muita obra no Ceará, do senador Tarso Jereissati (PSDB) e do Lúcio Alcântara (PSDB), campeão de oposição. Como sou da escola dele, eu creio que o Lula nesse aspecto tem muita clareza. Na hora do palanque, cada um está do seu lado. Na hora de governar, você não vai maltratar e sacrificar o povo porque, na liberdade da democracia, o povo escolheu quem quer que seja. O que eu quero dizer é o seguinte: independente da posição que ele vai ter em 2014... Óbvio, se ele quiser vir apoiar Dilma, eu vou bater palma! Se depender de algum esforço meu para que ele venha apoiar a Dilma e até apoiar eventualmente o nosso candidato aqui no Estado, ou pelo menos a Dilma a nível federal, não tenha dúvida de que eu vou trabalhar. Não estou trabalhando por isso, mas isso faz parte da minha missão de dar uma grande vitória para ela aqui na Bahia. Sinceramente, não tem essa colocação. A conversa que ele teve com a Dilma até antes da posse foi muito franca de parte a parte. Comigo, algumas pessoas ficam achando: “olha, o senhor está investindo agora, por que não investiu antes?”. Eu digo: “os projetos foram maturando”. A gente tinha muito projeto. A questão do metrô foi de um processo, que se arrasta desde João Henrique. Quando eu decidi assumir o metrô, podia ter sido batido o martelo até com ele, antes de Neto chegar à prefeitura e até antes da eleição. Mas as coisas não foram prosperando. Tanto que, logo na transição, a equipe da Casa Civil, de Rui Costa, se sentou com a equipe que era comandada pelo ex-governador Paulo Souto, que era a transição de Neto, e foram trabalhando. Então, repare, se você me perguntar: “o senhor trabalharia, faria um esforço por isso?”, seguramente. Eu não vou brincar com eleição. Por mais que alguém diga que a Dilma está bem, se eu puder trazer mais alguém, eu vou trazer. Agora, ele não depende disso, tanto que ele nunca afirmou que ia fazer essa coisa e a Dilma está botando através do governo do Estado R$ 1 bilhão aqui. Nós fizemos o emissário submarino, vou ajudar na questão da orla, estamos discutindo réveillon. O Réveillon de 2013 para 2014 é praticamente o meu último, porque em 2014 entrando em dezembro a gente praticamente já está fora (risos). Eu queria dar um Réveillon maior, ele também está com essa ideia. Eu, sinceramente, separaria essa questão da gestão. Todo mundo sabe que, ao assumir o metrô e o próprio o trem do Subúrbio, nós tiramos um peso da prefeitura que, como você colocou muito bem, tem um orçamento super apertado e não tinha capacidade de tocar o metrô. A Dilma está botando R$ 1 bilhão, nós vamos botar acima de R$ 500 milhões e depois o governo do Estado ainda vai ficar com a responsabilidade de bancar mensalmente um subsídio. Todo metrô do mundo depende de subsídio e esse orçamento da prefeitura não teria a menor possibilidade de suportar isso. Eu acho que ele pode estar dizendo que discute com qualquer um... Repare. Quando você é bem tratado, é impossível você, de lá pra cá, tratar com grosseria, com desdém. Se isso vier a acontecer na relação, eu acho ótimo, mas não é o que está posto por conta das obras.
 
BN – O senhor falou de adesões, que trabalha agregando. Hoje, no cenário político, na oposição a gente não vê nomes em ênfase. Será que essa política de agregar não pode também fortalecer um possível opositor nas próximas eleições?
 
JW – É aquilo que eu falei, você não pode fechar porta. Nós temos trabalhado, as pessoas têm visto o tipo de trabalho, a forma democrática que eu toco, porque na verdade nós giramos 180 graus o estilo do fazer política aqui. O estilo antes era muito mais impositivo e eu sou muito mais da conquista pelo diálogo. Eu digo sempre que é melhor conquistar pela sedução do que pelo constrangimento. Então, é claro que a gente agregou muita gente, mas estão aí o DEM, o PSDB e o PMDB na oposição aqui no Estado, e existem nomes.
 
 
BN – Tem se falado em duas figuras que possivelmente podem concorrer: Marcelo Nilo e Otto Alencar também podem ser candidatos, não é?
 
JW – É óbvio que a gente felizmente no grupo tem vários nomes, dentro e fora do PT. Eu já disse que nenhum grupo político sobrevive impedindo que o outro cresça, e nas eleições de 2012 todo mundo cresceu: o PT foi para 90 [prefeitos], o PSD para 70, o PP passou de 50, o PDT passou de 40, o PSB passou de 20 prefeituras. Todo mundo está satisfeito porque todo mundo agregou, e nas eleições de 2010 também. Eu concordo que quanto maior a base aliada, mais difícil para você conduzir. Mas eu sinto no pessoal da base aliada, com esses nomes que você citou, que há uma disposição para gente dialogar, mas respeitar a condução do governador, que é o cargo mais importante do Estado. Dentro do PT também existe este sentimento. E eu creio que a gente vai ter habilidade, porque são 12 partidos. Na majoritária, nós temos três vagas, que é o governador, o vice e um senador, além do suplente de senador. Eu, para contribuir com isso, já abri mão também daquilo que se considera natural, que é um governador reeleito sair do governo e ir para o Senado. Se eu sair, eu prefiro ir para deputado federal, para ser um puxador de legenda e deixar mais confortável o acerto entre os partidos. Realmente, você citou nomes. E eu poderia citar outros: Lídice da Mata, do PSB, Mário Negromonte, do PP... Ou seja, a gente tem pessoas com experiência e tamanho político para pretender. Mas eu, sinceramente, sinto, até pelo jeito que a gente vem conduzindo, dando espaço para todo mundo, que há uma disposição para a gente trabalhar em conjunto. Eu não vejo, pelo menos por enquanto, uma ideia de construção de uma divisão dentro do próprio grupo. E evidente que a oposição seguramente terá candidato. O cenário nacional também está incerto. Tem a candidatura certa da presidenta Dilma para a reeleição, que eu acho que é o natural da política; tem a candidatura de Aécio [Neves, senador pelo PSDB], que capitaneia as oposições ao governo; e esse é o embate tradicional desde 1994, já que em 1989, na primeira eleição direta, nós tivemos muitos candidatos e o segundo turno acabou sendo Lula e [Fernando] Collor. De 94 para cá, há um embate histórico até agora. Tem 20 anos que sempre foi PT e PSDB, o que não quer dizer que esteja impedido vir outro candidato. [Anthony] Garotinho foi candidato, Ciro Gomes foi candidato, Marina [Silva] foi candidata... Mas eu sei que na cabeça do povo funciona muito uma lógica de governo e oposição. Você tem essas duas candidaturas. A do Aécio, que vai se consolidando com a convenção que ele fez, de unidade do PSDB, em São Paulo; tem a candidatura da Marina, que tem, vamos dizer, uma estrada própria de uma questão ambiental e uma questão da chamada ética na política, que eu acho que é muito a cara dela, mesmo. Eu acho que ela é uma bela figura humana e uma bela figura política. E eu acho que tem a possibilidade, por enquanto, da candidatura do Eduardo Campos, que se colocou, não bateu o martelo, não disse “vou ser e não abro mão de ser candidato”.

BN - O senhor teve uma conversa recentemente com Eduardo Campos. Qual foi a sua impressão?

JW -
Dentro do partido dele [PSB] há debate muito intenso, alguns achando que é precipitado, que é melhor guardar para 2018, há alguns que acham que tem que ser agora. Eu estou muito à vontade, porque as minhas ideias eu coloquei para ele em uma conversa muito franca, de seis horas. Depois já coloquei várias vezes publicamente e agora, mais recentemente, em uma entrevista, e vou insistir. Nós estamos juntos desde 89, com a Frente Brasil Popular, com o PT, o PCdoB o PSB... Eu diria que esses foram os partidos que desde o primeiro momento estiveram juntos. Depois tivemos outros partidos, como o PDT, PMDB. Mas estes três constituíram. E construímos isso que hoje está se vendo aqui no Brasil nessa caminhada que, eu repito, não começou com o presidente Lula, porque o Itamar [Franco] fez sua parte, o Fernando Henrique [Cardoso] fez sua parte e depois o Lula fez como ela [Dilma] está fazendo. E eu disse a Eduardo que eu acho que o momento mais próprio para uma incursão dele seria 2018 e acho que o PT também tem que se abrir para discutir essas possibilidades, porque a gente não vai manter um grupo unido se a gente disser: “aqui só prospera se for do PT”. Eu acho que se tem que abrir, efetivamente, espaço, principalmente depois de 16 anos. Quando a gente chegar em 2018, são 16 anos de governo do PT. Eu aqui ganhei com 16 anos do DEM no governo. O PT perdeu a prefeitura de Porto Alegre depois de 16 anos no governo. Em Vitória da Conquista foi até uma exceção. Nós estamos caminhando agora para 20 anos. Mas, eu acho que essa possibilidade existe e que tem que ser aberta essa discussão. Eu gosto de dizer que a gente organiza o nosso time. As outras candidaturas quem organiza são os outros. Eu dei minha opinião, externei. Vamos aguardar a decisão do PSB. Se ele lançar a candidatura, vamos ver como é que ele vai se posicionar. Porque, também, não tem muito como a gente tergiversar. Quando você lança candidatura fora do governo, inevitavelmente você vai dizer: “Sou candidato porque acho que esse governo não está em um caminho correto”. É difícil você fugir e não acabar se transformando em uma candidatura de oposição. Você não vai ficar falando bem do governo e dizendo: “mesmo assim, eu sou candidato”. Inevitavelmente você vai ter que falar que discorda disso e daquilo. E aí que eu acho que há dificuldade porque quem mais tem o patrimônio da oposição ao projeto do PT, no caso a ela [Dilma], é o PSDB. E alguns falam: “ah, e se a economia for mal?”. Eu hoje vi uma notícia de que, no mês de abril ou maio, houve a menor taxa de desemprego dos últimos 11 anos. Então, se a gente continuar tomando medidas e mantendo a economia em processo de crescimento, mesmo que não seja tão espetacular, mas mantendo esse padrão de consumo, esse padrão de progressão na sociedade do nível de emprego, eu acho que ela [Dilma] vai desembarcar extremamente forte lá em 2014. O quadro não está definido, por isso que também não fica definido aqui. Se tiver a candidatura de Eduardo, quem será o palanque dele, por exemplo, na Bahia? Lídice que vai fazer o palanque dele? A gente ainda não sabe. Eu continuo torcendo para que a gente esteja junto a nível nacional e a nível estadual, mas vou ter que esperar a decisão dele. 
 
BN – A senadora Lídice da Mata declarou que seria o Plano A de Jaques Wagner ao governo do Estado, enquanto o presidente do PT na Bahia, Jonas Paulo, afirmou que não abriria mão de uma candidatura do partido em 2014 e que em 2018 o candidato à Presidência da República seria Jaques Wagner...
 
JW – Primeiro, está longe de mim colocar 2018. Óbvio que há meu nome dentro do PT, sempre que você procurar quatro, cinco nomes do PT pensando em 2018; o que é absolutamente precipitado porque a gente ainda nem ultrapassou 2014.
 

BN – Mas o senhor já citou Eduardo Campos em 2018.
 
JW – Não. Eu falei para ele que a hora dele mais própria é 2018. Isso eu digo, porque acho que é. É a minha opinião que é precipitação dele colocar esse tema logo agora em 2014. Eu já disse com muita tranquilidade. Primeiro, porque eu já tenho uma vaidade super atendida de ser governador da Bahia por oito anos. Para quem chegou como eu cheguei, sem nenhuma estrutura familiar nem de nenhuma tradição, sair do movimento sindical e virar deputado, virar ministro e virar governador por duas vezes... A gente tem que modular a vaidade da gente. Eu digo sempre que sonho é o alimento da alma e obsessão é o veneno. Se o cara fica obsessivo por um negócio, “eu vou ter que ser candidato”, o cara acaba se atropelando. Até no namoro é assim. Quando o cara fica obsessivo por uma menina, acaba fazendo uma bobagem. E, por incrível que pareça, amor e ódio são duas vertentes da paixão humana que muitas vezes migram, de uma para a outra, por isso. O amor daqui a pouco vira ódio por conta da obsessão. Então, eu não tenho obsessão. Se você me perguntar se eu gostaria, óbvio. Se meu nome for cogitado e eu estiver preparado, mas eu já estou preso pela minha palavra, porque eu já disse que eu acho que em 2018 o PT, depois de 16 anos sentado na cadeira da Presidência da República, tem que arejar e ver a possibilidade de ter nomes dentro dos partidos da coligação que nos ajudaram nessa caminhada que possam também chegar. Eu não acho que a gente deve ter o monopólio da Presidência da República, o monopólio do eu sozinho. Uma andorinha só não faz verão. Por isso, eu não vou colocar o meu nome para 2018. E quero deixar bem claro que não tenho nenhuma restrição a nenhum partido, muito menos a Lídice, que é uma companheira de longa história. Foi a primeira prefeita mulher de Salvador, a primeira senadora mulher eleita pela Bahia e tem qualidades que todo mundo reconhece, de compromisso com o povo, de seriedade e honestidade, e que já teve a sua capacidade de gestão testada, quando teve que governar em uma adversidade danada. O estilo político da época, como ela era de oposição ao governo do Estado, foi quase que um massacre em cima da gestão. Eu reconheço também, com a mesma sinceridade, que há uma legitimidade do PT de pleitear. Nós temos nomes dentro do PT, o maior partido de sustentação da Dilma e do meu governo. Temos aí o nome de [José Sérgio] Gabrielli, de [Walter] Pinheiro, de Rui Costa, de [Luiz] Caetano, que estão colocados. Nós vamos ter que afunilar isso aí entre outubro e novembro deste ano. Mas é evidente que Lídice é um nome que pode ser colocado, como é o nome de Marcelo Nilo e é o nome de Otto, como eu já falei aqui. Agora, também, dizer que é o Plano A, não é verdade. Porque o Plano A está na minha cabeça e eu não revelo para ninguém, senão estraga tudo. 
 
BN – Mas todo mundo está dizendo que é Rui Costa...
 
JW – O nome de Rui Costa sempre é tocado porque ele fez um trabalho e cresceu muito no governo. No primeiro governo, ele era vereador [suplente em Salvador] e abriu mão de ser candidato para poder continuar na articulação política. Nós fomos eleitos com minoria na Assembleia e ele foi quem conseguiu fazer essa construção. Foi o deputado federal mais votado de nosso conjunto – acima dele só vieram ACM Neto e Lúcio Vieira Lima, ele foi o terceiro mais votado –, teve um bom desempenho e, agora, na Casa Civil, ele tem mostrado muita capacidade de execução. E tem o fato de que eu comecei minha vida no Pólo Petroquímico [de Camaçari] e ele era também do sindicato. Mas minha relação tanto com Caetano quanto com Pinheiro quanto com Gabrielli também são relações de longa data, do começo da vida do PT. Até porque eu não posso conduzir um processo desse por um critério de “meu amigo”, de gostar mais ou menos. Acho que todo mundo tem preparo e nós vamos ver aquele que estiver mais capacitado. Minha preocupação é que este projeto político seja mantido, seja no jeito de fazer política, que a gente mudou completamente, é um jeito mais democrático. Hoje as pessoas fazem política e o cara é seu adversário, você é situação, mas dá para conversar. Não está naquela lógica antiga que é no braço, na porrada, na intimidação. E que a gente continue um projeto com foco no social, fazendo esse resgate que a gente tem feito em água, em habitação, em hospital. Qualquer um desses nomes faz parte, e Lídice também faria parte desse ideário. Otto colocou isso muito bem, disse que na verdade as pessoas se juntam por um projeto político, mas essa definição nunca foi tomada. Eu torço para que uma eventual decisão do PSB de ter candidato não atrapalhe essa unidade aqui. Se isso acontecer, o que me resta é sentir. E aí eu também não sei qual vai ser a decisão de Lídice, se é de acompanhar ou não a presidência do partido nessa candidatura.
 
BN – O senhor falou de amor e ódio. A derrota do candidato Nelson Pelegrino nas últimas eleições para a prefeitura é creditada, principalmente, à relação do governador com os servidores públicos, principalmente professores e policiais militares. Como é que o senhor pretende terminar o mandato, no que diz respeito a essa relação?
 
JW – Seguramente, isso foi um dos elementos, porque esse agrupamento de sindicalistas e funcionários públicos sempre foi muito militante do PT. Óbvio que hoje outras agremiações partidárias também têm lideranças dentro do movimento social e eu acho isso muito bom. O PT não pode ter o patrimônio absoluto da relação com o movimento social. Hoje tem gente do PSTU e do PSOL que têm também lideranças dentro do movimento social. Aquela greve foi consequência de muito erro de condução, inclusive da minha equipe de negociadores na mesa de negociação, que colocou questões que acabaram esse processo. Eu acho que ela [greve] foi muito traumática, particularmente a dos professores. Insisto que a da Polícia Militar tinha uma lógica muito mais nacional, que era a questão da PEC 300. O movimento veio descendo Roraima, Rondônia, Maranhão, Ceará, já tinha aqui data marcada para descer para o Rio de Janeiro e Brasília. Teve uma conotação diferente e teve uma marca que toda a cidade acompanhou, de muita truculência no exercício da greve. No caso dos professores, teve outra natureza, mas eu creio até que na última sentada que nós demos com os professores, com os próprios militares, e agora recentemente com um conjunto dos sindicatos para discutir a questão do reajuste linear de 2013, eu diria que isso já deu uma destensionada (sic) e eu vou continuar exercitando isso. A minha marca sempre foi a do negociador e não é uma greve que vai tentar colocar em mim um carimbo de algoz, até porque não é o meu perfil. Agora, eu sou obrigado a dizer algumas limitações do Estado. O Estado tem Lei de Responsabilidade Fiscal, tem dificuldades orçamentárias e, portanto, eu não posso fazer tudo o que gostaria de fazer, principalmente na área de pessoal, que é a área mais monitorada pelo Tesouro Nacional e pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Por exemplo, estou recepcionando daqui até o ano que vem empréstimos da ordem de R$ 4 bilhões. É muito dinheiro, mas não tem um centavo desses que eu possa gastar em custeio e pessoal, porque o empréstimo, quando vem, já vem carimbado que tem que ser obrigatoriamente em obras de infraestrutura, até para evitar que o governador pegue um dinheiro de empréstimo para pagar o dia-a-dia do custeio da máquina, que ele tem que conseguir tirar da própria fonte. Temos aperto no custeio, todo mundo sabe disso. Você falava da queda de arrecadação da prefeitura e nós também tivemos em relação ao quadrimestre uma queda no FPE [Fundo de Participação dos Estados], um ganho pequeno no ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] e a soma dos dois praticamente empatamos o quadrimestre de 2013 com o quadrimestre de 2012. Se você pegar uma coisa empatada com outra, com tudo que cresceu – a população, as contratações que a gente tem feito – é óbvio que a gente está apertado. Nesse começo de 2013, já tivemos algumas sentadas com essas áreas todas. Com toda a área da saúde, conseguimos bater o martelo e fazer o acordo. Com a Fazenda, estamos discutindo agora. Estou acompanhando mais de perto todo esse processo, até porque minha vida inteira foi mesa de negociação salarial.
 

 
BN – Voltando a 2014, Otto Alencar tem sido clamado no interior, inclusive por ex-oposicionistas ao PT, por ter conseguido agregar muita gente à base governista. Como tem sido feita a arrumação na chapa para poder acomodá-lo e não deixá-lo ir para uma candidatura individual, o que poderia reforçar a oposição, que não teria nomes competitivos para a sucessão estadual? ACM Neto já disse que não é candidato e o outro nome é o de Geddel Vieira Lima, que apoia o governo Dilma. Como fazer para essa corda de Otto Alencar não esticar tanto que ele acabe novamente na oposição como o nome para disputar contra o candidato da base? 
 
JW – Primeiro, pela relação que a gente construiu. Não só política, mas até relação pessoal minha com Otto, Márcia [de Alencar, vice-primeira-dama do Estado], Fatinha [Fátima Mendonça, primeira-dama do Estado], os filhos dele. Não ganhei só um parceiro político, mas ganhei um amigo. E acredito que o sentimento é o mesmo de lá para cá. Quem foi fazer o convite a Otto fui eu. Ele estava lá no Tribunal de Contas dos Municípios e eu brinquei que aquele ainda não era o melhor lugar para ele, que ele ainda estava novo para ficar em uma Casa que tinha que julgar os políticos. A partir daí surgiu a questão da candidatura. Primeiro, era para senador. Depois, veio para vice. E eu sou um cara que não fica com medo da sombra. Eu vou dando corda para que os competentes vão andando. O PSD, que é recém-nascido na Bahia, já é o segundo partido da minha base. É óbvio que isso acontece pelo potencial do próprio PSD e do Otto, mas acontece também porque a gente estimulou as pessoas. Como com o PMDB também aconteceu quando ele estava na nossa base, no nosso primeiro governo. Eles saíram de 20 prefeituras, 21 ou 22, e foram para 115 prefeituras. Agora eles voltaram para a casa de 40. Não fico com o olho nas costas. Para mim, quem tiver competência que se estabeleça. Otto tem feito o trabalho dele, é um cara que é muito resolutivo na pasta que tem e é um “cabra” que sabe também muito bem cuidar da política. Ele sempre trabalhou na política. Mas eu não acredito, sinceramente, que haja qualquer tipo de ruptura ou que Otto se disponha a fazer um fracionamento do nosso grupo. É óbvio que qualquer um tem o direito de dizer: “meu candidato é Otto”, como outro dirá: “minha candidata é Lídice”, “meu candidato é Marcelo Nilo”. A vida é assim. Quando você vai montar um grupo, todo mundo acaba indo para uma composição, não necessariamente todo mundo vai fazer aquela, porque senão cada um teria uma candidatura. Otto tem colocado que o desejo dele é uma candidatura ao Senado, o que eu vejo como absolutamente possível dentro da equação que a gente for montar, mas ainda não tive uma conversa com ele mais aprofundada. Quero ver se faço isso agora, depois do feriado de Corpus Christi, nesta semana, para a gente ter uma conversa mais prolongada sobre essa questão da sucessão. Sinceramente, tenho muita confiança que a gente vai achar uma equação para manter o grupo unido. Não dá pra encaixar em três vagas dez, oito ou sete pretensões. Alguém terá que entender que é possível ceder. Acabei de ter uma reunião, essa semana, do chamado conselho político, que são os presidentes e líderes de todos os partidos da base. A reunião foi muito boa e já estavam lá José Rocha, pelo PR, Benito Gama pelo PTB e Eliel Santana pelo PSC, as últimas agregações que a gente fez. Como eu acho que a força da candidatura da Dilma puxa muito também e que a gente pode desembarcar bem em 2014, até porque o perfil de Otto é de trabalhar muito pelo grupo e pelo projeto, essa é a história política dele, não vejo essa possibilidade. Vamos ver como é que se desenrolam as coisas. A torcida do outro lado vai sempre apostar em um racha, em uma divisão da nossa, porque aí facilita. Como muita gente olha para a candidatura de Eduardo e torce, não por querer a candidatura dele, mas por entender que, se ele sair candidato, é uma fissura no bloco da Dilma. Mas a relação da gente é de confiança, um ajudou o outro, teve muita reciprocidade. Ele cresceu muito dentro do governo e o governo agregou muito pelo potencial que ele tem. Não vejo essa possibilidade, não.
 
BN – O governador gosta muito de conta e temos aqui uma equação para bater justamente a questão das vagas. Seria Walter Pinheiro candidato a governador e Otto Alencar e César Borges candidatos a vice e a senador, não necessariamente nesta ordem, porque aí abriria a vaga de Pinheiro no Senado e Roberto Muniz (PP) assumiria. Tem lógica essa conta? Rui Costa seria um boi de piranha e na verdade o candidato é Walter Pinheiro?
 
JW – Primeiro, eu não trabalho assim. Quando eu estou maturando uma ideia, eu não sou de ficar botando ninguém... Eu não gosto de trabalhar queimando ninguém. Até porque não tem nenhuma escolha proclamada por Rui Costa nem por ninguém. Essa conta que você fez tem lógica, na medida em que Pinheiro atende ao PP, porque subiria um membro do PP. Assim como você poderia dizer que Lídice atende ao PSB e o suplente, Nestor Duarte, é do PDT. Não estou dizendo que isso é desprezível. Esses podem ser elementos facilitadores, mas não acho que são predominantes. A conta mais simples de fazer seria a seguinte: os três maiores partidos são os que ocupam os cargos. Aí a gente estaria falando de PT, PSD e PP. Isso se você for para uma conta meramente matemática. Mas política não é só número. 
 
BN – Mas aquela outra seria para seduzir o PR.
 
JW – Na época, teve o convite para César Borges de sair senador e ele fez a opção de acompanhar a candidatura de Geddel. Para você ver como a gente trabalha. Poderia parecer que ficou uma animosidade e acabou que eu trabalhei e ajudei com a chegada dele ao ministério [dos Transportes]. Não sei qual é o compromisso dele com a presidenta Dilma, mas eu creio que, como ela disse que quer que os futuros candidatos sejam substituídos até o final de dezembro, começo de janeiro, eu não sei se César vai colocar uma candidatura ou se vai continuar trabalhando na hipótese de vitória dela, para continuar. Afinal de contas, ele assumiu tem um mês, um mês e pouco, o ministério. Seria muito pouco tempo. Ele é um cara super aplicado, tem se dedicado muito e acho que vai ajudar muito a acelerar obras da pasta dele da pasta dele. Tem a Fiol [Ferrovia de Integração Oeste-Leste], tem a Ferrovia Belo Horizonte-Salvador, a duplicação da BR-101, tem a 135, 235, 430, 030, 020... A Bahia é a segunda malha rodoviária, só perde para Minas Gerais. Eu não sei se a conta dele vai ser continuar ou indicar alguém do PR para uma candidatura.
 

 
BN – A gente gostaria que o senhor fizesse um resumo do que vai acontecer agora, depois do lançamento do edital de licitação do sistema metroviário de Salvador.
 
JW – Estou muito confiante. A gente trabalhou muito tempo, tanto no projeto quanto na modelagem financeira. Trabalhamos muito na questão da PPP [Parceria Público-Privada], discutimos muito com o governo federal, que afinal de contas está aportando R$ 1 bilhão. Ouvimos os quatro grandes consórcios que se formaram e dizem que querem disputar o metrô. Foi muito aberta essa coisa, foi quase que uma consulta pública. A cada passo que a gente dava, a gente ouvia os interessados, técnicos, tivemos o suporte da Coppe [Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia], que é da Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem especialização nessa área de transporte. Ouvimos experiências como a do metrô do Rio e metrô de São Paulo. Ou seja, eu acho que a gente trabalhou bastante para ter uma licitação competitiva. Hoje a gente tem uma visão clara de que contribuição o governo do Estado quer dar à mobilidade urbana de Salvador. Eu entendo que, feita a licitação e superado qualquer questionamento, porque sempre tem questionamento em edital de licitação, aí a obra para começar e cumprir um cronograma até 2015 ou 2016 vai ter pelo menos esses 34 quilômetros – são 22 km da Linha 2 e 12 km da Linha 1 – completados. No meio disso, tem a questão de ampliar Valéria e Cajazeiras, tem a questão da mudança da rodoviária intermunicipal do Iguatemi exatamente para ser uma fonte de alimentação do próprio metrô. Nessa nova rodoviária, a gente quer agregar valor e o pensamento nosso é montar um centro de serviços do governo do Estado e das nossas secretarias, que são demandadas pelo povo que chega do interior, de tal forma que você possa chegar e ter quase que um mega SAC [Serviço de Atendimento ao Cidadão] para facilitar a vida do povo, que já teria o metrô na porta. Nós já escolhemos a região, ali na altura de Valéria, e lá vai acabar se desenvolvendo outros projetos comerciais, porque a nossa rodoviária tem um fluxo de pessoal muito grande e vai aumentar mais ainda. Não tem mais nenhum obstáculo. É botar o edital na rua, dar o prazo para cada um apresentar, proclamar o vencedor e dar a ordem de serviço. 
 
BN – E quando a gente vai poder ver aquela placa “Desculpe os transtornos. Estamos trabalhando” na rua, com operários cavando o canteiro? 
 
JW – Eu acho que no começo do segundo semestre a gente já vai ver essa obra. Só lembrando que ela vai começar com a Linha 1, que é até Pirajá. Essa metade que, na verdade, não resolve a vida de ninguém. Sai de uma central para outra central, da Lapa para a Rótula do Abacaxi, onde no entorno praticamente nasceu um novo bairro. Quando o metrô ficar completo, vai mudar completamente a lógica da cidade. A cidade tem que se abrir, assim como a Ponte Salvador-Itaparica, eu não tenho dúvida, quando ficar pronta em 2017, por aí, vai mudar completamente a vida do Baixo Sul e de Salvador. Nós estamos preparando não só Salvador. Por exemplo, a Ferrovia Oeste-Leste e toda essa malha rodoviária que a gente está ampliando; o nascimento de um verdadeiro aeroporto em Feira de Santana, com viés de aeroporto de carga e de passageiro; o reforço do aeroporto de Barreiras, de Teixeira [de Freitas] e de Paulo Afonso, que a gente está esperando começar a linha comercial; a gente está dando uma destravada na logística da Bahia e preparando para crescer 50, 60 anos, tanto na capital quanto no interior. Eu acho que a gente vai deixar uma contribuição muito grande, principalmente nessa área de mobilidade.
 
BN – E aí Jaques Wagner vai ver, da Câmara Federal, Rui Costa inaugurando esses projetos...
 
JW – Aí, não sei. Tem que primeiro saber quem é o candidato e depois o povo votar no candidato (risos).

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