Rede colaborativa tenta aproveitar impulso para ampliar feiras literárias no interior da BA
Primeira edição da Flipf | Foto: Mateus Pereira / GOVBA

A Bahia nos últimos anos tem sido palco de diversas festas e feiras literárias. Além de Salvador, diferentes municípios estão promovendo cada vez mais eventos que buscam oferecer a população programações ligadas à leitura, à escrita e à arte de uma forma geral. 

 

Com mesas redondas, palestras, oficinas, exposições e apresentações, cidades como Itabuna, Cachoeira, Mucugê, Canudos, Mata de São João, Uauá e Feira de Santana tentam, durante todo o ano, captar apoio para realizar suas edições dos eventos literários. 

 

Por essas feiras e festas estarem crescendo, principalmente no interior da Bahia, produtores e curadores junto com o governo da Bahia e autoridades de suas respectivas cidades estão criando uma rede colaborativa para eventos com foco em incentivo à cultura. Curador da primeira edição da Feira Literária de Canudos (Flican), Luiz Paulo Neiva disse, em entrevista ao Bahia Notícias, que essa rede será lançada pelo governo no dia 12 de novembro, durante o primeiro Festival Literário Nacional (Flin), que acontece entre os dias 12 e 15 de novembro, no bairro de Cajazeiras, em Salvador.

 

“O sentido de fazer essa rede colaborativa é para valorizar a divulgação da produção literária da Bahia, propor diálogos e dar um pouco de planejamento para que as feiras não fiquem sendo criadas a cada momento, sem nenhum critério. A rede busca criar um calendário para que não ocorram feiras nos mesmos dias ou tão próximas, e também quer garantir um público e atividades gratuitas para fortalecer a educação do ensino básico, por meio da participação das escolas na feira literária e criando espaços formativos que contribuam para a melhoria da educação básica”, explica Luiz Paulo Neiva. 

 

Entre os idealizadores e curadores dos eventos literários mais recentes, que foram entrevistados pelo BN, um dos intuitos da feira é aproximar a população da leitura, principalmente as crianças e os jovens que estão nas escolas de suas determinadas cidades.

 

"Esse é um momento de fortalecimento da literatura, mas também com espaço formativo capaz de induzir a população em todas as suas faixas, para processo formativo e sobretudo de ensino básico, até porque sabemos que temos um dos piores Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país, do ensino de educação básico, e a feira pode ser capaz de ajudar e sensibilizar professores, alunos e pais a um processo mais qualificado para fortalecimento da educação", declarou o curador da Flican. 

 

"A importância de realizarmos esse festival literário está relacionado também a descoberta dos inúmeros talentos que existem naquela região, seja no campo da poesia, da redação, do audiovisual, da dança. Estamos também dando um estímulo para aquele bairro ao consumo de produtos culturais levando para o festival 16 editoras. Estamos fazendo com que aquela comunidade tenha acesso aos livros e a leitura a um custo plausível", defende o diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, responsável pelo Flin.  

 

O cordelista Maviael Melo, que integra a curadoria da Festa Literária de Uauá (Fliu), entende que o evento surge para que a população entre em contato com outras artes, já que, segundo ele, a vertente cultural do município tem se perdido por causa dos "paredões de música". "Tem muita zuada hoje, a juventude não tem outra coisa a fazer que não seja se drogar e ouvir essa música horrível que fica nos paredões. Então pensamos também no sentido de fazer um movimento para o povo de lá também poder ver outras coisas. Como conseguimos mobilizar um bom número de pessoas, a festa que seria dois dias passou a ser três e terá uma programação muito rica com convidados, mesas importantes com temas atuais e importantes, política, arte, literatura, cinema ligada a favela e ao sertão, uma mesa de gênero, de diversidade, de povos indígena". 

 

Para Vanessa Vieira, uma das idealizadoras da Festa Literária Internacional da Praia do Forte (Flipf), o evento em Mata de São João foi criado tanto para incentivar a população local à leitura, mas também para movimentar o comércio. "Como lá é um lugar que atrai público o ano inteiro praticamente, já tem seus próprios atrativos a gente procurou fazer o evento num período que fosse de baixa estação, para contribuir de certa forma com o comércio local, além de estar atraindo um perfil de público específico que tem interesse na leitura", comenta Vanessa. 

 

Em setembro, durante o lançamento da 9ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), a secretária estadual de Cultura, Arany Santana, adiantou que o interior do estado será contemplado com 25 feiras literárias em 2020 (veja aqui). E, no início de outubro, Zulu Araújo disse ao BN,  que as escolas da Bahia que tiverem interesse em realizar eventos literários podem contar com o auxílio da Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) (lembre aqui). 

 

Ao que tudo indica, a criação dessas novas feiras e festas literárias, já neste ano, pode ser resultado deste apoio indicado pela Secult. Se depender dos seus idealizadores, os eventos podem se tornar uma tradição em suas cidades.

 

Confira a programação das feiras que acontecem neste mês de novembro:
 

 
I Festival Literário Nacional – Flin
Em Cajazeiras, Salvador-BA, de 12 a 15 de novembro
Programação completa (clique aqui)

 

Festa Literária de Uauá - Fliu
Em Uauá, de 14 a 16 de novembro de 2019
Programação completa (clique aqui)

 

I Feira Literária de Canudos - Flican 
 Em Canudos, de 21 a 24 de novembro de 2019
Programação completa (clique aqui)

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