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zuenir ventura
O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele era considerado um dos principais jornalistas do país e ficou conhecido por transformar acontecimentos políticos e sociais em livros-reportagem. A causa da morte não foi divulgada. A informação foi confirmada pela ABL.
Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1931, Zuenir passou por veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo. Em 30 de outubro de 2014, foi eleito o sétimo ocupante da Cadeira nº 32 da ABL, na sucessão do escritor Ariano Suassuna.
Ao longo da carreira, Zuenir se destacou pela cobertura de temas políticos e sociais. O livro 1968 – O Ano que Não Terminou, publicado pela Companhia das Letras, tornou-se uma de suas obras mais conhecidas ao retratar a juventude dos anos 1960, período marcado pela efervescência política e cultural em diferentes partes do mundo e pela ditadura militar no Brasil.
O jornalista também acompanhou questões relacionadas aos direitos humanos e a conflitos sociais. Nos anos 1980, cobriu o caso do seringueiro e ambientalista Chico Mendes e contribuiu para ampliar a discussão sobre a exploração da Amazônia. Na década seguinte, acompanhou os efeitos da violência relacionada ao combate às drogas no Rio de Janeiro, experiência que resultou no livro Cidade Partida, também publicado pela Companhia das Letras, após meses de convivência com moradores de Vigário Geral, na Zona Norte da capital fluminense, depois da chacina ocorrida na comunidade.
Zuenir também manteve uma relação próxima com a Academia Brasileira de Letras. Durante a pandemia de Covid-19, quando estava confinado em seu apartamento, relatou a falta que sentia das reuniões da instituição e destacou o ambiente de convivência e humor entre os acadêmicos.
Na vida pessoal, em 1962, quando trabalhava na Tribuna da Imprensa, conheceu a também jornalista Mary Akiersztein, com quem se casou e permaneceu durante toda a vida. Em 1968, os dois foram presos durante a ditadura militar e levados ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Rio de Janeiro. Mary permaneceu detida por um mês, enquanto Zuenir ficou preso por três meses, período em que dividiu a prisão com os escritores Ziraldo e Hélio Pellegrino.
Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som (MIS), em 2011, Zuenir relembrou o período de prisão e contou que jogava basquete com Hélio Pellegrino durante os minutos de banho de sol. Os dois chegaram a ser transferidos e isolados após uma discussão envolvendo o time de basquete dos militares, segundo o relato do jornalista.
Anos depois, Zuenir continuava associado ao otimismo como uma característica pessoal. Em 2022, porém, afirmou ao jornal O Globo, onde havia sido colunista, que havia feito uma pausa na escrita diante do cenário de notícias negativas no Brasil e no exterior.
Zuenir Ventura deixa a mulher, Mary, os filhos Elisa e Mauro e os netos Alice e Eric.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
André Viana
"Quando você tem o monitoramento nos parlatórios, onde não é possível efetuar essa difusão de tratativas, determinações por parte da liderança para o mundo aqui fora, você traz o isolamento para o crime e nos ajuda por demais no enfrentamento à criminalidade".
Disse o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), André Viana ao defender a ampliação do monitoramento nos parlatórios dos presídios de segurança máxima do estado. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (18), o delegado afirmou que a medida ajudaria a bloquear a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas do lado de fora das unidades prisionais.